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	<title>Carlos Seabra</title>
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	<description>Artigos, reportagens e outros escritos de Carlos Seabra</description>
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		<title>Carlos Seabra</title>
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		<title>Entrevista com Carlos Seabra sobre microcontos</title>
		<link>http://cseabra.wordpress.com/2011/06/11/entrevista-com-carlos-seabra-sobre-microcontos/</link>
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		<pubDate>Sat, 11 Jun 2011 03:32:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Seabra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[cenpec]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[língua portuguesa]]></category>
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		<description><![CDATA[JUNHO 2011 Vídeo da conversa online sobre microcontos na educação, feita por Luiz Henrique Gurgel, em 11 de junho de 2011 no Cenpec, para a Twitcam da Comunidade Virtual da Olimpíada de Língua Portuguesa, do projeto Escrevendo o Futuro. Entrevista com Carlos Seabra sobre microcontos, postado via Vodpod<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=602&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>JUNHO 2011</strong></p>
<p>Vídeo da conversa online sobre microcontos na educação, feita por Luiz Henrique Gurgel, em 11 de junho de 2011 no Cenpec, para a <a href="http://twitcam.livestream.com/57gmh" title="Conversa com Carlos Seabra sobre microcontos" target="_blank"><strong>Twitcam</strong></a> da <a href="http://www.escrevendo.cenpec.org.br/ecf/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=18516:microconto-e-o-tema-da-entrevista-com-o-escritor-carlos-seabra&amp;catid=103" title="Comunidade Virtual da Olimpíada de Língua Portuguesa (Projeto Escrevendo o Futuro)" target="_blank"><strong>Comunidade Virtual da Olimpíada de Língua Portuguesa</strong></a>, do projeto <strong>Escrevendo o Futuro</strong>.</p>
<p><span style="display:block;width:425px;margin:0 auto;">  <embed src='http://widgets.vodpod.com/w/video_embed/Video.10730778' type='application/x-shockwave-flash' AllowScriptAccess='sameDomain' pluginspage='http://www.macromedia.com/go/getflashplayer' wmode='transparent' flashvars='' width='425' height='350' />
<div style="font-size:10px;">     <a href="http://vodpod.com/watch/10730778-entrevista-com-carlos-seabra-sobre-microcontos?pod=">Entrevista com Carlos Seabra sobre microcontos</a>, postado via <a href="http://vodpod.com?r=wp">Vodpod</a>  </div>
<p></span><br />
<br />
<hr size="1.,br">
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cseabra.wordpress.com/602/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cseabra.wordpress.com/602/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cseabra.wordpress.com/602/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cseabra.wordpress.com/602/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cseabra.wordpress.com/602/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cseabra.wordpress.com/602/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cseabra.wordpress.com/602/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cseabra.wordpress.com/602/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cseabra.wordpress.com/602/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cseabra.wordpress.com/602/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cseabra.wordpress.com/602/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cseabra.wordpress.com/602/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cseabra.wordpress.com/602/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cseabra.wordpress.com/602/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=602&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Fronteiras Educação – Diálogos com Professores</title>
		<link>http://cseabra.wordpress.com/2011/04/24/fronteiras-educacao-%e2%80%93-dialogos-com-professores/</link>
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		<pubDate>Sun, 24 Apr 2011 14:52:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Seabra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palestras]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[palestra]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[vídeo]]></category>

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		<description><![CDATA[DEZEMBRO 2010 Vídeo com resumo editado da palestra feita em Porto Alegre (lançamento da publicação Tecnologias na escola) no &#8220;Fronteiras Educação – Diálogos com Professores&#8221;, do projeto Fronteiras do Pensamento, em dezembro de 2010. &#160; Carlos Seabra, coordenador de projetos de tecnologia educacional, foi o convidado do último encontro do módulo Diálogos com Professores 2010, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=582&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>DEZEMBRO 2010</strong></p>
<p><em>Vídeo com resumo editado da palestra feita em Porto Alegre (lançamento da publicação <a href="http://cseabra.wordpress.com/livros/pdf-tecnologias-na-escola/"><strong>Tecnologias na escola</strong></a>) no &#8220;Fronteiras Educação – Diálogos com Professores&#8221;, do projeto <strong><a href="http://www.fronteirasdopensamento.com.br/portal/noticias/2011/04/22/fronteiras-no-youtube-carlos-seabra" title="Fronteiras do Pensamento" target="_blank">Fronteiras do Pensamento</a></strong>, em dezembro de 2010.</em></p>
<p>&nbsp;<br />
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://cseabra.wordpress.com/2011/04/24/fronteiras-educacao-%e2%80%93-dialogos-com-professores/"><img src="http://img.youtube.com/vi/vg0zqTJe0zI/2.jpg" alt="" /></a></span><br />
</p>
<p>Carlos Seabra, coordenador de projetos de tecnologia educacional, foi o convidado do último encontro do módulo Diálogos com Professores 2010, no dia 9 de dezembro.  No evento, foi lançada a cartilha <a href="http://cseabra.wordpress.com/livros/pdf-tecnologias-na-escola/"><strong>Tecnologias na Escola</strong></a> com distribuição gratuita para os professores da rede pública de Porto Alegre/RS. O vídeo com os principais momentos da conferência de Carlos Seabra já está disponível em nosso canal do YouTube. Acesse clicando na imagem acima.</p>
<p>Além da discussão teórica, a publicação traz exemplos práticos e dicas de aplicativos para uso em sala de aula. Na conferência, Seabra discutiu a facilitação proporcionada pela tecnologia e a necessidade da apropriação das novas ferramentas pelos professores. &#8220;Hoje, as pessoas nascem com o mouse na mão&#8221;, afirmou. Para ele, o professor só conseguirá atrair seus alunos se conseguir entendê-los. Mas, para tanto, precisa compreender as novas tecnologias.</p>
<p>O objetivo da cartilha <a href="http://cseabra.wordpress.com/livros/pdf-tecnologias-na-escola/"><strong>Tecnologias na Escola</strong></a> é ajudar os educadores a repensarem o formato tradicional da educação e a incluírem as ferramentas digitais no processo de ensino. &#8220;Para um professor ensinar a ler, ele precisa saber ler. Para ensinar a escrever também. Com a tecnologia não é diferente&#8221;, sustentou Seabra.</p>
<p>A cartilha foi dividida em dez temas: navegação, comunicação, vídeo, som, imagens, blogs, textos e planilhas, mapas, redes sociais e jogos e simulações. De forma clara e direta, o educador tem acesso aos principais programas e aplicativos disponíveis na rede que podem facilitar o uso da tecnologia no processo de educação.</p>
<p>A publicação também traz exemplos práticos e sugestões de atividades para complementar os estudos e incentivar os alunos a participarem ativamente da aprendizagem. A cartilha sugere, por exemplo, que os educadores aproveitem o Twitter para propor que os alunos elaborem microcontos de apenas 140 caracteres ou façam resumos com poucas palavras, treinando a capacidade de síntese dos estudantes. Esses exercícios também podem estar relacionados à produção de textos mais longos, postados em blogs, desencadeando um envolvimento maior dos alunos.</p>
<p>Desdobramento do <a href="http://www.fronteirasdopensamento.com.br" title="Fronteiras do Pensamento" target="_blank"><strong>Fronteiras do Pensamento</strong></a>, o &#8220;Fronteiras da Educação &#8211; Diálogos com os Professores&#8221; é um evento gratuito que reúne docentes de escolas municipais e estaduais de Porto Alegre e da região metropolitana para debater questões como ética, religião e conectividade, entre tantos outros temas.</p>
<p>&nbsp;<br />
<hr size="1"><a href="http://www.fronteirasdopensamento.com.br/portal/noticias/2010/12/15/uma-extensao-da-mente-debate-com-carlos-seabra" target="_blank"><br />
<h3>Uma extensão da mente: debate com Carlos Seabra</h3>
<p></a></p>
<p>Roselly Carvalho de Araújo é professora de matemática há 22 anos. Um belo dia, deixou de lado o giz e o quadro negro e levou seus alunos para o laboratório de informática. Ela listou nomes de artistas e pediu que os pequenos identificassem formas geométricas nas obras de arte, tudo via pesquisa na internet. &#8220;Fiquei impressionada quando um deles falou ter visto um quadro da Tarsila do Amaral no Faustão&#8221;, conta.</p>
<p>De certa forma, a pequena história de Roselly resume o tema da palestra de Carlos Seabra no Fronteiras Educação – Diálogos com Professores, realizada no dia 09 de dezembro, no Salão de Atos da UFRGS, em Porto Alegre. O debate sobre o uso de tecnologias no ensino e como explorar o potencial delas na aprendizagem foi um sucesso de público, crítica e repercussão na mídia. Também marcou o último encontro do Fronteiras do Pensamento 2010 e o encerramento do ano letivo da Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre (SMED).</p>
<p>Dois mil educadores assistiram aos dois encontros, com mais de duas horas de duração cada. Com a mediação dos professores Ítalo Dutra, do Colégio Aplicação, e Daniela Bortolon da Silva, da Smed, Seabra argumentou que o computador não pode estar restrito a laboratórios de informática. Brincou que seria o mesmo que entregar lápis para os homens da Pré-História, mas limitar o uso a apenas uma caverna. O aluno deve ser estimulado a usar as ferramentas do celular, interagir de casa via sites como o Twitter, tudo para desenvolver o empreendedorismo cognitivo. &#8220;Os alunos precisam ter prazer em buscar conhecimento. Na Grécia Antiga, quando Sócrates disseminava seus ensinamentos à sombra de uma árvore, quem o ouvia adorava estar lá, aprendendo&#8221;, filosofou.</p>
<p>Segundo Seabra, os professores devem apropriar-se da tecnologia disponível. Defende que a utilização de computadores, smartphones, tablets e suas ferramentas estimulam os alunos a levantar hipóteses, reconhecer padrões, desenvolver projetos, saber pesquisar, ser metódico, entre outros. &#8220;A principal tecnologia é utilizar o cérebro. E o computador é uma prótese, uma extensão da mente. Os professores que ainda não têm acesso a ele na escola, já devem imaginar o que farão quando o tiverem&#8221;, afirma.</p>
<p>Carime Kanbour, vice-presidente do Instituto Claro, incentivador do Fronteiras Educação, lembrou que o evento foi uma forma de se aproximar dos professores e conhecer um pouco melhor a realidade deles. Para o Instituto, a utilização das novas tecnologias no ensino é uma bandeira. &#8220;É importante para ver se estas ideias podem ser aplicadas na prática. Acreditamos que as novas tecnologias são aliadas na difusão do conteúdo e ajudam na construção de uma nova realidade de aprendizagem&#8221;, projeta.</p>
<p>Para a Secretária da Educação, Cleci Jurach, o professor municipal ganhou um presente de Natal. Ela espera que a palestra de Seabra abra novas possibilidades para os educadores planejarem no ano letivo de 2011 com outra perspectiva, um pouco mais tecnológica. &#8220;É o que sempre dizemos: &#8216;a educação não está pronta&#8217;. A fazemos o tempo todo, construindo conhecimento&#8221;, defende.</p>
<p>E para fazer com que esta tarefa seja facilitada, todos os presentes receberam uma publicação de 28 páginas sobre o tema, organizada por Seabra, com conteúdos sobre o uso da internet e de suas ferramentas no ensino. A cartilha será distribuída para todos os professores da Rede Municipal de Ensino. Mas seu conteúdo também está disponível para download no site do Instituto Claro. Instituições de Ensino interessadas em ter o fascículo devem contatar a Central de Relacionamento do Fronteiras pelo e-mail <a href="mailto:relacionamento@fronteirasdopensamento.com.br" target="_blank">relacionamento@fronteirasdopensamento.com.br</a>. A expectativa é que todos sigam o exemplo da professora Roselly, buscando alternativas para ampliar o conhecimento dos alunos e fazer da escola um prazer, não uma mera obrigação.</p>
<p>O Fronteiras Educação – Diálogos com Professores é uma iniciativa do Instituto Claro com o apoio cultural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. A edição 2010 do Fronteiras do Pensamento – Para compreender o século XXI é apresentada pela Braskem, tem o patrocínio de Unimed POA, Gerdau, Grupo RBS, Instituto Claro e Refap, e o apoio cultural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Anhanguera Educacional e Prefeitura Municipal de Porto Alegre.</p>
<p align="left">• Saiba como funciona a cartilha no vídeo Tecnologias na Escola: <a href="http://youtu.be/Rt8gtu5urGY" target="_blank">http://youtu.be/Rt8gtu5urGY</a></p>
<p align="left">• Faça o download completo da cartilha: <a href="http://www.institutoclaro.org.br/banco_arquivos/Cartilha.pdf" target="_blank">http://www.institutoclaro.org.br/banco_arquivos/Cartilha.pdf</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cseabra.wordpress.com/582/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cseabra.wordpress.com/582/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cseabra.wordpress.com/582/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cseabra.wordpress.com/582/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cseabra.wordpress.com/582/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cseabra.wordpress.com/582/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cseabra.wordpress.com/582/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cseabra.wordpress.com/582/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cseabra.wordpress.com/582/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cseabra.wordpress.com/582/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cseabra.wordpress.com/582/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cseabra.wordpress.com/582/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cseabra.wordpress.com/582/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cseabra.wordpress.com/582/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=582&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Entrevista no Formspring do Instituto Claro</title>
		<link>http://cseabra.wordpress.com/2011/01/10/formspring-do-instituto-claro/</link>
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		<pubDate>Mon, 10 Jan 2011 23:43:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Seabra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[formspring]]></category>
		<category><![CDATA[instituto claro]]></category>
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		<description><![CDATA[JANEIRO 2011 Respostas para as perguntas formuladas no Formspring do Instituto Claro, feitas em dezembro de 2010 e respondidads em janeiro de 2011. O Instituto Claro tem como causa Empreender para Educar e Educar para Empreender. Confira as respostas de Carlos Seabra sobre o uso das tecnologias na educação. Carlos Seabra tira dúvidas dos leitores [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=542&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>JANEIRO 2011</strong></p>
<p><em>Respostas para as perguntas formuladas no <strong><a href="http://www.formspring.me/institutoclaro">Formspring do Instituto Claro</a></strong>, feitas em dezembro de 2010 e respondidads em janeiro de 2011.</em></p>
<p>O Instituto Claro tem como causa Empreender para Educar e Educar para Empreender. Confira as respostas de Carlos Seabra sobre o uso das tecnologias na educação.</p>
<p><strong>Carlos Seabra tira dúvidas dos leitores sobre como as tecnologias potencializam a aprendizagem</strong></p>
<p>Olá. O Instituto Claro agradece a todos os internautas que mandaram suas dúvidas sobre como a tecnologia potencializa a educação. Carlos Seabra responde logo abaixo. Confira!</p>
<p><em>Por gentileza, como potencializar o ensino através da tecnologia, para o público mais carente? Obrigada, Silvia Moura</em></p>
<p>A cada dia, mais pessoas das classes mais carentes têm acesso às novas tecnologias, incluindo internet e celulares. Mesmo a imensa parcela da população que ainda não tem acesso será incluída, com o barateamento do custo dos equipamentos e políticas de universalização. O grande desafio é desenvolver estratégias pedagógicas, atividades motivadoras e projetos que levem à construção do conhecimento, pensando-se em promover uma “inclusão cognitiva” para além da chamada inclusão digital.</p>
<p><em>Olá, Carlos. Você incluiria o blog como uma tecnologia educacional que pode potencializar o currículo?</em></p>
<p>Sem dúvida, os blogs são uma interessantíssima ferramenta que, se usada no contexto educacional, pode ser uma grande aliada dos profissionais de educação. Informações apresentadas explorando diversos assuntos, seja no formato de diários, contos, notícias, poesias, artigos etc., podem despertar uma nova onda de produção escrita em muitos jovens. Os blogs são uma excelente forma de comunicação, permitindo que seus autores se expressem de acordo com suas convicções e visões de mundo e que outras pessoas possam ler e registrar comentários sobre a produção textual do blog. Isso vale tanto para professores terem seus blogs individuais, compartilhando pensamentos e informações com seus pares ou com pais e alunos, quanto para uma classe ter um blog coletivo, ou os alunos fazerem blogs em grupos ou individualmente.</p>
<p><em>Bom dia Carlos. Trabalho com crianças de escolas públicas com problemas de aquisição da leitura e escrita na imago.org.br. Como as novas tecnologias potencializam a aprendizagem?</em></p>
<p>As tecnologias potencializarem a aprendizagem é um fato se houver o engajamento dos professores e dos alunos em projetos específicos, pois não é algo que ocorra espontaneamente, a não ser em casos esporádicos. Engajar os alunos em atividades que levem à leitura e escrita, seja em processos de comunicação escrita com alunos de outras cidades, produção de pequenos contos ou poesias, ou minirreportagens e publicação em blogs, são alguns exemplos de possibilidades que permitem que esse potencial redunde em estímulo e facilitação da aprendizagem.</p>
<p><em>Eu tenho alguns Projetos de Inclusão Digital, Gostaria de Saber qual a melhor forma de poder divulgar apresentar estes projetos com uso das tecnologias que potencializam a aprendizagem ? email: fernandoinstrutor.tecnologia@hotmail.com</em></p>
<p>Se a intenção é apenas a divulgação, a melhor forma é a criação de um website, ou mesmo um blog, além de usar as redes sociais para sua divulgação, tais como Twitter, Facebook, Orkut etc. Mas, se a intenção é conseguir apoios viabilizadores, você deve procurar, através de um release bem resumido, contactar empresas, jornalistas, educadores e ficar atento a editais na área. Lembre-se: nem sempre a melhor das intenções viabiliza projetos, é importante dar-lhes um formato claro, que mostre seu diferencial e possua estrutura objetiva, com metas a alcançar e custos bem definidos.</p>
<p><em>Sonhei e Realizei, formei 3 turmas em gestão de pequenas empresas, com a tecnologia do telecurso TEC, o curso parou não sei se continua no ano que vem, aprendi com a praxis. Voce acha que o aprender ensinar vai se fazer naturalmente com a tecnologia?</em></p>
<p>Aprender a ensinar e aprender a aprender são competências básicas que não decorrem naturalmente da tecnologia em si, mas que podem e devem ser enormemente facilitadas por ela. Acreditar que a tecnologia, por si só, garanta avanços transformadores é um equívoco, propalado por vendedores de equipamentos e de softwares e por fanáticos tecnológicos. Educação a distância é um caminho muito promissor, mas que exige um investimento de desenvolvimento e uma atenção redobrados, como você deve ter vivenciado.</p>
<p><em>Como poderiamos melhorar a educação com os recursos da tecnologia, incentivando principalmente o educador a utiliza-la sem medo de perder o seu lugar no mercado de trabalho?</em></p>
<p>Um educador ter medo de perder seu lugar para recursos tecnológicos é algo tão descabido quanto uma mãe temer ser trocada por uma geladeira, que é um recurso tecnológico de apoio à alimentação de seus filhos – tanto quanto o computador é uma extensão do cérebro do professor e de seus alunos. Os professores devem ter medo é de ter medo, devem recear a falta de curiosidade, a ausência de experimentação. Estar aberto aos recursos da tecnologia é também uma forma de estabelecer novas parcerias com os alunos, engajando-os em processos de aprendizagem colaborativa.</p>
<p><em>Bem,que a tecnologias ajuda no apredesado isso nós sabemos, mais a questão é si maramos em um pais que á maioria não tem três refeiçois basicas par dia como essas pessa tec.era pontencializar ou acelera,ajudar no aprendizado do nosso povo.(alimenti</em></p>
<p>Todo esforço e atenção investidos na superação dos fossos sociais que temos em nosso país redunda em melhorias visíveis em qualidade de vida e em seus indicadores de saúde, alimentação, cultura e educação. Além das três refeições básicas a que você se refere, é fundamental uma quarta refeição diária, que é a do espírito, do intelecto. Nesse sentido, a tecnologia pode e deve ser usada como um “cavalo de Troia”, que permita ultrapassar as muralhas da clivagem social e dar novos saltos de qualidade de vida.</p>
<p><em>Como voce vê a tecnologia como uma nova ferramenta de aprendizagem? Já que na maioria das vezes acaba com vinculo social e troca de experiências.</em></p>
<p>Vínculos sociais e trocas de experiências podem ser componentes preciosos para a facilitação e o estímulo à aprendizagem, desde que inseridos em um projeto de ensino e cujos resultados sejam permanentemente acompanhados e (re)avaliados. A verdadeira ferramenta de aprendizagem são nossos cérebros (com uma pitada de ajuda dos nossos corações, olhos, boca e mãos), e devemos encarar as tecnologias como próteses extensoras de suas capacidades.</p>
<p><em>Como podemos alinhar o uso da tecnologia ao paradigma com a utilização dos recursos naturais? Não parece um contra censo</em></p>
<p>As tecnologias podem ser um poderoso aliado do uso sustentável dos recursos naturais (ao buscar uma informação na internet você não precisa se deslocar fisicamente para obter o mesmo resultado) ou comprometê-los (caso dos motores a combustão com efeitos altamente poluidores). Assim, não se trata de nenhum contrassenso, ao contrário, pois tecnologia na plena acepção do conceito pressupõe levar em conta todos os aspectos envolvidos. Mas isso não significa não nos preocuparmos permanentemente com aspectos ligados ao lixo tecnológico, à emissão de radiações e outros.</p>
<p><em>Como usar o celular para incrementar minhas aulas de ciência no 1º grau?</em></p>
<p>O celular pode ser usado em sala de aula, e também fora dela, como complemento ou centro de algum projeto pensado especificamente para seu uso. Por exemplo, usando o celular para fotografar determinados objetos solicitados pelo professor ou numa gincana de conhecimentos em que os alunos consultem fontes externas usando seus celulares. O fundamental é que seja uma estratégia pensada e elaborada pelo professor, que com os erros observados e os avanços identificados vá desenvolvendo sua metodologia.</p>
<p><em>Olá, Prezado Senhor Carlos Seabra !!! Gostaria de saber do senhor se, nos dias de hoje, é possível aplicar Metodologias de Aprendizagem que possam se utilizar de Conceitos de Civismo aplicados em Escolas Públicas em nosso País? Muito Agradecido. Ma</em></p>
<p>O civismo consiste nas atitudes e no comportamento assumidos pelos cidadãos, fundamentais para a vida coletiva. Como cultura política a ser construída, necessita de uma metodologia de aprendizagem que seja motivadora e engajadora. O uso de tecnologias de informação e comunicação também nesta área pode ser bastante efetivo, rompendo o tratamento “careta” e conservador tantas vezes dado a esta questão.</p>
<p><em>gostaria de saber quais os caminhos mais viaveis para tirar um projeto do papel e colocalo em pratica, pois ja tentei atraves do instit.claro mas nao soub trnsmitir realment meus objetivos que tenho certeza sera de grande importanc. economc. e socal obr.</em></p>
<p>Um projeto para sair do papel e ser colocado em prática depende em grande parte de uma feliz combinação de oportunidade e de competência. Como já foi dito em resposta anterior, é importante que o projeto tenha um formato claro, mostrando seus diferenciais em relação a outros semelhantes, com uma estrutura objetiva, definindo metas a serem alcançadas e, claro, com os custos bem listados e definidos. Ao formatar o projeto, procure vê-lo não como você o imagina mas sim como a pessoa, ou instituição, a quem o vai apresentar.</p>
<p><em>Trabalho com alunos do ensino fundamental na rede pública a utilização do celular como recurso de aprendizagem. Gostaria de saber como conseguir parceria junto a operadoras de telefonia móvel para tornar meus projetos mais significativos. Grata.</em></p>
<p>O primeiro passo, com certeza, é você divulgar como tem usado o celular como recurso de aprendizagem na escola pública. Uma grande dificuldade (existem muitas outras, infelizmente, sendo das maiores os custos envolvidos, que no Brasil estão entre os maiores do mundo) é a diversidade de operadoras que os alunos usam, o que dificulta o apoio de uma operadora a ações envolvendo celulares de outras. Há usos do celular que não necessitam de ligações de voz, mensagens de texto ou tráfego de dados, mas sabemos como é empobrecedor lidar com essas limitações, pois afinal cada dia mais o celular (principalmente os smartphones) é um computador no bolso de cada um.</p>
<p><em>Sr Seabra, Como desenvolver a aprendizagem de crianças e adolescentes carentes que não tem, ou tem pouco acesso as tecnologias modernas, se elas não tem como adquiri-las?</em></p>
<p>Quando surgiu a televisão, que era um aparelho caro e para poucos, os educadores tiveram uma postura omissa, quando não reacionária. Poucos anos depois, a TV estava em todos os lares. O mesmo acontece hoje com os computadores, a internet, os celulares: a cada ano, parcelas mais e mais numerosas da população têm acesso a esses recursos. Populações que ainda não têm água e esgoto, carentes de saúde e educação, já têm acesso à tecnologia. Isso deve mudar nosso foco de preocupação.</p>
<p><em>Bom Tarde Professor O estado do Piaui 19 por cento de sua população não é alfabetizada na maioria estão na faixa étaria acima dos 40 anos, como utilizar a tecnologia educacional para reduzir estes índices? AURI DIAS &#8211; ADSBP Presidente</em></p>
<p>A alfabetização, ainda mais em adultos, não é um assunto trivial, embora deva ser uma prioridade em qualquer política pública. Essa população não alfabetizada certamente assiste à televisão e boa parte se comunica telefonicamente, certo? Um dos grandes potenciais da tecnologia é ampliar a realidade, fazer simulações, criar contextos lúdicos, e isso tudo pode e deve ser pensando em conjunto com as metodologias de alfabetização. Segundo Paulo Freire, a leitura do mundo sempre precede a leitura da palavra – nesse sentido, as novas tecnologias de informação e comunicação possuem condições ímpares para fazer a ponte entre essas duas leituras, do mundo e da palavra, cabendo aos educadores a descoberta e a elaboração dessas possibilidades.</p>
<p><em>Como as tecnologias podem ser nocivas ou beneficiam as formaçoes das redes sociais</em></p>
<p>Como podemos observar pelas redes sociais que se desenvolvem através da internet (Twitter, Orkut, Facebook e outras), as tecnologias na web, e sua interconexão com a mobilidade (celulares, smartphones e tablets), são poderosos e naturais instrumentos para que a humanidade faça o que sempre fez desde o início de nossa espécie: tecer relacionamentos, físicos ou virtuais, envolvendo finalidades profissionais, sexuais, amizades, casamentos, negócios&#8230; Como isso pode ser usado na educação é algo que necessita, principalmente, de acompanhamento e engajamento proativo dos professores, que podem através desses ambientes acompanhar, mais do que nunca, como seus alunos pensam, como se expressam, e assim desenvolver e adequar suas estratégias pedagógicas.</p>
<p><em>Como usar, e/ou onde encontro exemplos, da utilização do celular na educação? É um aparelho presente na vida de praticamente todo estudante, mas que se tornou mais um objeto de conflito em sala de aula do que de oportunidade.</em></p>
<p>Essa é uma interessantíssima possibilidade ainda pouco estudada e aplicada, que como você destaca é mais um motivo de conflitos e proibições do que uma real oportunidade de ferramenta de ensino e aprendizagem. Esse conceito é conhecido também como “m-learning” (mobile learning, ou aprendizagem por celular), procure referências a respeito na web. A grande preocupação e receio dos educadores é com o potencial desvio de atenção que os alunos podem ter: imaginemos durante uma aula eles ficarem a conversar com namorados, familiares ou amigos! Mas o mesmo potencial distraidor podem ter as canetas e folhas de papel, pois um aluno pode não prestar atenção à aula e fazer outras coisas com esses recursos. Claro que o exemplo é fraco, pois o potencial de distração do celular é muito maior, canetas e papéis não tocam e não fazem outras tantas coisas&#8230; O principal, a meu ver, é uma experimentação e uma pactuação do professor com os alunos: experimente discutir com eles os limites e as possibilidades, como uma abordagem inicial.</p>
<p><em>Tenho trabalhado com produção de vídeo-aula em matemática, e gostaria de tornar minhas aulas mais interativas e eficiente, entretanto, não encontro nenhum material, textos, com o tema “como as tecnologias potencializam a aprendizagem”. Qual sua</em></p>
<p>O uso de audiovisual em aulas é pleno de potencial e abordarei aqui apenas dois aspectos. Um é usar filmes em sala de aula: é necessário selecionar trechos, pois vídeos muito longos só levam à perda de atenção (o ideal é algo em torno de oito minutos de duração), e fazer uso das pausas e mesclar a exibição com o debate, a verbalização, e juntar isso a outras atividades (redação, desenho, trabalho em grupos). Outro é a produção de minivídeos: usando celulares, câmeras fotográficas ou mesmo filmadoras (cada dia os primeiros com mais qualidade, os segundos mais baratos), em trabalhos feitos individualmente ou em grupo. Interessantes possibilidades nesse sentido podem ser vistas no Claro Curtas (www.clarocurtas.com.br) ou no Festival do Minuto (www.festivaldominuto.com.br).</p>
<p><em>Olá, gostaria de sua opinião sobre o uso de softwares específicos para auxílio ao processo de ensino-aprendizagem de portadores de deficiência visual.</em></p>
<p>Se o computador, o celular e a internet são formidáveis extensões de nossas capacidades para as pessoas sem necessidades especiais, para quem possui qualquer tipo de deficiência, visual, auditiva, de locomoção ou outras, a diferença é altamente impactante para um salto na qualidade de vida! No caso específico de pessoas cegas ou com visão subnormal, os softwares que permitem leitura automática, com voz sintética, possibilitam inúmeras aplicações no ensino e na aprendizagem.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cseabra.wordpress.com/542/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cseabra.wordpress.com/542/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cseabra.wordpress.com/542/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cseabra.wordpress.com/542/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cseabra.wordpress.com/542/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cseabra.wordpress.com/542/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cseabra.wordpress.com/542/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cseabra.wordpress.com/542/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cseabra.wordpress.com/542/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cseabra.wordpress.com/542/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cseabra.wordpress.com/542/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cseabra.wordpress.com/542/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cseabra.wordpress.com/542/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cseabra.wordpress.com/542/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=542&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Especialista ensina professores a usar a tecnologia como aliada na sala de aula</title>
		<link>http://cseabra.wordpress.com/2010/12/10/especialista-ensina-professores-a-usar-a-tecnologia-como-aliada-na-sala-de-aula/</link>
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		<pubDate>Fri, 10 Dec 2010 15:52:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Seabra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[carlos seabra]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
		<category><![CDATA[fronteiras do pensamento]]></category>
		<category><![CDATA[instituto claro]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[zero hora]]></category>

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		<description><![CDATA[DEZEMBRO 2010 Reportagem especial do jornal Zero Hora, feita por Juliana Bublitz, em 10 de dezembro de 2010, por ocasião da palestra de lançamento da publicação Tecnologias na Escola. Para prender a atenção da gurizada Para ajudar os professores a transformar as tecnologias da informação em ferramentas no processo de aprendizagem, o editor Carlos Seabra, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=643&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>DEZEMBRO 2010</p>
<p><em>Reportagem especial do jornal <a title="Especialista ensina professores a usar a tecnologia como aliada na sala de aula" href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&amp;local=1&amp;section=Geral&amp;newsID=a3137694.xml" target="_blank"><strong>Zero Hora</strong></a>, feita por Juliana Bublitz, em 10 de dezembro de 2010, por ocasião da palestra de lançamento da publicação <strong>Tecnologias na Escola</strong>.</em></p>
<h2>Para prender a atenção da gurizada</h2>
<p><em>Para ajudar os professores a transformar as tecnologias da informação em ferramentas no processo de aprendizagem, o editor Carlos Seabra, palestrante do Fronteiras Educação – Diálogo com Professores, dá dicas práticas que podemser usadas na sala de aula. Entre elas, a “webgincana”. Confira.</em></p>
<p>Para ajudar os professores a transformar as tecnologias da informação em ferramentas no processo de aprendizagem, o editor Carlos Seabra, palestrante do Fronteiras Educação — Diálogo com Professores, dá dicas práticas que podem ser usadas na sala de aula. Entre elas, a &#8220;webgincana&#8221;. Confira.</p>
<p>Imagine a cena: irritada com alunos que não param de teclar ao celular, a educadora respira fundo, larga o giz, leva as mãos à cintura e ordena que os adolescentes desliguem os aparelhos. Do fundo da sala, em meio ao burburinho, ouve um protesto.</p>
<p>— Por que a gente não pode tuitar na aula? — questiona o guri de boné e roupas largas, cheio de razão.</p>
<p>Para o editor Carlos Seabra, palestrante do Fronteiras Educação — Diálogos com Professores, os estudantes não só podem, como devem. Coordenador editorial do Núcleo de Educação da TV Cultura, Seabra esteve ontem em Porto Alegre, no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).</p>
<p>Para ele, não há saída: se quiserem falar a língua da gurizada, os professores precisam explorar o potencial das novas tecnologias:</p>
<p>— Caso não façam isso, correm o risco de ficar parados no tempo.</p>
<p>Português de nascença, o editor de 55 anos convidou o público formado basicamente por professores para acompanhá-lo em um passeio pelo que chamou de &#8220;jardim zoológico da tecnologia&#8221;. Para quem nunca (ou pouco) havia ouvido falar de Wikipédia e Facebook, ele fez as apresentações. E mais: deu dicas de como usar as ferramentas em aula.</p>
<p><strong>Navegação</strong></p>
<p>Como fazer os estudantes usarem a web sem apenas copiar dados? A dica é propor pesquisas e atividades nas quais os sites de busca não sejam o fim, mas o começo do trabalho.</p>
<p>Exemplo: Crie uma “webgincana”, pedindo que os alunos separem-se em grupos e pesquisem sobre um tema, com prazo determinado. A pesquisa poderá envolver textos, fotos, áudios e vídeos, que serão apresentados e debatidos com a turma. Como em uma gincana, as etapas do projeto terão pontuação para animar a garotada.</p>
<p><span style="text-decoration:underline;">Principais sites de pesquisa</span>:</p>
<p>Google (<a href="http://www.google.com.br/">www.google.com.br</a>): por meio dele, é possível buscar informações de quase todos os tipos e de várias épocas. Wikipédia (<a href="http://www.pt.wikipedia.org/">www.pt.wikipedia.org</a>): é uma enciclopédia livre, feita com contribuições de internautas.</p>
<p><strong>Celular</strong></p>
<p>Embora algumas escolas proíbam o uso do celular, ele pode ser uma ferramenta muito útil na sala de aula. Mas como fazer os alunos usarem o equipamento de forma instrutiva?</p>
<p>Exemplo: Convide os estudantes a gravarem entrevistas em vídeo ou até um documentário com um telefone. O vídeo poderá ser sobre a escola ou sobre o bairro. Depois de pronto, poderá ser disponibilizado no YouTube (<a href="http://www.youtube.com/">www.youtube.com</a>), o maior acervo de vídeos da internet, e ser inserido em blogs e sites.</p>
<p>Os trabalhos podem ser individuais ou em grupo e variar de ficções a documentários.</p>
<p><strong>Conversas na web</strong></p>
<p>A comunicação via e-mail já está consagrada em muitas escolas, mas as conversas por mensagens instantâneas ou por chat ainda não são exploradas como poderiam.</p>
<p>O desafio do professor é trazer para o ambiente escolar essas novas ferramentas para que o aluno entenda a importância de escrever ao se comunicar com o mundo, mas como?</p>
<p>Exemplo: Peça aos alunos que, por meio de um desses programas, chat ou e-mail, conversem com estudantes de outras partes do Brasil. Que colham informações sobre a maneira como vivem e elaborem um trabalho individual ou coletivo sobre o assunto.</p>
<p><span style="text-decoration:underline;">Ferramentas de comunicação</span>:</p>
<p>MSN (<a href="http://www.windowslive.com.br/">www.windowslive.com.br</a>) e Skype (<a href="http://www.skype.com/">www.skype.com</a>). Os programas podem ser facilmente baixados na internet. Com eles, é possível conversar com uma ou mais pessoas ao mesmo tempo, fazer videoconferências e, em alguns casos, enviar arquivos, gravar vídeos e conversas.</p>
<p>Gmail (<a href="http://www.gmail.com/">www.gmail.com</a>), Hotmail (<a href="http://www.hotmail.com/">www.hotmail.com</a>) e Yahoo! Mail (<a href="http://www.yahoo.com.br/">www.yahoo.com.br</a>). Para criar uma conta em qualquer um deles, basta acessar as páginas e preencher os cadastros. Os e-mails são gratuitos.</p>
<p><strong>Mapas digitais</strong></p>
<p>Por que se restringir ao velho mapa pendurado na parede se hoje é possível usar programas como o Google Earth e mostrar regiões, países e cidades em detalhes?</p>
<p>Exemplo: Faça com que os alunos pesquisem sobre a vida do arquiteto Oscar Niemeyer nos sites de busca. Em seguida, peça que descubram e assinalem no mapa virtual onde estão suas obras no mundo. Ou, durante as aulas de história, mostre os contornos atuais do Império Romano.</p>
<p><span style="text-decoration:underline;">Programas de mapas na internet</span>:</p>
<p>Google Maps (<a href="http://maps.google.com/">http://maps.google.com</a>) e Google Earth (<a href="http://www.google.com/earth">www.google.com/earth</a>), ambos com acesso gratuito.</p>
<p><strong>Redes sociais</strong></p>
<p>Pesquisas recentes revelam que as redes sociais vêm sendo mais usadas para comunicação entre jovens do que os e-mails.</p>
<p>A cada dia surgem novas opções, e o professor pode tirar proveito disso.</p>
<p>Exemplo: Peça para seus alunos entrarem no Twitter (<a href="http://www.twitter.com/">www.twitter.com</a>). Como o formato de postagem de mensagens não permite mais do que 140 caracteres, desafie a gurizada a demonstrar uma ideia, resumir uma informação, transmitir um conceito, escrever microcontos, de acordo com o objetivo da aula.</p>
<p><em>Fonte: Tecnologias na Escola, de Carlos Seabra – Fronteiras do Pensamento.</em></p>
<div>
<table width="98%" border="1" cellspacing="0" cellpadding="3" align="center">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#e5e5e5"><strong><span style="color:#000000;">Perguntas para o especialista</span></strong></td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#f2f2f2"><em>A pedido de Zero Hora, cinco professores da Capital elaboraram perguntas para o palestrante Carlos Seabra. Confira as dúvidas apresentadas e as respostas do especialista:</em></td>
</tr>
<tr>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#f2f2f2"><strong>De que forma usar as redes sociais como ferramenta para o ensino de língua inglesa?</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>“As redes sociais facilitam muito o ensino de qualquer idioma. São uma ferramenta fantástica, porque a pior coisa é você aprender uma língua só na base da gramática. Os professores podem usá-las estimulando os alunos a falarem com jovens de outros países a partir de tarefas específicas. Mas isso deve ser feito com um fio condutor. Os estudantes precisam ser orientados quanto ao assunto tratado.”</td>
</tr>
<tr>
<td>CALHANDRA PINTER, Inglês</td>
</tr>
<tr>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#f2f2f2"><strong>Como eu poderia usar as redes sociais nas aulas de geografia?</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>“Você pode mesclar o uso das redes sociais com um software de mapas, como o Google Maps, e inventar uma viagem, criando um roteiro e assinalando os locais na tela. Uma ideia é refazer, por exemplo, os caminhos da Coluna Prestes ou passar pelos lugares onde grandes navegadores estiveram. Você vai conhecendo o mundo, até porque nos mapas virtuais há fotos. Você pode pedir que os alunos procurem músicas e comidas típicas dos locais visitados. O principal é soltar a imaginação.”</td>
</tr>
<tr>
<td>KENNY BASTOS, Geografia</td>
</tr>
<tr>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#f2f2f2"><strong>O telefone celular poderia ser incorporado à sala de aula como mais uma ferramenta para a construção de conhecimento?</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>“Tem de ser. O celular é um pequeno computador, manda mensagem, é máquina fotográfica, gravador e agenda. É inconcebível que a escola não use o celular na educação, e que ele seja proibido. Por que não permitir, em uma prova, que os alunos usem o celular como quiserem, mas exigindo que respondam de modo criativo? O celular pode virar uma ferramenta interativa de pesquisa com recursos que estão fora da sala de aula.”</td>
</tr>
<tr>
<td>TANIA IWASZKO MARQUES, Psicologia</td>
</tr>
<tr>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#f2f2f2"><strong>Se a maior parte das escolas não tem aparato tecnológico suficiente, quais são as alternativas para o professor?</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>“Os impedimentos secundários. Vamos lembrar de quando surgiu a TV. Só da classe média alta para cima havia acesso. Os educadores tiveram uma posição omissa, dizendo que poucas pessoas tinham os aparelhos. Ficaram para trás. Com os computadores, é a mesma coisa. Hoje, é difícil encontrar alguém que não tenha acesso a e-mail. É importante que se preparem para usar o computador, mesmo que não o tenham.”</td>
</tr>
<tr>
<td>WAGNER CÉSAR BERNARDES, Matemática</td>
</tr>
<tr>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#f2f2f2"><strong>De que forma o uso das tecnologias pode substituir a figura do professor? Como fica o papel dele, tendo em vista esses novos recursos?</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>“Eu diria que o professor que pode ser substituído por um software ou por uma máquina deve ser substituído. O computador deve ser encarado como uma ferramenta. Quanto mais o educador entender o que se passa no cérebro de seus alunos e usar o computador como uma ferramenta, mais ele será insubstituível. O computador sem o professor não é nada.”</td>
</tr>
<tr>
<td>BRUNO ORTIZ, História</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p><em><strong>Abaixo, original da reportagem, em formato PDF:</strong></em></p>
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	</item>
		<item>
		<title>Um desafio, o protagonismo cognitivo</title>
		<link>http://cseabra.wordpress.com/2010/11/28/um-desafio-o-protagonismo-cognitivo/</link>
		<comments>http://cseabra.wordpress.com/2010/11/28/um-desafio-o-protagonismo-cognitivo/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 28 Nov 2010 02:25:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Seabra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[computador]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[professor]]></category>
		<category><![CDATA[software]]></category>

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		<description><![CDATA[NOVEMBRO 2010 Texto escrito para a publicação Tecnologias na escola, do Fronteiras do Pensamento, em novembro de 2010. Como nenhum outro meio de comunicação anterior, a internet nos coloca interativamente em contato, superando barreiras de idade, sexo, cultura, preconceitos e, principalmente, distância geográfica. Aqui, cada um pode não apenas ler o que quiser quando tiver [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=537&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>NOVEMBRO 2010</strong></p>
<p><em>Texto escrito para a publicação <a href="http://cseabra.wordpress.com/livros/pdf-tecnologias-na-escola/">Tecnologias na escola</a>, do <strong>Fronteiras do Pensamento</strong>, em novembro de 2010.</em></p>
<p>Como nenhum outro meio de comunicação anterior, a internet nos coloca interativamente em contato, superando barreiras de idade, sexo, cultura, preconceitos e, principalmente, distância geográfica. Aqui, cada um pode não apenas ler o que quiser quando tiver vontade, mas pode escrever, participar&#8230; Junto com novas soluções e perspectivas vêm também novas exigências sobre antigas habilidades.</p>
<p>Com as rápidas transformações nos meios e nos modos de produção, a natureza do trabalho e a relação econômica entre as pessoas e as nações sofrerão enormes transformações e, neste quadro, a educação não apenas tem que se adaptar às novas necessidades como, principalmente, tem que assumir um papel de ponta nesse processo.</p>
<p>Para que estas tecnologias sejam significativas, não basta que os alunos simplesmente acessem as informações: eles precisam ter a habilidade e o desejo de utilizá-las, saber relacioná-las, sintetizá-las, analisá-las e avaliá-las – quando os alunos se esforçam para ir além de respostas simples, quando desafiam ideias e conclusões, quando procuram unir eventos não relacionados dentro de um entendimento coerente do mundo. Sua aplicação mais importante está fora da sala de aula – e é para ai que o ensino deve voltar seu esforço. A habilidade de pensar criticamente pouco valor tem se não for exercitada no dia a dia das situações da vida real.</p>
<p>Claro que isto não ocorre espontaneamente, e ai entra o papel do professor, encorajando os alunos a fazer conexões com eventos externos ao mundo da sala de aula, descobrindo a ligação entre situações vividas e os conteúdos curriculares. Existem muitas táticas que o professor pode utilizar e que podem ser enormemente motivadoras, estimulando processos de transferência – e essa experiência o professor já tem, basta não se considerar um “ignorante em informática” e buscar aplicar na nova midia sua base de conhecimentos, estando aberto à pesquisa e ao autoaprendizado continuos.</p>
<p>Esse uso do computador exige um professor preparado, dinâmico e investigativo, pois as perguntas e situações que surgem na classe fogem do controle preestabelecido do curriculo. Esta é a parte mais dificil desta tecnologia. E esse é o papel insubstituivel do professor: elaborar estratégias que deem significado a essa enorme e fantástica porta que se abre para o universo do conhecimento da humanidade. Sem isso, a internet, equipamentos e software podem apenas ser modismos adestradores de um mercado consumidor, perdendo-se a oportunidade de promover uma efetiva mudança na área do ensino.</p>
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		<title>Microcontos, literatura mínima</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 16:14:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Seabra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[celular]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[microcontos]]></category>
		<category><![CDATA[twitter]]></category>

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		<description><![CDATA[FEVEREIRO 2010 Artigo escrito para o site MobileFest e para a revista Língua Portuguesa, edição de abril de 2010. O precursor e talvez o mais famoso microconto já produzido, do escritor guatelmateco Augusto Monterroso, &#8220;Cuando despertó, el dinosaurio todavía estaba allí&#8221; (Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá), consolidou uma nova vertente de microliteratura, com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=471&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>FEVEREIRO 2010</strong></p>
<p><em>Artigo escrito para o site <a href="http://www.mobilefest.org/comentario.aspx?id=237" title="Blog do MobileFest" target="_blank">MobileFest</a> e para a revista <a href="http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=12011" title="Revista Língua Portuguesa" target="_blank">Língua Portuguesa</a>, edição de abril de 2010.</em></p>
<p>O precursor e talvez o mais famoso microconto já produzido, do escritor guatelmateco Augusto Monterroso, &#8220;Cuando despertó, el dinosaurio todavía estaba allí&#8221; (Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá), consolidou uma nova vertente de microliteratura, com o desafio de contar alguma coisa em pouquíssimas palavras de contados toques.</p>
<p>Alguns autores conceituam e estipulam limites precisos, nascendo assim algumas classificações: nanocontos (até 50 letras, sem contar espaços e acentos), microcontos (até 150 toques, ou seja, contando letras, espaços e pontuação) e minicontos (alguns estipulando 300 palavras, outros limite de 600 caracteres). Nada disso é muito rigoroso e depende de critérios editoriais de quem os adotou.</p>
<p>O limite de 150 toques cabe no formato de envio de texto pelo celular, o chamado &#8220;torpedo&#8221; (ou SMS, short message service).  Hoje está-se a usar bastante o limite de 140 toques, limite do Twitter – cada vez mais um grande difusor da microliteratura e que provavelmente acabará impondo este limite como &#8220;default&#8221;.</p>
<p>Antes de tudo uma divertida brincadeira, os microcontos (nas vertentes de crônicas, contos, aforismos e outras variações) estarão próximos ao minimalismo pós-moderno? Uma coisa é fato, a micronarrativa contém vários ingredientes do nosso tempo, a velocidade e a condensação, a possibilidade de publicação em celulares, painéis eletrônicos, rodapé de e-mails (ou até mesmo em algo mais démodé: tampas de caixas de fósforos). Ao mesmo tempo, há algo neles que remete aos haicais, a tradicional poesia de origem japonesa, com apenas três linhas e um total de 21 sílabas – de certa forma com o mesmo poder de concisão destes porém com a liberdade da prosa.</p>
<p>Alguns escritores de reconhecido talento já brincaram nestas searas, como Jorge Luis Borges, Julio Cortázar, Millôr Fernandes, Dalton Trevisan e tantos outros, ainda que a maioria sem pensar no conceito de &#8220;microcontos&#8221;. Literatura de alta velocidade? Sônia Bertocchi nos lembra que Drummond já antecipava que &#8220;escrever é cortar palavras&#8221;, Hemingway sugeriu &#8220;corte todo o resto e fique no essencial&#8221; e João Cabral proclamou &#8220;enxugar até a morte&#8221;. A mesma Sônia, em seu blog &#8220;Lousa digital&#8221; (outra forma atual de publicar que tantos efeitos ainda vai provocar na produção literária), diz que &#8220;Seguindo à risca a lição dos mestres, chegamos aos microcontos: &#8216;miniaturas literárias&#8217; que cabem em panfletos, filipetas, camisetas, adesivos, postes, muros, tatuagens, cartão postal, hologramas, desenhos animados, arquitetura, instalação, música&#8230; e que podem ser lidas no ônibus, no metrô e&#8230; nas telas do computador (cá entre nós, um prato cheio para propostas atrativas de ensino de literatura e integração de novas tecnologias)&#8221;.</p>
<p>Entre outros inúmeros conselhos acerca de como dizer muito e escrever pouco, podemos destacar também Blaise Pascal &#8220;Se escrevi esta carta tão longa, foi por não ter tido tempo para fazê-la mais curta&#8221;, Isabel Allende &#8220;Usar o substantivo certo para evitar dois ou três adjetivos&#8221;, São Gregório de Nazianzo &#8220;Ser breve não é, como julgas, escrever poucas sílabas, mas dizer muito com poucas&#8221; e Thomas Jefferson &#8220;O mais valioso de todos os talentos é aquele de nunca usar duas palavras quando uma basta&#8221;.</p>
<p>De certa forma, o microconto tem uma outra dimensão: ele é como uma ligação muito forte através de um furinho de agulha no universo, algo que permite projetar uma imagem de uma realidade situada em outra dimensão. Como se através desse furo, dois cones se tocassem nas pontas, um cone menor, que é o que está escrito no microconto, outro cone maior, que é a imaginação a partir da leitura de cada um – pois mais do que contar uma história, um microconto sugere diversas, abrindo possibilidades para cada um completar as imagens, o roteiro, as alternativas de desdobramento. </p>
<p>Seja seu destino a publicação em celulares, camisetas, postais, folhetos na praia, cartazes nos postes, azulejos, hologramas, blogs, e-mails, no twitter, o mero esquecimento ou o lixo simplesmente, uma coisa posso afirmar: microconto é um belo exercício de criatividade, síntese e algo muito divertido de escrever!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cseabra.wordpress.com/471/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cseabra.wordpress.com/471/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cseabra.wordpress.com/471/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cseabra.wordpress.com/471/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cseabra.wordpress.com/471/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cseabra.wordpress.com/471/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cseabra.wordpress.com/471/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cseabra.wordpress.com/471/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cseabra.wordpress.com/471/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cseabra.wordpress.com/471/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cseabra.wordpress.com/471/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cseabra.wordpress.com/471/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cseabra.wordpress.com/471/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cseabra.wordpress.com/471/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=471&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Preconceito é principal adversário dos games na Educação</title>
		<link>http://cseabra.wordpress.com/2009/10/20/preconceito-e-principal-adversario-dos-games-na-educacao/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 23:02:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Seabra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[games jogos educação]]></category>

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		<description><![CDATA[OUTUBRO 2009 Entrevista dada a Letícia Cardoso, do Universo EAD, do Senac SP, em 15 de outubro de 2009. Para especialistas, projetos de jogos elaborados com forte base científica podem ajudar a superar barreiras e a conquistar, de vez, as salas de aula no Brasil: um potencial ainda inexplorado. Um em cada quatro jogos produzidos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=426&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>OUTUBRO 2009</strong></p>
<p><em>Entrevista dada a Letícia Cardoso, do <a href="http://www.ead.sp.senac.br/newsletter/outubro09/ead.asp?nome=mercado" target="_blank">Universo EAD</a>, do <strong>Senac SP</strong>, em 15 de outubro de 2009.</em></p>
<p>Para especialistas, projetos de jogos elaborados com forte base científica podem ajudar a superar barreiras e a conquistar, de vez, as salas de aula no Brasil: um potencial ainda inexplorado.</p>
<p><em>Um em cada quatro jogos produzidos no Brasil tem propósito educativo. Pode parecer muito, mas, na opinião de especialistas, esta proporção poderia ser maior e contribuir mais para a melhoria da Educação. E os números do setor – tabulados pela Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames) – ajudam a revelar que, no país, os jogos educacionais, eletrônicos ou não, têm um enorme potencial a ser explorado.</p>
<p>“Um game feito para ser utilizado em sala de aula tem um público muito diversificado e precisa agradar a meninos e meninas, além de pessoas que gostam de ação, ou não. O som tem de ser pensado para dar mais vida ao jogo, mas de uma maneira que, se o fone de ouvido quebrar – o que é comum em escolas – o jogo não fique &#8216;manco&#8217; sem ele”, ensina Roger Tavares, professor-doutor do Centro Universitário Senac.<br />
</em></p>
<p>Os benefícios dos jogos na Educação não são novidade no meio acadêmico. Mas, para usá-los é preciso sabedoria. “O potencial educacional de um jogo é revelado por sua proposta de uso. Por exemplo, um game de aviação com pousos e decolagens, navegação por mapas e até mesmo combates, ambientado na Segunda Guerra Mundial, poderá ser usado por diversas disciplinas, como História, Geografia e Matemática”, explica Carlos Seabra, coordenador editorial do Núcleo de Educação da TV Cultura.</p>
<p><strong>Experiência real</strong></p>
<p>Nesses projetos, o perigo de “errar a mão” no desenvolvimento e o risco do produto final ser enfadonho, despertando menos interesse e interação dos alunos, é enorme. Seabra diz que o segredo do sucesso está na vivência de situações que permitam ao jogador experienciar uma realidade, que não deixa de ser real, embora virtual.</p>
<p>Isso pode abranger desde conteúdos cognitivos muito específicos, como uma simulação de viagem dentro de um corpo humano, no espaço ou em uma máquina do tempo, até situações que impliquem na construção de competências e habilidades – como planejamento de ações, trabalho colaborativo, dedução lógica e reconhecimento de padrões.</p>
<p>E, no processo de criação desse tipo de jogo – seja para educação escolar, capacitação profissional ou outro objetivo – é fundamental levar em conta quais os conteúdos cognitivos, as competências, as habilidades, os fatos, os processos e os princípios serão necessários ao jogador.</p>
<p>Seabra aponta também que é preciso garantir a jogabilidade, o interesse, a interação entre os jogadores, a fim de assegurar que a experiência vivida no jogo possa ser transportada para outras situações, permitindo abordagens conceituais, teorização dos fatos e processos vivenciados.</p>
<p><strong>Aval científico</strong></p>
<p>Se há potencial e os especialistas conhecem os caminhos a serem trilhados, o que falta para que os games sejam adotados em massa para todos os fins educacionais?</p>
<p>Para Carlos Seabra, o uso efetivo de games na educação está vinculado à necessidade de criar condições e conquistar espaço e tempo. Na prática, diz o especialista, o atual esquema educacional impede que professores usem games – a não ser em pequenas experiências específicas – na escola.</p>
<p>“Um professor que usar contínua, consequente e estruturalmente os games na educação terá sérias resistências da administração da escola, dos pais de alunos, de seus pares e até dos próprios educandos”, explica Seabra. “As possibilidades são inúmeras, o objetivo é desejável, os resultados podem ser relevantes, mas o processo de aplicação não é nada fácil e exige a mudança de inúmeros paradigmas; não devendo ficar apenas nas mãos dos professores.”</p>
<p>Uma estratégia que poderia ser adotada, segundo o especialista, é realizar experiências específicas, com acompanhamento dos processos cognitivos envolvidos, interação entre os alunos e com o professor e dos impactos na aprendizagem. Esse levantamento deve ser feito com métricas, envolvendo avaliação de psicólogos e outros profissionais.</p>
<p>Somente a abordagem científica permitirá que o uso de games na educação deixe o gueto e ganhe possibilidades de uso continuado e estrutural na educação. “Enquanto a situação ficar limitada à meia dúzia de entusiastas sem bases mais sólidas em temos de conceitos pedagógicos e resultados de difícil comprovação, será difícil reverter esse quadro”, lamenta.</p>
<p>O professor-doutor Roger Tavares, que é game designer e editor da Comunidade Gamecultura (www.gamecultura.com.br) – atualmente faz pesquisa de pós-doutoramento sobre inteligência e videogames –, complementa a opinião de Seabra, dizendo que não basta desenvolver um conteúdo mais comercial e divertido para que usuários achem divertidos e passem a gostar de aprender. “O próprio nome, &#8216;jogo&#8217;, já traz muto preconceito. E é difícil quebrar esta barreira, mas não impossível. Nos últimos anos, têm aparecido coisas muito interessantes nesta área”, ressalta.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cseabra.wordpress.com/426/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cseabra.wordpress.com/426/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cseabra.wordpress.com/426/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cseabra.wordpress.com/426/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cseabra.wordpress.com/426/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cseabra.wordpress.com/426/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cseabra.wordpress.com/426/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cseabra.wordpress.com/426/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cseabra.wordpress.com/426/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cseabra.wordpress.com/426/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cseabra.wordpress.com/426/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cseabra.wordpress.com/426/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cseabra.wordpress.com/426/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cseabra.wordpress.com/426/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=426&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Proibir ou não proibir, eis a questão</title>
		<link>http://cseabra.wordpress.com/2009/01/21/proibir-ou-nao-proibir-eis-a-questao/</link>
		<comments>http://cseabra.wordpress.com/2009/01/21/proibir-ou-nao-proibir-eis-a-questao/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 21 Jan 2009 21:06:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Seabra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>

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		<description><![CDATA[JANEIRO 2009 Entrevista dada à jornalista Maria Eduarda Mattar, do Guia das Cidades Digitais, em 21 de janeiro de 2009. Criados para levar acesso à internet a um contingente de cidadãos excluídos do uso das tecnologias digitais, os telecentros eram peças raras no quebra-cabeça de inclusão digital até alguns anos atrás. Originalmente sua função era [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=123&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>JANEIRO 2009</strong></p>
<p><em>Entrevista dada à jornalista Maria Eduarda Mattar, do <a href="www.guiadascidadesdigitais.com.br" target="_blank">Guia das Cidades Digitais</a>, em 21 de janeiro de 2009.</em></p>
<p>Criados para levar acesso à internet a um contingente de cidadãos excluídos do uso das tecnologias digitais, os telecentros eram peças raras no quebra-cabeça de inclusão digital até alguns anos atrás. Originalmente sua função era a utilização do cidadão com vistas à transformação social. Pela natureza do serviço, eram concorridos e somente as necessidades mais básicas &#8211; email, pesquisas escolares, busca de empregos, comunicação com familiares distantes &#8211; costumavam ser feitas ali. Quando servidos de banda larga, eram ainda mais atrativos.</p>
<p>O tempo passou e a realidade mudou: hoje eles são mais encontrados até em pequenas cidades, a disponibilidade de conexão aumentou e, na esteira, vêm mudando os perfis de seu uso e de seus públicos. Muito contribuiu para isso a expansão, mesmo que contida, da banda larga. Apesar de ainda raros nas pequenas cidades, links mais potentes são uma realidade cada vez mais fácil e disponível em muitas capitais e cidades medianas. Consequentemente, nos telecentros, os usos mudaram, tendo em paralelo a popularização de sites de redes socias, os serviços de mensagens instantâneas e sites onde o próprio usuário coloca conteúdo na rede mundial de computadores. </p>
<p>Neste contexto, assistir a vídeos no Youtube, fazer upload de fotos para ábuns na web e bater papo via MSN são atividades das mais corriqueiras nos telecentros. Como eco dessas novas formas de interagir com a web, surgem esporadicamente críticas a esse tipo de uso, que consome muita banda de internet nos telecentros. Há até quem sugira que sejam criadas proibições de certos tipos de utilização. Afinal, as duas coisas se chocam e são contraditórias? Ou é natural que um tipo de uso mais voltado ao entretenimento tome lugar nos telecentros?</p>
<p>Carlos Afonso, diretor-executivo da ONG de inclusão digital RITS, acredita que os telecentros são &#8220;um espaço de internet, para a comunidade interagir com internet, da mesma maneira que teria a oportunidade de interagir em sua casa, livremente&#8221;. Ou seja, um lugar onde as pessoas poderiam se apropriar das novas tecnologias, do modo e com o objetivo que lhes for melhor.</p>
<p>Ele lembra que os usuários dos telecentros são jovens em 80% ou 90% dos casos. &#8220;O que se vai querer fazer: transformar o telecentro no local da professorinha severa que ele já tem na escola? Aquele é um espaço de criatividade, de liberdade, em que ele vai navegar na internet. Claro que tem que ter orientação, e para isso os telecentros costumam ter cursos. Mas proibição nenhuma&#8221;, defende o diretor da Rits, organização que monta e gerencia telecentros, tendo participado da implementação das mais de 100 unidades do governo municipal de São Paulo.</p>
<p>Carlos Seabra, coordenador do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos (IPSO), concorda: &#8220;Restringir sites visitados e outros tipos de uso é um uso idiota das possibilidades das tecnologias de informação e conhecimento&#8221;, classifica. Para ele, tudo o que não seja atividade ilícita ou criminosa deve ser permitido. &#8220;A visão de que inclusão digital não passa pelo uso de comunicadores (como o MSN) ou redes sociais (como o Orkut) é equivocada. A visão &#8216;original&#8217; de telecentros onde existem aulinhas de informática e as pessoas usam somente para serviços de e-gov e para busca de emprego, ou mesmo para atividades de estudo, é que é equivocada – o que não quer dizer que telecentros devam ter o mesmo comportamento que lan houses &#8220;, explica Seabra.</p>
<p>O IPSO, organização chefiada por ele, é responsável, em parceria com o Ministério do Planejamento, pelo mapeamento dos telecentros no país, através do Observatório Nacional de Inclusão Digital (ONID) [veja matéria do Guia sobre o assunto]. A iniciativa registra a existência de mais de 5 mil telecentros no país. Porém, os números podem ser maiores, uma vez que o cadastramento de unidades no portal é espontânea.</p>
<p>Já estão nessa base de dados muitos dos Centros Digitais de Cidadania (CDCs), os telecentros do governo estadual da Bahia, montados e geridos pelo programa Cidadania Digital, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI). Em outubro de 2008, o projeto baiano já registrava mais de 500 unidades no Estado. Neles, a proibição também não é regra. &#8220;Tem que deixar a tecnologia entrar no dia-a-dia das pessoas. Os cdcs são de uso público. Tem que conviver com os Orkuts e msns. Às vezes as pessoas precisam se comunicar com a família, tirar dúvidas, fazer contato. E essas são formas atualizadas de se comunicar&#8221;, diz a diretora do Cidadania Digital, Rúbia Carvalho.</p>
<p>Carlos Afonso sublinha que a existência ou não de proibição pode também ter a ver com o próprio objetivo inicial do telecentro ou do programa dentro do qual ele foi criado: &#8220;Não tem uma lei ou norma ou regulamento para criar telecentro. Cada um cria o seu, como achar melhor. Se existir uma política nacional que destine recursos públicos para criar telecentros com determinado objetivo, vão ter este tal objetivo. O governo de São Paulo, por exemplo, cria os infocentros, que são só para serviços de e-governo. É uma política rígida&#8221;, exemplifica.</p>
<p>Mesmo assim, Afonso &#8211; vencedor do prêmio de Personalidade do Ano da revista &#8220;A Rede&#8221; em 2008 e conselheiro da ONU sobre assuntos de governança da internet &#8211; reconhece que prefere a opção em que a liberdade de navegação é maior. &#8220;Os telecentros que nós [da RITS] criamos ou ajudamos a criar, como foi com os da prefeitura de São Paulo, têm outro objetivo, muito mais amplo, de agregar a comunidade em torno daquela possibilidade de usar a internet para potencializar a presença da comunidade, as relações da comunidade com as informações, criar iniciativas novas na comunidade usando essa ferramenta. Então, é um espaço com muito mais liberdade do que outros burocraticamente criados. Os dois porém são igualmente legítimos&#8221;", avalia.</p>
<p>Para Seabra, existe uma coisa que justificaria a proibição, temporária, de downloads: conexão muito lenta. &#8220;Claro que pode haver bons motivos pra bloquear o acesso a downloads ou streaming de música ou vídeo onde a banda já for suficientemente estreita, em nome da navegabilidade de todos. Assim como eventual bloqueio a sites de pornografia explícita, cadastrados um a um quando ocorrer abuso, também pode ser legítimo num espaço onde a imagem de um computador possa ser visualizada por outros usuários&#8221;, reconhece, ressaltando em seguida: &#8220;Mas toda e qualquer restrição deve ser muito bem pensada e de preferência discutida com os usuários, além de explicitada&#8221;.</p>
<p>Carlos Afonso tem uma opinião um pouco diferente. &#8220;Nos telecentros livres, genéricos, proibir site e proibir navegação não pode ocorrer. Nem proibir banda, pois os telecentros já têm uma banda tão miserável que não faria sentido&#8221;, diz, questionando e alertando: &#8220;A gente luta contra as leis restritivas da internet e vamos restringir justamente os jovens que vão usar a internet nos telecentros? É preciso ter cuidado com isso&#8221;.</p>
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		<title>De olho na inclusão</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Dec 2008 14:04:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Seabra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[banda larga]]></category>
		<category><![CDATA[inclusão digital]]></category>
		<category><![CDATA[telecentros]]></category>

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		<description><![CDATA[DEZEMBRO 2008 Entrevista dada a Igor Ribeiro, da Revista Imprensa, em 8 de dezembro de 2008. Sobre o Projeto de Lei 84/1999 &#8220;A PL exige que os servidores guardem por três anos seu conteúdo. É como se exigisse que as operadoras de celular grampeassem por três anos as conversas de todos, como se a discussão [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=453&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>DEZEMBRO 2008</strong></p>
<p><em>Entrevista dada a Igor Ribeiro, da <a href="http://portalimprensa.uol.com.br/revista/chamadas/2008/12/08/imprensa24664.shtml" target="_blank">Revista Imprensa</a>, em 8 de dezembro de 2008.</em></p>
<p><strong>Sobre o Projeto de Lei 84/1999 </strong></p>
<p>&#8220;A PL exige que os servidores guardem por três anos seu conteúdo. É como se exigisse que as operadoras de celular grampeassem por três anos as conversas de todos, como se a discussão que tem sido polêmica sobre grampear alguns, passasse para um debate sobre grampear todo mundo por default e guardasse essas conversas por três anos. Mas isso iria aumentar absurdamente os gastos &#8211; e a internet no Brasil já é uma das mais caras do mundo, então tem um fator de natureza econômica e de viabilidade. Obriga, por exemplo, a você que tem uma rede wireless aberta a mantê-la fechada, porque você passa a ser responsável pelo sujeito que esta trafegando ali através do seu sinal. Isso vai contra a filosofia das cidades digitais, por exemplo, de doar sinal aberto. O mesmo pensamento nos levaria a dizer &#8216;as ruas são um elemento de crime, porque os ladrões usam a rua. Então deveríamos colocar guardas em cada esquina e para pessoa que andar um quarteirão, deveria ter seu RG verificado&#8217;. Muitos assaltos usam veículos motorizados, então também, teria que fazer um imenso controle sobre os automóveis que trafegam por aí. Ou seja é uma síndrome do vigilantismo, termo usado pela Carta de Belém [documento oficial da 7ª Oficina para Inclusão Digital]. Então, porque não se faz um controle autoritariamente rigoroso sobre o uso do celular, o uso do automóvel ou o uso das ruas, como se está propondo para a navegação pelas bandas digitais? E a internet já é completamente rastreável, por meio do IP dá para saber pelas máquinas por que passou. A banda aqui já é lerda e cara, isso só iria piorar. Fora a violação de direitos. Eu, por exemplo, sou escritor, e ao comentar sobre uma obra minha, inédita, com outras pessoas pela internet, é capaz que tenha cópia dela não-autorizada em outros lugares. Não estão falando de evitar a pirataria, evitar a cópia ilegal de filmes e músicas? Então isso levaria a uma violação, ao se manter nos servidores conteúdos de natureza sigilosa, seja uma obra artística ou arquivos de empresas, etc., que não tem nada que ser monitorados. É a mesma coisa que todos os telefones serem gravados. </p>
<p> O PL foi aprovada no Senado e, agora, está na Câmara&#8230; Mas houve pouca mobilização, muita gente não conhece, você por exemplo não leu. Ela é muito ruim, deveria ser tirada da pauta, mas no mínimo esperamos que se adie a votação para poder discuti-la melhor.&#8221; </p>
<p><strong>Altos preços da banda larga</strong></p>
<p>&#8220;A queda do preço depende muito da influência do governo. O governo é um grande comprador de serviços e ele tem que usar essa força enquanto um indutor, um formulador de políticas públicas, enquanto um normatizador, estimulando a concorrência. Na maior parte dos lugares não há concorrência. A gente fez uma pesquisa com lan house no interior e a maioria não tem a menor condição. Quando teve o apagão da Speedy, quartéis, hospitais, delegacias e o próprio governo ficou na mão. Porque você não tem alternativas de conectividades, não tem disputa de mercado. </p>
<p>O governo tem que colocar parâmetros na suas próprias compras. O governo do Estado de São Paulo é o maior comprador da Telefônica e talvez não exija o suficiente. Temos falado, por exemplo, em convergência de mídias, e a TV digital vai ter banda sobrando, porque não vai ser usada em conectividade? Você tem empresas que são donas de determinado serviço de cabeamento e não deixam passar o cabo de outra empresa por ali [pelo mesmo condutor]. Então tem que colocar melhores parâmetros, para aumentar a concorrência. </p>
<p>A internet é como estradas, por exemplo. E ao fazer estradas, como o governo atua? Ele estrutura a estrada primeiro e, depois, dá concessões de pedágio e manutenção à iniciativa privada. As infovias tinham que ser a mesma coisa. O Gesac é uma espécie de gambiarra para fornecer provisoriamente sinal em lugares que tem conectividade ruim, mas o governo tem que investir nas infovias, em fibra óptica. </p>
<p>Qualquer estrada deveria ser uma estrada digital também. Porque ao longo dela você poderia passar um cabeamento óptico. É uma solução muito mais barata do que usar rádio, por exemplo. Wireless é complementar, é muito legal como solução para a última milha. Mas você tem que ter auto-estradas. Grandes espinhas dorsais, depois as costelas e daí vem a ossatura menor. Fibra óptica ainda não decolou porque a priori exige um investimento maior. Mas o reflexo disso vem depois, na forma da economia de todo um país, que vai além do cidadão comum. As próprias empresas e organismos governamentais vão ter, em poucos anos, a recuperação econômica de um investimento em banda larga, larga mesmo.&#8221; </p>
<p><strong>Variedade de projetos de inclusão</strong> </p>
<p>&#8220;Essa diversidade de projetos é uma grande riqueza. Seria não só impossível padronizar isso como também indesejável. Mas é necessário um mínimo de articulação, porque do jeito que esta agora é um caos total. Cada um está fazendo uma coisa sem integração, sem troca de informação. Agora que o governo apóia uma ação pública do governo federal interministerial para inclusão digital, com parte dessa integração com atividades estaduais, municipais e de parceria com sociedade civil, agora talvez melhore. </p>
<p>É fundamental uma política de bolsas para monitores. Muitos trabalham voluntariamente e outros recebem quantias muito pequenas dos projetos nos quais participam. Essa política de bolsas será implementada e deverá ter uma verba substancial do total planejado. Isso é fundamental. E é preciso ter uma rede de capacitação. Como se fosse bibliotecas, que precisam de monitores bem capacitados e que se comuniquem entre si. Muitas vezes o monitor de um projeto do Gesac não se comunica com um do Banco do Brasil, com um do governo estadual, não há uma articulação em rede. Ao se criar isso, vai se permitir uma troca espontânea de informações nessa rede, que funcione de uma maneira muito mais inclusiva e não piramidal, como vem sendo feito, que é ruim, impositivo e pouco democrático. </p>
<p>Pontos de cultura não dão acesso à população, mas trabalham outro aspecto importante dessa inclusão que é a digitalização da cultura. Não adianta você botar na internet um monte de gente para acessar conteúdo pela primeira vez na vida e ver um monte de página em inglês. Então os pontos de cultura são outra faceta que diz respeito à inclusão da nossa cultura no mundo digital. </p>
<p>Escola é outro ponto de inclusão digital e, cada vez mais, faz menos sentido pensar em escolas desconectadas. Tinha muito professor na Oficina [de Belém] e isso é ótimo. O governo prevê, aliás, oficinas menores, regionais e temáticas ao longo do ano, para quando ocorrer, no fim do ano, já tenha um acúmulo e um debate articulado antes. Então escolas também têm a ver com inclusão digital do aluno, do professor e das famílias, que também vão freqüentar as escolas. </p>
<p>O governo federal também teve grande participação ao diminuir os insumos de computadores para a população da classe C poder comprar, em muitas prestações, seu primeiro computador. </p>
<p>Celular acho que é fundamental, um computador que esta no bolso de todos brasileiros. O equipamento que mais se disseminou. Se você for ver quando o brasileiro atingiu os primeiros 50 milhões de rádios foi um tempo, os primeiros 50 milhões de TVs foi outro tempo, mas os 50 milhões de celulares foi uma fração desse tempo. Hoje são 140 milhões de celulares. Uma senhora me contou que na cidade dela não tem nenhuma operadora de celular, mas todos os jovens andam com celular no bolso. Eles usam como câmera, máquina de filmar, agenda pessoal de compromissos&#8230; Na hora que chegar a operadora lá, já vai ter milhares de pessoas com celular. </p>
<p>Tráfego de informação passa por diversos meios. Assim como quando a gente precisa viajar: pega um ônibus até o aeroporto, embarca num avião até o destino e, chegando lá, toma um táxi até um metrô, etc. Essa complementaridade que tem no destino do tráfego de átomos do nosso corpo, também tende a existir no deslocamento da informação. Não existe um único jeito. A informação vai passar por vários meios e a inclusão digital tem que passar por isso. </p>
<p>Vários telecentros proíbem, por exemplo, o uso de jogos, de MSN, o que é um absurdo. Porque um jogo te dá uma familiaridade. E se a gente está falando em democracia, porque um jovem de classe média que tem um computador excepcional e um jogão pode, e um pobre que tem que ir ao telecentro não pode jogar? Tem que ir numa lan house? Claro, o telecentro não é uma lan house, tem que ter limites, mas tem que ter abertura, porque há jogos que trazem conhecimento e a estratégia lúdica tem que ser usada. Principalmente para educação. Os telecentros tendem a focar muito em curso. Eles são espaços de aprendizagem, mas não são escolas. Não são adequados e não podem ter esse papel. </p>
<p>Temos agora, por exemplo, o dia da consciência negra. Por que não mandar os alunos irem para suas casas ou bairro, localizar um parente distante ou alguém da vizinhança que tenha tido um avô escravo, ou que tenha sido dono de escravos, e entrevistar e gravar o áudio com seu celular, e levar para a escola e em grupos de quatro ou cinco alunos cada um fazer um blog coletivo, em vez de um trabalho [tradicional]? Os professores reclamam tanto que a internet facilita o &#8220;copiar&#8221; e &#8220;colar&#8221;. Isso porque eles dão trabalhos burros! Você pode dar um trabalho inteligente: faça um blog contando histórias da sua comunidade em vídeo, em áudio, com foto, colocando onde essas pessoas foram localizadas no Google Maps, você vai ter um aprendizado de inclusão digital muito grande. Vão aprender a publicar, a fazer links, a editar algo multimídia, a colocar uma legenda, enfim&#8230; E isso leva o grupo de alunos a discutir. Encontram, por exemplo, 40 links [relacionados ao assunto]: vai por todos? Não, vamos escolher 15 e colocar. Vão colocar duas horas de vídeo? Ninguém vai ter saco de assistir. Então eles vão precisar reduzir, vão ter que tomar decisões. Isso é válido para a escola e para um telecentro. Isso vale para oficinas sobre livros, por exemplo, fazer edições caseiras de contos ou romance, o que é uma forma muito mais produtiva de ensinar a mexer num editor de texto. Fazer um boletim de parede se for caro reproduzir [em papel]. Fazer uma agência de noticias, com as informações da sua comunidade, as pessoas não reclamam que os jornalistas só publicam o que o dono do jornal quer? Então porque não criar um jornalismo comunitário? Em vez de um curso de planilha eletrônica para uma dona de casa, aulas sobre como planejar os gastos domésticos com planilhas do computador para as compras de supermercado.&#8221; </p>
<p><strong>Observatório Nacional de Inclusão Digital</strong> </p>
<p>&#8220;Existem cerca de 800 cadastrados no Brasil. A meta é terminar o ano com cerca de 2 mil conveniados. </p>
<p>A iniciativa privada tem ações muito pequenas nesse sentido. São pontuais. A maioria das empresas, quando fazem, é para ter um case de sucesso, dizer &#8216;olha como somos bonzinhos, olha, isso aqui a gente apóia&#8230;&#8217; São defeitos de comportamento, usando nessa atividade uma lógica da atividade empresarial, mantendo certo sigilo, não fazem uma experiência aberta, não é open source, não compartilha os motivos que levaram ao sucesso e escamoteia o que deu errado. Por um lado não tem escala, e o pouco que poderia trazer em experiências, relatos e trocas, acaba não rolando. O pessoal tem um pensamento muito de marketing e não de investimento público. </p>
<p>Então, mesmo quando tem, essa articulação é pequena, não há uma rede. Os projetos de inclusão do governo estadual não se comunicam com os do federal porque são de partidos diferentes. A mesma coisa com empresas, que não se comunicam por causa da grife, da marca da concorrente. </p>
<p>O que essas empresas discutem ou propõem, por exemplo, para incentivar ou apoiar as lan houses, por exemplo? Não tem linhas de atuação interessantes, não tem política nesse sentido. Acho que o poder publico não tem que investir em lan houses, assim como não tem que investir em livrarias. O estado tem investir em bibliotecas e telecentros. Mas como dá isenção de impostos para livros, tem que ter algo semelhante para computadores. Sei que o Sebrae, agora, está discutindo o lançamento do Sebrae digital e uma das ações será uma política de fomento a lan houses, que é uma atividade de micro e pequenos empresários, muitos na informalidade. Então há sim setores em que o governo atua, mas o resto depende da iniciativa privada, e como as empresas podem ajudar nisso? Talvez até produzindo equipamentos diferenciados para a lanhouse.&#8221;</p>
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		<item>
		<title>Os direitos autorais e os escritores</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Oct 2008 20:40:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Seabra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[copyright]]></category>
		<category><![CDATA[creative commons]]></category>
		<category><![CDATA[direitos autorais]]></category>
		<category><![CDATA[escritores]]></category>

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		<description><![CDATA[OUTUBRO 2008 Artigo escrito para o Seminário “Autores, Artistas e seus Direitos” (ocorrido no Rio de Janeiro, dias 27 e 28 de outubro de 2008), promovido pelo Ministério da Cultura. O “direito do autor” nasceu há cerca de 300 anos, em vários lugares do mundo assumindo características diferentes e mudando ao longo desse período inúmeras [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=115&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>OUTUBRO 2008</strong></p>
<p><em>Artigo escrito para o <a href="http://www.cultura.gov.br/site/2008/12/10/seminario-autores-artistas-e-seus-direitos-acontece-no-rio-dias-27-e-28-de-outubro/" title="Direito Autoral no MinC" target="_blank">Seminário “Autores, Artistas e seus Direitos”</a> (ocorrido no Rio de Janeiro, dias 27 e 28 de outubro de 2008), promovido pelo Ministério da Cultura.</em></p>
<p>O “direito do autor” nasceu há cerca de 300 anos, em vários lugares do mundo assumindo características diferentes e mudando ao longo desse período inúmeras vezes e em diversos aspectos.</p>
<p>A discussão que o Fórum Nacional de Direito Autoral possibilita é de enorme importância para todos os envolvidos, dos autores a seus leitores, passando pelos intermediários, também importantes partícipes nesta questão.</p>
<p>Os direitos autorais não podem ser reduzidos a um único aspecto, ao contrário, devem ser encarados sob diferentes perspectivas: da sociedade, da cultura do País, dos leitores, dos autores, da área editorial, da educação – levando em conta que cada uma dessas perspectivas, já per si, carrega muitas vezes contradições com outros aspectos do problema. Portanto, a primeira coisa a fazer é mapear claramente as variáveis envolvidas, os entraves percebidos na atual legislação, as novas propostas, as contradições entre os diversos interesses.</p>
<p>Somente com um levantamento e equacionamento claro das questões relacionadas será possível engajar os setores envolvidos, bem como a sociedade em geral, num debate frutífero, permitindo juntar as concordâncias de um lado, listar as dúvidas de outro, e ter clareza das divergências e seus motivos.</p>
<p>Vejamos alguns desses aspectos a considerar. À sociedade como um todo interessa o acesso às obras literárias, e para que esse acesso ocorra as obras esgotadas devem ser reimpressas, novas obras devem ser editadas, a distribuição deve chegar a todos os locais, livrarias, bibliotecas, com preços acessíveis e tiragens significativas. A atual estrutura produtiva, envolvendo edição, distribuição e venda, necessita de boa parte do arcabouço assegurado pelo copyright, e os autores necessitam ser lidos e serem remunerados, ou pelo menos uma das duas coisas.</p>
<p>Existem diferentes tipos de autores, e várias necessidades de direitos. O autor que vende muito e vive disso, inclusive os da área de didáticos e paradidáticos, tem um tipo de interesse diferente do autor que não possui mercado mas deseja ser lido – para este, uma flexibilização dos direitos de reprodução pode abrir até novas perspectivas. Outra situação ainda é a de obras cujo autor já faleceu e a procura dos detentores dos direitos configura tarefa árdua e custosa, ou obras cujo interesse de reedição a editora não tem nem tampouco cede seus direitos a quem as deseje publicar.</p>
<p>Assim, a questão da flexibilização de direitos tem diferentes aspectos a considerar, dependendo da situação e da natureza da obra e de seu status. Se, por um lado, temos obras com valor específico de mercado, com características próprias de exploração (tais como livros didáticos, por exemplo), outras quase não possuem valor de mercado, mas sim valor cultural (obras esgotadas que não encontram interessado em seu relançamento, pequenas tiragens de autor etc.). </p>
<p>Há ainda outros interesses a levar em conta, tal como o interesse da cultura nacional, que envolve necessariamente políticas públicas que contemplem os interesses maiores da sociedade, pois há que se considerar também nesta questão os direitos do público. Nascida na área do audiovisual, por iniciativa da Federação Internacional de Cineclubes, a Carta de Tabor levantou este aspecto em 1987, referente aos direitos do público – num documento que hoje está mais atual e relevante do que nunca e cuja abrangência de conceitos pode e deve ser trazido para a área da literatura e outras.</p>
<p>Outro fator a levar em conta, o poder econômico pode gerar distorções na aplicação das leis e isto freqüentemente paralisa atividades culturais e educativas. Aqui, o uso justo (fair use) é algo a ser discutido, pois é um conceito largamente usado em outros países e que no nosso não existe juridicamente.</p>
<p>O atual formato da lei dá muito poder aos intermediários e empresas da indústria cultural, em detrimento dos próprios autores, em sua imensa maioria não beneficiados com o produto econômico de suas obras.</p>
<p>Nisto, também entra a discussão de formatos alternativos ao Copyright, tal como o Creative Commons – que, ao contrário do que muita gente pensa, não significa liberação total de todos os direitos de toda a obra, e sim a reserva de alguns direitos (que o licenciante define quais são, se trechos podem ser usados para obras derivadas, se pode ou não haver uso comercial, e mais uma série de características definidas pelo autor). Assim, um autor pode permitir que se copie, distribua ou crie obras derivadas sem necessidade de consulta prévia. Para tal, basta que se dê os créditos ao autor, não se utilize o conteúdo com fins comerciais e que, no caso de transformação, alteração ou criação com base na obra, o novo material use a mesma licença. E um autor não necessita licenciar toda a sua obra, podendo fazer uma experiência com um de seus livros ou com contos ou poemas, só para ver o que ocorre.</p>
<p>Esta modalidade tem ocorrido geralmente em publicações na internet, em sites ou blogs de autores, em portais de conteúdo colaborativo, e mesmo na publicação editorial em suporte digital, para download – trazendo muitas vezes novas possibilidades de distribuição, possibilitando o acesso à leitura de obras que estariam fadadas à não circulação.</p>
<p>O tempo de validade, após a morte do autor, da exploração dos direitos autorais deve ser também motivo de debate, pois ao longo do tempo tem vindo a ser ampliado (o chamado efeito &#8220;Disney&#8221;, pois sempre que o rato Mickey vai cair em direito público, tem sido prorrogada a vigência dos direitos sobre a obra) e muitas vezes torna impeditiva a reedição da obra, cujos direitos estão reservados, mas não se encontra quem os detenha para negociar.</p>
<p>É fundamental garantir os direitos autorais ao escritor (inclusive àqueles que escrevem sob contrato de trabalho em órgãos de comunicação), considerando também o interesse da cultura nacional e os direitos do público, levando em conta a cadeia produtiva editorial mas buscando-se impedir a privatização de nossa cultura por parte das grandes empresas.</p>
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		<title>Entrevista sobre microcontos à Revista Minguante</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Aug 2007 15:47:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Seabra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[mário-henrique leiria]]></category>
		<category><![CDATA[microcontos]]></category>
		<category><![CDATA[minguante]]></category>

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		<description><![CDATA[AGOSTO 2007 Entrevista concedida à publicação bimestral online Minguante – Revista de Micronarrativas, e publicada em sua edição nº7 (agosto de 2007). Carlos Seabra, quer pelas quantidade e qualidade dos seus pequenos textos quer pelo uso preferencial dos novos meios para a sua divulgação, pode facilmente ser considerado como um mestre de uma novíssima arte, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=665&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>AGOSTO 2007</p>
<p><em>Entrevista concedida à publicação bimestral online <strong>Minguante – Revista de Micronarrativas</strong>, e publicada em sua edição nº7 (agosto de 2007).</em></p>
<p>Carlos Seabra, quer pelas quantidade e qualidade dos seus pequenos textos quer pelo uso preferencial dos novos meios para a sua divulgação, pode facilmente ser considerado como um mestre de uma novíssima arte, e foi assim pensando que decidimos entrevistá-lo. As suas respostas só não excederam as nossas expectativas porque estas eram já muito elevadas. </p>
<p><em><strong>Minguante:</strong> De onde vem o seu interesse por um formato breve, quer sejam haicais quer sejam micronarrativas, que tem desenvolvido de igual modo?</em></p>
<p><strong>Carlos Seabra:</strong> Acho que em tempos de comunicação eletrônica, seja na internet ou cartazes na rua, mensagens de texto em celulares ou camisetas, há todo um conjunto de formas de comunicação atuais que permitem e pedem que a microliteratura as utilize. </p>
<p>Para mim, essa entrada na micronarrativa deu-se através da micropoesia, que é o haicai. Para mim isso traz um prazer lúdico muito grande, conseguir criar algo com limites tão minimalistas.</p>
<p><em><strong>Minguante:</strong> Sei que em tempos tentou criar um serviço de microtextos para serviço de celular. Poderia falar sobre isso, quer no que se refere à história dessa tentativa, quer aos propósitos por detrás dela?</em></p>
<p><strong>Carlos Seabra:</strong> Na verdade, tratou-se de uma iniciativa que não foi minha mas sim do Luiz Mendonça, que criou um serviço chamado Celuler. Tinha trovas, quadras, aforismas, haicais, de diversos autores contratados (como Alice Ruiz, Paulo Franchetti, Eliana Mora, Ricardo Silvestrin e outros). As pessoas compravam um &#8220;celulivro&#8221; &#8211; composto por 45 mensagens &#8211; e ofereciam a alguém por ocasião festiva ou não, ou mesmo para desfrute próprio, e durante quarenta e cinco dias era enviado um SMS.</p>
<p>Ao conversar com o Luiz Mendonça, que contratou meus haicais, disse-lhe que não teria produção tão grande nem como escrevê-los por encomenda, mas que adoraria escrever microcontos e sentia que poderia fazê-lo em larga escala. Dito e feito, passei a escrever microcontos durante os vôos para reuniões em outras cidades, nos congestionamentos na cidade e até mesmo no banheiro ou em momentos de insônia&#8230; e em dois meses tinha escrito mais de trezentos microcontos, procurando fazer uns cômicos, outros eróticos, outros meio surreais, outros maldosos ou cruéis, sempre pensando em um produto que não cansasse os leitor que os receberia diariamente no celular.</p>
<p>Infelizmente, a iniciativa foi inviabilizada financeiramente pela operadora de telefonia móvel que na ocasião detinha a maior parte do mercado brasileiro, o que fez o projeto ser abortado, os leitores ressarcidos do que haviam pago, e os contratos com os autores desfeitos, com enormes prejuízos empresariais para este precursor – ao qual agradeço me ter dado o empurrão em direção à criação de microcontos.</p>
<p><em><strong>Minguante:</strong> Tem publicado em livro mas também tem usado o formato digital. Pode falar-nos de como encara um e outro meio no seu percurso?</em></p>
<p><strong>Carlos Seabra:</strong> Publiquei o livro pelo Massao Ohno, o maior editor de haicais no Brasil e que teve uma importância fundamental na escolha de quais publicar, bem como no incentivo a que o fizesse. Mas se os livros já pouco vendem no Brasil (infelizmente, uma das maiores mazelas desta grande nação!), pelos de poesia então poucos editores se interessam, distribuidores e livreiros menos ainda. Tirando pouquíssimos lugares que têm meu livro à venda (<em>Haicais e Que Tais</em>), vendi a maioria no dia do lançamento e boa parte acaba indo como cortesia a amigos e conhecidos que volta e meia me pedem.</p>
<p>Assim, colocar o que escrevo na web é a melhor forma de ser lido. Aliás, tudo o que escrevi até hoje tem geralmente sido primeiramente publicado na web e somente depois ganha eventuais suportes de papel. No entanto, nunca escrevi um haicai ou um microconto no computador, sempre o faço em pequenos cadernos de bolso ou guardanapos de papel, com lapiseira preferencialmente, mas com caneta se estiver mais à mão. Acho que a publicação digital não canibaliza a publicação em papel, ao contrário, pode até ajudar a promover sua divulgação e venda (desde que haja distribuição, obviamente).</p>
<p><em><strong>Minguante:</strong> Será a micronarrativa um novo género, que para além do mais ganhe ainda mais sentido com a utilização dos meios electrónicos?</em></p>
<p><strong>Carlos Seabra:</strong> Não quero afirmar algo tão peremptoriamente, pois que para que possamos definir a micronarrativa como um gênero há que ter um pouco mais de produção, de distanciamento histórico, críticos engajados em analizar esta produção. É muito fácil escrever pequeníssimos textos e grandessíssimas porcarias. Não digo isto para depreciar a maioria da produção de microcontos (ou nanocontos, ou minicontos, ou haicais), que julgo muito sofríveis, mas também com a visão que é uma excelente porta de entrada para as pessoas se soltarem e começarem a escrever. Inclusive uma interessantíssima possibilidade de trabalhar a criação literária na escola, espaço tão tradicionalmente usado para fazer os alunos odiarem a literatura e terem medo do nosso idioma.</p>
<p>Como você aponta, o uso maciço dos meios eletrônicos faz com que os microtextos ganhem todo o sentido e sejam importantes conteúdos para popular áreas desertificadas de conteúdos culturais das novas tecnologias de informação e comunicação, como os celulares e tantos outros microespaços. No momento, inclusive, eu estou a preparar uma intervenção com haicais e microcontos na Internet 3D, na forma de uma galeria de microtextos dentro do Second Life &#8211; aliás, um belíssimo ambiente para este gênero.</p>
<p><em><strong>Minguante:</strong> Diverte-se a escrever, disso ninguém duvidará, mas será para si a escrita de microtextos puro divertimento?</em></p>
<p><strong>Carlos Seabra:</strong> Está bem próximo do puro divertimento, sim. E isso não é um conceito desqualificante, pois na sociedade pós-industrial, o ócio e o lúdico resgatam seu conceito mais profundo, existencialmente falando. Não se trata apenas de um novo epicurismo, mas cada vez mais o lazer, o ócio qualificado, o esporte, a diversão enfim, são até mesmo pujantes produtos econômicos. Finalmente, a cigarra vende seu cantar para as formigas cansadas de só trabalharem.</p>
<p>É nesse sentido que eu encaro o puro divertimento da escrita de microtextos, do qual faz parte um desafio interno para mim mesmo, e me solta para eventualmente vir a produzir textos literários maiores que micronarrativas. Como disse acima, a produção de microcontos começou com um viés econômico, tratava-se de um serviço, de um produto, com resultados a serem palpáveis financeiramente (o que não deixa de ser um outro tipo de divertimento).</p>
<p><em><strong>Minguante:</strong> Depois de cortar e enxugar o texto o que fica é o essencial? Como trabalha os seus textos e o que procura alcançar?</em></p>
<p><strong>Carlos Seabra:</strong> Confesso que não gosto muito de cortar. Quando me pedem textos com, por exemplo, quatro mil toques, acabo escrevendo seis ou sete mil e depois gasto a maior parte do tempo a tentar enxugar o texto até ficar perto da demanda. Com os haicais isso não existe, pois eles já nascem dentro de um padrão bem definido de três versos de cinco, sete e cinco sílabas. No caso dos microcontos, procuro ao máximo já os escrever no tamanho adequado e raríssimamente tive que podar alguma coisa.</p>
<p>Como adotei o formato de 150 caracteres, contando espaços e pontuação, acho que as idéias já nascem quase do tamanho certo. O haicai me deu a experiência de trabalhar estruturalmente com os limites. Sempre procuro ter uma frase que introduza a cena, que construa ou sugira a situação, e outra frase pra terminar, de preferência levando alguma surpresa ao leitor. Claro que nem sempre sigo essa fórmula. Algumas idéias de haicais que não deram certo viraram depois microcontos. Alguns fiz por referência pessoal (morte de um amigo, vivência de uma situação, mero devaneio interno) e podem ter outras leituras. Alguns homenageiam lembranças literárias (escrevi um pensando no Mário-Henrique Leiria, que me contava muitas histórias malucas quando eu era criança), outros são evoluções do próprio texto que nem eu quase tive intenção mas foram se formando.</p>
<p>Procuro alcançar a diversidade, como estrutura lúdica subjacente. Depois de escrever um ou dois mais sensuais ou eróticos, é bom escrever um bem cruel e malvado, depois uns dois meio de crônica do cotidiano, e então meter uma crítica de natureza política ou social, para então produzir alguo bem absurdo, surreal. Pensei isso para dar texturas diferentes para o leitor, mas também me impedem de cansar ou cair na mesmice.</p>
<p><em><strong>Minguante:</strong> Sei que aprecia especialmente o sorteio para apresentação dos microcontos. Por alguma razão especial?</em></p>
<p><strong>Carlos Seabra:</strong> Acho uma forma muito interessante de leitura. Apresentação de pequenos conteúdos de modo aleatório faz sucesso desde que existe o I-Ching e achei que seria um interessante formato. Fiz um site de sorteio de haicais (Caixa de Hai-Kai) no qual várias centenas de haicais de algumas dezenas de autores são apresentadas na tela, sorteando até mesmo a cor das letras, sempre em fundo preto. Aliás, foi a feitura desse website que me levou a escrever haicais, pois no começo eu estava era a estudar uma linguagem de programação (PERL) e precisava sortear coisas. Achei que haicais se adequariam e peguei vários em livros que tinha na minha estante, outros busquei na internet, e de repente achei que poderia até escrever um ou outro e colocar no meio.</p>
<p>O sorteio desconstrói caminhos e pode levar à experimentação e fruição de conteúdos que doutra forma não seriam conhecidos (a tendência de ler-se alguns autores apreciados pode levar a não conhecer o único microconto bom de um escritor que você sempre pule). Isso vale para poesia, micronarrativas, versículos da Bíblia, frases famosas, fotografias&#8230;</p>
<p><strong>Minguante:</strong> A minificcção, diz-se, desesenvolve-se no limite dos géneros. Os seus haicais não são, de alguma forma, tão minificcção quanto os seus designados microcontos?</p>
<p>Carlos Seabra: Encaro o haicai como algo diferente da ficção, ele tem que ser poético, tem que produzir uma imagem cinematográfica dentro de nossa cabeça, tem que ter algo que não está em nós mas sim na natureza. Claro que eu brinco além disso em meus haicais, por isso inclusive chamei de &#8220;que tais&#8221; os que não são puramente haicais, mas sim que usam seu formato e algo de seu espirito para pularem o limite do gênero.<br />
Mas você tem razão quanto a boa parte deles (tanto haicais quanto microcontos), que não fosse o fato de estarem num formato (três versos no caso dos haicais) bem que poderiam assumir a outra forma. Meu haicai &#8220;no despenhadeiro / a sobra da pedra / cai primeiro&#8221; poderia muito bem ter virado um nanoconto&#8230; Aliás, muita gente trata indiferenciadamente como microcontos tudo o que é pequeno, mas eu gosto de conceituar como nanocontos os que trabalham com o limite de 50 letras, microcontos os que usam o limite de 150 caracteres, e minicontos os que consideram até 300 palavras ou ainda 600 caracteres.</p>
<p><em><strong>Minguante:</strong> Você conhece bem a lingua portuguesa que se fala em Portugal e no Brasil pela sua condição, julgo que de dupla nacionalidade. Se quisesse falar um pouco sobre isso eu agradecia.</em></p>
<p><strong>Carlos Seabra:</strong> Sim, nasci em Lisboa e moro em São Paulo. Vim para o Brasil com 6 anos e voltei para Portugal com 10. Desde os 14 moro no Brasil, mas sempre tive um pé em cada lado do oceano. Mais da metade dos livros que lia na minha adolescência eram portugueses (desde toda a Argonauta de ficção científica, os policiais da Vampiro, até nossos escritores, Eça de Queirós, Virgílio Ferreira, Manuel da Fonseca, Júlio Diniz etc.) e sempre tive muita facilidade em transitar entre ambas as formas de grafia, tendo inclusive, já adulto, trabalhado na área editorial a copidescar (rever e adaptar) edições da Editora Abril, quadrinhos e novelas, para Portugal.</p>
<p>Escrevo meus haicais e microcontos com a língua que cá se fala pois seria muito estranho não o fazer, e aprecio muito as diferenças do idioma tanto em Portugal e no Brasil, como os enriquecimentos africanos e todos os demais que fizeram e fazem deste nosso idioma o que permitiu Fernando Pessoa dizer que &#8220;minha pátria é minha língua&#8221;.</p>
<p><em><strong>Minguante:</strong> Ainda que saibamos que daria &#8220;pano para mangas&#8221; não resisistimos a pedir-lhe que fale um pouco do escritor Mário-Henrique Leiria, primo do seu pai, e que você conheceu pessoalmente.</em></p>
<p><strong>Carlos Seabra:</strong> O Mário-Henrique Leiria era primo do meu pai (também Mário, e ambos se chamavam de &#8220;primários&#8221;). Desde que eu era miúdo, o Leiria era presença habitual em casa. Formava-se uma roda de amigos que ficavam a falar de artes e a tocar música brasileira. Até hoje tenho muito vivos esses momentos, de me emocionar, ainda criança de uns 5 anos de idade, ele acabado de casar com uma alemã que não me recordo o nome, algo como Fipsy, de quem ele se separou pouco depois. Achava muito engraçado o fato de ele barbear não só a cara mas a cabeça toda também, que o deixava com um ar de tartaruga sem casca. Isto lá por 1960. Meu pai tinha sido também o padrinho de casamento dele, e o Leiria era padrinho do meu irmão Eduardo.</p>
<p>Quando meus pais vieram para o Brasil, um par de anos depois veio o Leiria e ficou a morar lá em casa, num quarto nas traseiras sobre a garagem. Ele já tinha graves problemas de reumatismo e subia com dificuldades as escadas, com a ajuda de uma bengala e soltando cabeludos palavrões a cada degrau. O papagaio do vizinho aprendeu todos eles e retribuía-os, fazendo o Leiria passar a xingá-lo também, e eu e meus irmãos nos avisávamos e íamos todos a correr para assistir o espetáculo. Nessa época, lá pelos anos 1963/64, ele comprou-me um avião de montar, que exigia lixar as delicadas e inúmeras peças, colá-las, pintá-las, tudo seguindo uma detalhada e complicada planta e instruções. Claro que depois de muitos meses o avião mal tinha a estrutura do corpo, pois aquilo era só um pretexto para ele me contar suas aventuras na Guerra Civil Espanhola (muitos anos depois me dei conta, ao calcular datas, que tudo não passou de divertidas histórias, bem das dele, sempre numa fímbria entre o crível e o incrível).</p>
<p>Voltei para Portugal, onde residi e estudei uns 5 anos, participei de aventuras e descobertas arqueológicas com o Gustavo Marques, e das expedições etnológicas do Michel Giacometti, além de inúmeros outros intelectuais e gente engajada, escritores, músicos, pintores. Em 1969 cá estava eu de volta ao Brasil. Logo na primeira semana fui visitar o Leiria, que estava a trabalhar na Editora Samambaia.</p>
<p>Na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, já perto do centro de São Paulo, ao chegar lá vejo sair uma troupe de quatro ou cinco pessoas, com o Leiria à frente a imitar um helicóptero (mão na cabeça a girar as pás, boca a fazer o barulho das hélices), seguido de uma moça vestida de revolucionária russa, um exilado argentino logo a seguir a fazer nem sei mais o quê, seguidos pelo dono da editora, o Gil Clemente (com que mais tarde vim a trabalhar intensamente durante muitos anos), que só fazia olhar tudo com um ar aparentemente sério, fumando cigarros um atrás do outro. Eles estavam indo tomar um café numa pausa do trabalho. A editora publicava uma cômica revista de terror com o Zé do Caixão, editava antologias de erotismo (que belos e onânicos orgasmos me propiciaram), que entravam em choque direto com a cada vez mais feroz censura da ditadura militar (que, comparada ao plúmbeo ambiente do salazarismo e da PIDE, para mim era uma terra ainda assim de imensa liberdade), uma enciclopédia histórica (para a qual naquele dia eles produziram umas fotos que faltavam, de revolucionários bolcheviques para um verbete relacionado, embora uns 95% da obra fossem reais, mas eles gostavam de fazer).</p>
<p>Uma obra em especial me encantava (eu ia lá passar algumas horas, fascinado com o que era uma editora, e realmente acho que isso foi uma escola, pois com todo o clima surreal que de vez em quando até afetava o conteúdo, era uma editora mesmo; e talvez tenha feito com que alguns anos depois eu tivesse entrado nessa área profissionalmente), era um conjunto em três volumes, se não me engano, da Helena Sangirardi, uma famosa autora de livros culinários na época. Como ela demorava pra entregar algumas receitas que faltavam pra completar o número de páginas do volume que estava a ser finalizado, o Leiria resolveu ele mesmo produzir umas duas ou três receitas! Uma delas era o &#8220;Risoto à Mao-Tsé-Tung&#8221;, inocente receita onde ele só inventou o título. Outra descrevia um prato simples que consistia em abrir uma lata de sardinhas, uma lata de ervilhas e colocar uma folha de alface e &#8220;pronto, aqui está seu delicioso prato, minha amiga!&#8221;.</p>
<p>Se não me engano, foi em 1970 que ele voltou para Portugal, já todo &#8220;fodido das pernas&#8221; como ele dizia. Mas antes disso fui ainda visitá-lo no Hospital Samaritano, onde ele se recuperava de ter implantado uns metais a substituir parte dos ossos e tinha terríveis dores, que o suprimento de drogas que lhe davam não conseguia aplacar. Mas talvez eu nunca tenha rido tanto na vida, eu rebolava no chão do quarto do hospital, agarrado à minha barriga, que me doía de tanto gargalhar. A cada ataque de dor mais intenso ele usava seu repertório de palavrões, sempre vindo aos conjuntos concatenados deles, como a boa tradição lusitana manda, acrescidos de retoques que eram só dele &#8211; tudo isso acompanhado por comentários de humor surrealista e caras com olhos esbugalhados que não permitiam saber se ele estava a sofrar muito ou a se divertir à balda (com certeza os dois). Ele descrevia em detalhes a &#8220;guerra dos do segundo andar contra os do primeiro&#8221;, todos com almofadas a servirem de armas, no meio da noite. Ou picantes aventuras sexuais com as enfermeiras, onde me parecia que todas tinham enormes peitos mesclados com rígida disciplina germânica.</p>
<p>Foi depois disso que eu vim a ler seus Contos do Gin-Tonic, que ele editou já em Portugal e alguém me mandou. Nunca mais tive contato com ele, mas minha mãe, que estava a morar em Portugal, volta e meia contava notícias dele, que morava com a mãe e a tia, duas velhotas muito velhas mesmo, e que estava a cada dia mais &#8220;revolucionário&#8221;. </p>
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		<item>
		<title>As novas tecnologias e a democratização da TV</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Aug 2007 14:14:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Seabra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
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		<description><![CDATA[AGOSTO 2007 Artigo escrito para a Sesc TV e publicado em agosto de 2007. Com o recente debate sobre a TV Digital e, apesar de alguns pesares, a possibilidade de alargamento democrático da TV no Brasil, surgem algumas perspectivas novas de protagonismo social, educacional e cultural. A convergência de mídias (celulares que filmam, por exemplo), [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=48&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>AGOSTO 2007</strong></p>
<p><em>Artigo escrito para a <a href="http://www.sesctv.com.br/revista.cfm?materia_id=22" title="SESC TV" target="_blank">Sesc TV</a> e publicado em agosto de 2007.</em></p>
<p>Com o recente debate sobre a TV Digital e, apesar de alguns pesares, a possibilidade de alargamento democrático da TV no Brasil, surgem algumas perspectivas novas de protagonismo social, educacional e cultural.</p>
<p>A convergência de mídias (celulares que filmam, por exemplo), os softwares que fazem de cada computador pessoal uma ilha de edição, a possibilidade quase que ilimitada de publicação e distribuição nos ambientes online – tudo isso pode implicar em novas oportunidades (e novos desafios) para a democratização do acesso e, principalmente, da produção e distribuição de conteúdos audiovisuais.</p>
<p>O papel e as possibilidades dos usuários e espectadores podem dar novos saltos de qualidade, a serviço do consumo crítico e da formação de novos olhares. Assim, há que alargar perspectivas para o fato que programas de TV podem ser copiados (embora esse debate implique aspectos no campo da propriedade intelectual) e sua cópia pode ser vista quando o professor ou os alunos melhor entenderem, fugindo às limitações do timing do broadcast.</p>
<p>Além de gravar os conteúdos, seja na escola, no lar, ou em outras entidades, os espectadores proativos poderão selecionar partes que lhes interessem, editar o som, a imagem, inserir conteúdos, numa remixagem geradora de novas possibilidades educacionais – inclusive engajando os alunos tanto no desenvolvimento de novas competências, quanto na pedagogia focada em projetos de áudio, de vídeo, de multimídia.</p>
<p>O apoderamento das novas tecnologias tem trazido também formas inovadoras de produção social de conteúdos. A experiência de organização do público na forma de cineclubes gera cada vez mais experiências de produção alternativa, bem como articulação de novas formas de distribuição e acesso a filmografias clandestinizadas pelos modelos concentracionistas das indústrias do audiovisual – que sepultam a diversidade cultural, condenada a lutar pelos 15% que sobram fora do que está dominado pela Motion Pictures.</p>
<p>Obviamente que jamais os blogs concorrerão com as obras-primas da literatura, mas certamente muitos escritores de nova geração nascerão da publicação inicialmente feita na web, assim como os excluídos da distribuição livreira já têm na internet uma alternativa. Do mesmo modo, filmes produzidos amadoristicamente não competem com o cinema, e não suprem a demanda cada vez maior de alimentação das grades televisivas – aí incluídas não só as TVs comerciais, mas também as educativas e culturais, e agora o promissor projeto de TV Pública nacional – mas criam um novo nicho de produção, de consumo e de vivência democrática que ainda pode dar muitos frutos, tanto na forma de produções inovadoras como na formação de público e novos profissionais.</p>
<p>Um exemplo desse novo protagonismo vem dos Pontos de Cultura, hoje mais de 600 em todo o Brasil e com a perspectiva anunciada pelo Ministério da Cultura (patrocinador da iniciativa) de atingirem a marca de mil até o final deste ano. Dentre inúmeras atividades – resgate da tradição oral de contadores de histórias, ações de pontos de cultura com escolas públicas, criação de webrádios e podcasts com música livre (creative commons), software livre etc. – destaca-se também o projeto “Vídeos de Bolso”, que promove oficinas de produção de minifilmes (em torno de um minuto de duração, com até 5Mb de tamanho).</p>
<p>Esses “vídeos de bolso” são filmados com câmeras de celulares e máquinas fotográficas digitais, editados em software livre no computador e publicados na web ou enviados por e-mail ou por mensagens multimída no celular. Tanto podem ser edições de material filmado pelas pessoas quanto remixagens de material livre encontrado online, minidocumentários da realidade local, intervenção política, vídeoarte, histórias de vida, miniclipes&#8230;</p>
<p>Numa demonstração das possibilidades de interação entre esse tipo de protagonismo, a produção alternativa de audiovisual e a TV Pública, os Vídeos de Bolso estão sendo levados ao ar em um convênio com a TV Brasil – Canal Integración, que já os está exibindo nos intervalos de programação em 18 países além do nosso (e que já solicita maior quantidade de produções para atender a demanda de seu recém criado núcleo de comunicação participativa e colaborativa).</p>
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		<title>Mais do que um jogo em si, um prolongamento da vida real</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jul 2007 18:04:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Seabra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[3D]]></category>
		<category><![CDATA[jogo]]></category>
		<category><![CDATA[second life]]></category>
		<category><![CDATA[simulação]]></category>

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		<description><![CDATA[JULHO 2007 Entrevista dada à revista do Instituto Humanitas Unisinos, IHU Online, com o tema &#8220;Second Life, uma fábrica de sonhos e desejos&#8221;, em julho de 2007. IHU On-Line &#8211; O Second Life pode ajudar a distribuir produtos culturais? De que maneira essa disseminação ocorre no universo virtual? Carlos Seabra &#8211; Não colocaria como “distribuição” [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=480&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>JULHO 2007</strong></p>
<p><em>Entrevista dada à revista do Instituto Humanitas Unisinos, <a href="http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_tema_capa&amp;Itemid=23&amp;task=detalhe&amp;id=523" target="_blank">IHU Online</a>, com o tema &#8220;Second Life, uma fábrica de sonhos e desejos&#8221;, em julho de 2007.</em></p>
<p><strong>IHU On-Line &#8211; O Second Life pode ajudar a distribuir produtos culturais? De que maneira essa disseminação ocorre no universo virtual?</strong> </p>
<p>Carlos Seabra &#8211; Não colocaria como “distribuição” apenas, pois trata-se de um ambiente de imersão que permite a vivência de produtos culturais e educacionais, de lazer, atividades profissionais, enfim, é uma extensão da vida real. Outra característica do metaverso  é a imersão, a vivência integral. Assim, no Second Life podemos ver um filme como se estivéssemos numa sala de cinema real, com boa qualidade. Isso permite que, além da distribuição, os produtos podem ser consumidos in loco, desde que digitais. Porém, certamente há a possibilidade, ainda mal explorada, de promover a distribuição de produtos virtuais que possam ser trocados por seus equivalentes reais. Isso pode aplicar-se a livros, discos, DVDs, software etc.</p>
<p><strong>IHU On-Line &#8211; O entretenimento na internet está mudando? A tendência dos jogos online é seguir esse caminho? Por quê?</strong> </p>
<p>Carlos Seabra &#8211; A interatividade é o elemento central dos jogos na internet. O que não significa que seja sempre emulando a realidade. Há jogos onde o participante interage com bots (robôs de software), outros em que a interação ocorre em grupos que acabam se conhecendo, e outros ainda em que a interação se dá de modo anônimo, além das combinações entre todos esses elementos. Não vejo necessariamente um “caminho” tal como apontado na pergunta, que leve os jogos online na direção de interfaces, tal como o Second Life. Inclusive, só podemos chamar o Second Life de jogo se assim também chamarmos a vida (o que não deixa de ser), mas o Second Life é mais um prolongamento virtual da vida real do que um jogo em si. Ele é um ambiente inclusive onde podem haver vários jogos. Você poderá, com seu avatar, encontrar outro em frente a um tabuleiro de xadrez, e poderá entrar em ambientes no metaverso, onde ocorram jogos de diversos tipos.</p>
<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual será a próxima novidade 3D na internet?</strong> </p>
<p>Carlos Seabra &#8211; A melhor forma de antecipar o possível futuro é olhar para trás, para tudo o que a humanidade já imaginou. Dos romances de ficção científica (Clifford Simak, em seu &#8220;Terra insólita&#8221;, previa interfaces holográficas interativas, casas dotadas de inteligência artificial e interface com reconhecimento de voz) às alucinações e magia de tempos medievais (nada mais parecido com isso do que o que a tecnologia já nos permite hoje!), tudo o que a humanidade já desejou ou imaginou é disso que a tecnologia se encarrega de viabilizar&#8230; As etapas já em estudo e testagem para a Internet 3D são a possibilidade de interação com voz (que não acabará, obviamente, com a interface de diálogos por texto), o uso de webcams para captar do usuário suas expressões e colocá-las em seu avatar (olhos arregalados, sorrisos, movimento das sobrancelhas, sincronia labial), e o sensoriamento dos movimentos corporais, permitindo que uma caminhada no Second Life queime boas calorias na vida real&#8230;</p>
<p><strong>IHU On-Line &#8211; O Second Life gera algum impacto para o consumidor?</strong> </p>
<p>Carlos Seabra &#8211; Tal como na vida real, no Second Life gasta-se dinheiro e isso parece ser, inclusive, uma fonte de prazer para as pessoas, que também gostam de ganhá-lo, obviamente. Trata-se de um inteligente fator de sucesso do jogo: sua economia é real e engaja as pessoas em trocas, que fazem parte do próprio mecanismo lúdico (não é à toa que o jogo de tabuleiro mais vendido no mundo seja o Monopólio, no Brasil conhecido como Banco Imobiliário, um sucesso que existe há mais de 50 anos). Os impactos serão inúmeros, pois muitas e cada vez mais pessoas passarão a consumir produtos adquiridos via metaverso. Um celular virtual adquirido no Second Life permitirá à pessoa recebê-lo “de verdade” em sua casa pelo correio. Ou um voucher obtido no Second Life lhe dará um desconto real num aparelho de televisão ou computador numa loja real. A indústria e o comércio poderão antecipar lançamentos no metaverso, testando, desse modo, a reação do público e dimensionando estratégias de marketing, bem como adaptando seus produtos a tendências observadas no “metamercado”.</p>
<p><strong>IHU On-Line – Quais são os impactos do Second Life no mundo do trabalho? </strong> </p>
<p>Carlos Seabra &#8211; No mundo do trabalho, na prestação de serviços, também poderemos ter grandes impactos. Reuniões virtuais entre funcionários de várias filiais (o que já é feito por quase quatro mil funcionários da IBM, por exemplo) permitirão dosar as viagens reais com seu custo em dinheiro e tempo, mais ainda em época de crise aérea. Cada vez mais, haverá um mercado de trabalho para avatares, para atendimento ao público e para operações mais sofisticadas – chegando um dia até a mesa de operações (por que não imaginar um especializado cirurgião operando através de um robô localizado numa pequena cidade longínqua, através de conexão de seu avatar com paramédicos locais e interfaces virtual-real?). Além dos aspectos acima levantados, é necessário também estarmos atentos para novas formas de conflitos e exploração do trabalho humano, pois um avatar de um apresentador de TV no metaverso poderá ter substituído seu ser humano por outro se houver conflito trabalhista ou contratual – do mesmo modo que um operador de uma máquina digital não precisará mais ser um ser humano, mas sim um avatar, e, neste caso, um operário brasileiro que esteja com salário muito elevado poderá ser substituído em minutos por outro nas Filipinas com uma remuneração cinco vezes menor!</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/cseabra.wordpress.com/480/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/cseabra.wordpress.com/480/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cseabra.wordpress.com/480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cseabra.wordpress.com/480/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cseabra.wordpress.com/480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cseabra.wordpress.com/480/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cseabra.wordpress.com/480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cseabra.wordpress.com/480/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cseabra.wordpress.com/480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cseabra.wordpress.com/480/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cseabra.wordpress.com/480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cseabra.wordpress.com/480/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cseabra.wordpress.com/480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cseabra.wordpress.com/480/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cseabra.wordpress.com/480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cseabra.wordpress.com/480/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=480&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Acessar o virtual: um direito real</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Jun 2007 17:52:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Seabra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[inclusão digital]]></category>
		<category><![CDATA[virtual]]></category>

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		<description><![CDATA[JUNHO 2007 Trecho de entrevista concedida à Revista do Itaú Cultural de junho de 2007 Seriam mais 20 rotineiros minutos para Shirlei da Silva. Ela verificaria os e-mails, se corresponderia com as amigas de Nova Iguaçu &#8211; sua cidade natal -, faria suas pesquisas nos buscadores virtuais, visitaria os sites de sempre; tudo nos 20 [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=112&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>JUNHO 2007</strong></p>
<p><em>Trecho de entrevista concedida à <a href="http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2720&amp;cd_materia=10" title="Revista do Itaú Cultural" target="_blank">Revista do Itaú Cultural</a> de junho de 2007</em></p>
<p>Seriam mais 20 rotineiros minutos para Shirlei da Silva. Ela verificaria os e-mails, se corresponderia com as amigas de Nova Iguaçu &#8211; sua cidade natal -, faria suas pesquisas nos buscadores virtuais, visitaria os sites de sempre; tudo nos 20 minutos estipulados para navegar pela rede virtual em um dos postos públicos de acesso à internet, localizado no Poupatempo Santo Amaro, na capital paulista. O que Shirlei não poderia imaginar era que, naquele dia de maio de 2006, o trivial acesso à internet mudaria sua vida. Ao entrar em um site de relacionamentos, a carioca, de 27 anos, deparou com um nome muito familiar: o nome da irmã de quem não recebia notícias havia 21 anos, desde que os pais se separaram no Rio de Janeiro.</p>
<p>A história de Shirlei é um exemplo de como a internet é capaz de expandir redes sociais, além de proporcionar reencontros inusitados. &#8220;Por causa da internet eu pude reencontrar várias amigas que não via fazia tempo, e graças a ela eu também pude achar minha irmã&#8221;, explica. Porém, ainda são poucos os brasileiros que têm a oportunidade de acessar a grande rede virtual. Segundo pesquisa divulgada em abril pelo Ibope, 25 milhões de pessoas moram em domicílios com ao menos um computador conectado à web, e 32,9 milhões conseguem acessá-la em outros locais, como escolas ou universidades, por exemplo. É um número relativamente baixo, levando em conta a população nacional, mas que poderia ser menor não fossem as iniciativas que visam à inclusão digital. Em São Paulo, o programa de maior abrangência é o Acessa SP, uma parceria da Escola do Futuro, da Universidade de São Paulo, com o Governo do Estado.</p>
<p><strong>O primeiro clique<br />
</strong></p>
<p>Com mais de 1,1 milhão de cadastrados, o Acessa SP atende a quase 400 municípios paulistas por meio dos Postos Públicos com Acesso à Internet, os chamados Popais. Foi por um desses postos que Shirlei pôde reencontrar sua irmã. &#8220;Eu sempre ouvia falar em site, e-mail, chats, Orkut, então resolvi me cadastrar no posto do Acessa&#8221;, explica. &#8220;Só precisei mostrar o RG e um comprovante de residência e no mesmo dia já podia usar o computador.&#8221; Assim como Shirlei, milhares de pessoas nunca haviam acessado a internet antes de conhecer o programa de inclusão digital. Para Hernani Dimantas, coordenador do Laboratório de Inclusão Digital e Educação Comunitária (Lidec), da Escola do Futuro, a responsabilidade de manter trabalhos de inclusão nessa área é grande. &#8220;Para 60% dos cadastrados no Acessa SP, esse é o primeiro contato que se tem com a web&#8221;, afirma. &#8220;Nossa intenção é que a pessoa entenda a internet e se aproprie dela; nós fornecemos os links para isso.&#8221;</p>
<p>Dentre as instituições que fazem parte do programa Acessa SP, está a Associação de Deficientes Visuais e Amigos (Adeva), voltada exclusivamente para deficientes visuais. Para Markiano Charan Filho, diretor-presidente da instituição, a internet e a tecnologia em geral facilitaram a vida do deficiente visual. &#8220;A internet abriu muitos caminhos para nós, tem coisas que só dá para fazer pela internet, como verificar extratos bancários.&#8221; Os computadores da associação são equipados com softwares que fazem a leitura de alguns sites. Como em todos os outros postos do Acessa SP, a Adeva também possui seus monitores. Francisco Alves Batista, que aos 17 anos perdeu a visão, ensina há oito anos outros deficientes a usar o computador. &#8220;Há a diferença entre os alunos quanto à questão visual, alguns ainda têm o resíduo visual&#8221;, explica. &#8220;Já determinados alunos nunca viram a seta do mouse.&#8221;</p>
<p><strong>Inclusão digital, inclusão social</strong></p>
<p>Fora do estado de São Paulo, existem outros programas bem-sucedidos de inclusão digital. São os casos do Identidade Digital, na Bahia, que já conta com mais de 300 mil cadastrados, e dos programas realizados pelo Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Rio de Janeiro (Proderj). Ainda não há um número exato de quantas pessoas são atendidas no Brasil por esse tipo de programa. De acordo com Carlos Seabra, diretor de tecnologia e projetos do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos (IPSO), primeiro é preciso definir o que é inclusão digital. &#8220;Não basta colocar uma pessoa de baixa renda na frente do computador para fazer inclusão digital&#8221;, afirma. &#8220;É preciso ensiná-la, mostrar os caminhos a seguir; a inclusão digital deve ser também inclusão social.&#8221; Outro ponto levantado por Seabra é a conexão à rede virtual. &#8220;Não se deve confundir inclusão digital com aula de informática. A internet hoje é obrigação. Ter um computador que não está conectado é como ter um carro sem estrada&#8221;, explica. Segundo o diretor de tecnologia do Ipso, o acesso promovido pelas iniciativas de inclusão digital deve ser público ou deve ser cobrada uma quantia simbólica destinada à manutenção do serviço. &#8220;Se cobrar e o dinheiro for usado para outro fim, chame isso de lan house ou cibercafé, e não de centro de inclusão digital.&#8221; Seabra é também consultor de projetos relacionados à educação a distância, modelo de ensino mediado por aparatos tecnológicos, como a internet, e estruturado em recursos multimídia. &#8220;Com a educação a distância, uma aula que era dada para 50 alunos pode ser dada para 5 mil&#8221;, afirma (veja box).</p>
<p>Apesar de todos os avanços proporcionados pelos programas de inclusão digital, o Brasil ainda precisa percorrer um longo caminho. Em pesquisa realizada pelo Comitê Gestor de Internet (CGI), ficou constatado que 67% dos brasileiros nunca acessaram a rede. Drica Guzzi, coordenadora do Lidec, acredita que, além de enriquecer o capital social dos usuários, a internet deve ser uma opção para todos. &#8220;Não digo que a internet seja algo essencial à vida, pois muitos vivem bem sem ela&#8221;, diz. &#8220;Mas todos devem ter o poder de escolher se querem acessar ou não; inclusão digital é, antes de tudo, um direito.&#8221; Um direito que Shirlei conseguiu aproveitar. Hoje, as duas irmãs se falam tanto pessoal quanto &#8211; como não poderia deixar de ser &#8211; virtualmente.</p>
<p><strong>A educação segundo a internet</strong></p>
<p>De acordo com o diretor de tecnologia e projetos do IPSO, Carlos Seabra, os aparatos tecnológicos podem ser a solução para a educação, mas também podem se tornar um grande problema. &#8220;Com a tecnologia na mão de um bom professor, mais gente pode aprender. Na mão de um mau professor, mais gente pode se prejudicar.&#8221; O raciocínio de Seabra está ligado à questão da formação do educador e sua nova relação com o educando. &#8220;O computador evidencia o despreparo de quem ensina e coloca em xeque o modelo hierárquico da escola; o aluno se torna cada vez mais o protagonista.&#8221; Para Seabra, o professor, além de ser mal remunerado, não recebe a formação adequada. &#8220;Coloca-se o computador na escola, para os alunos, mas antes não se coloca um computador na casa do professor.&#8221;</p>
<p>Apesar dos desafios, a educação a distância é um dos projetos que podem gerar mudanças positivas no sistema de ensino. Trata-se de um sistema no qual há separação no tempo e no espaço entre alunos e professores, e a comunicação é mediada por alguma forma de tecnologia. Segundo Seabra, o correto seria chamá-la de aprendizagem em rede. &#8220;A educação a distância é feita sob uma concepção hidráulica, em que se colocam uns canos e se transmite a água. Conhecimento não é água, não dá para transmitir hidraulicamente. Devem-se transmitir dados e fazer com que a informação seja absorvida, trocada e produzida.&#8221;</p>
<p>Para haver essa transmissão de dados, no entanto, é necessário criar um sistema de ensino virtual de boa qualidade. Para tanto, necessita-se de uma infra-estrutura que compreende redatores, revisores, fotógrafos, designers e recursos multimídias. &#8220;Além disso tudo, exige-se mais atenção do professor para que ele compreenda melhor a problemática e os mecanismos cognitivos do aluno.&#8221; Seabra acredita que jogos, simulações e comunidades virtuais são os ambientes ideais para aprendizagem em rede. &#8220;A educação tem de ser cada vez mais lúdica&#8221;, afirma.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/cseabra.wordpress.com/112/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/cseabra.wordpress.com/112/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cseabra.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cseabra.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cseabra.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cseabra.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cseabra.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cseabra.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cseabra.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cseabra.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cseabra.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cseabra.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cseabra.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cseabra.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cseabra.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cseabra.wordpress.com/112/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=112&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Tecnologia pode transformar a educação</title>
		<link>http://cseabra.wordpress.com/2007/02/27/tecnologia-pode-transformar-a-educacao/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Feb 2007 15:05:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Seabra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA[FEVEREIRO 2007 Entrevista dada a Julia Dietrich para o website Aprendiz, em 27 de fevereiro de 2007. Do mundo industrial ao ambiente privado, certamente não há como negar a onipresença da tecnologia na sociedade contemporânea. Na comunicação é impossível pensar na ausência da internet, enquanto na arquitetura softwares de programação gráfica tornaram-se indispensáveis. Mas, na [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cseabra.wordpress.com&amp;blog=1039996&amp;post=40&amp;subd=cseabra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>FEVEREIRO 2007</strong></p>
<p><em>Entrevista dada a Julia Dietrich para o website <a href="http://aprendiz.uol.com.br/content.view.action?uuid=042b8ae90af4701000b05acd35e819a8">Aprendiz</a>, em 27 de fevereiro de 2007.</em></p>
<p>Do mundo industrial ao ambiente privado, certamente não há como negar a onipresença da tecnologia na sociedade contemporânea. Na comunicação é impossível pensar na ausência da internet, enquanto na arquitetura softwares de programação gráfica tornaram-se indispensáveis. Mas, na educação &#8211; em especial na rede pública &#8211; as novas mídias e adventos tecnológicos continuam sem espaço e metodologia capazes de ampará-los.</p>
<p>Para o editor multimídia e consultor de tecnologia educacional e redes sociais, Carlos Seabra, é fundamental pontuar esses novos instrumentos técnicos como possível alavanca para repensar e transformar o próprio sistema educacional que pouco mudou nos últimos séculos.</p>
<p>&#8220;Não adianta substituir o quadro negro pelo powerpoint e também não faz sentido um curso de excel que termine em si mesmo. A tecnologia não deve reforçar as atuais práticas de ensino e sim questionar o papel do educador, a forma de educar e até o conteúdo ensinado&#8221;, diz.</p>
<p>Segundo o consultor, a técnica voltada para si mesma torna-se dispensável, insistindo que o produto final transforme-se, ele sim, em algo independente. &#8220;Aulas de word só devem existir se o objeto a ser problematizado for, por exemplo, a redação. Ninguém fez curso de lápis para poder escrever&#8221;, brinca Seabra que cita o personagem Robinson Crusoé como exemplo. &#8220;Sem artefatos na ilha, ele foi capaz de pensar e criar soluções para resolver seus problemas. Tecnologia não está no instrumento e sim na cabeça da pessoa&#8221;.</p>
<p>Analice Moura Inácio, mãe dos estudantes do colégio particular Nossa Senhora das Graças da cidade de São Paulo, conta que se surpreendeu ao ver indicada a compra de um pen-drive na lista do material escolar de Frederico, de 11 anos, aluno da 6ª série do ensino fundamental.</p>
<p>&#8220;Decidimos esperar para ver qual a real necessidade do aparelho. E, se for realmente necessário, então o compraremos&#8221;, diz a mãe que vê, mesmo assim, a inserção tecnológica no ambiente escolar como ação bastante positiva. &#8220;É impensável que eles não trabalhem com algo que estará completamente inserido em suas vidas&#8221;, observa.</p>
<p>Seabra ressalta que os artefatos podem vir a ser poderosos instrumentos para transformar o próprio espaço físico da sala de aula. &#8220;Com uma tarefa a ser transportada num pendrive ou consultada na Intranet da instituição, os estudantes acabam envolvendo suas famílias e até, comunidades, expandindo o espaço das salas de aula e colonizando outros lugares, normalmente, considerados externos ao ambiente escolar&#8221;, observa.</p>
<p>&#8220;Acho engraçado muitos educadores condenarem a presença de computadores nas bibliotecas, acusando o tecnológico de substituir as outras atividades escolares. Porém, é impressionante ver que, ao esperar pela vaga para utilizar o computador, muitos jovens passaram a ler mais, pela própria convivência no espaço da biblioteca. O problema não está nos artefatos e sim no sistema&#8221;, diz ele que insiste na importância da internet como ponte de diálogo com o mundo, na busca e na problematização de informações.</p>
<p>Segundo o consultor, &#8220;a má capacitação dos professores, associada ao próprio desconhecimento de um plano tecnológico fazem com que programas muitas vezes desnecessários ou obsoletos substituam artefatos simples como a própria internet&#8221;, aponta.</p>
<p>Seabra insiste também que a capacitação dos profissionais deve estar diretamente associada ao questionamento do modelo educacional brasileiro. &#8220;O computador é brilhante pois dá um feedback imediato ao professor, que pode repensar suas aulas a partir da relação com os estudantes. Não existe capacitação prévia. Ela deve vir de acordo com as demandas do processo, ao longo da proposição e da finalidade de determinados projetos&#8221;, acredita.</p>
<p>Para ele, é necessário entender que a tecnologia pressupõe um tripé interligado, conectando o equipamento, o software e as pessoas que o utilizam. &#8220;Muitas vezes, em vez dos softwares de geografia &#8211; que na maioria das vezes são muito pobres -,  os jogos podem ser utilizados. Eles possibilitam um novo mundo de oportunidades de ensino, promovendo o lúdico e a integração&#8221;, observa.</p>
<p>Seabra pontua ainda que novas mídias são instrumentos fundamentais para discutir a forma de ensinar e o trabalho do próprio conteúdo acadêmico. &#8220;Porque não, por exemplo, fazer com que os alunos criem e alimentem um blog como atividade interdisciplinar? Eles teriam que congregar suas pesquisas em diferentes assuntos, questionar o espaço coletivo e público do meio virtual e exercitar o raciocínio técnico necessário para construir os textos e confeccionar o produto final&#8221;, sugere.</p>
<p>Preocupada com a discussão do espaço público dos meios virtuais, Analice Inácio muitas vezes participa de atividades na internet e jogos para observar e, ao mesmo tempo, interagir com seus filhos. &#8220;Não os policio de forma rígida. Busco observar aquilo que meus filhos acessam, participando das suas atividades&#8221;, afirma.</p>
<p>Com objetivo similar, a empresa Microsoft desenvolveu o site Navegue Protegido que oferece, de forma sucinta, dicas para pais, professores, jovens e adultos como utilizar a internet de forma segura na escola, no trabalho e em casa. Nele são indicados ainda links de páginas com conteúdos próprios para diferentes faixas etárias e que podem promover a integração familiar no uso de ferramentas tecnológicas.</p>
<p>&#8220;Acredito que é preciso sim estimular as atividades tecnológicas na escola, mas busco determinar um tempo de uso diário do computador, televisão e videogame para que eles não deixem de brincar, praticar esportes, ler e realizar atividades externas ao espaço virtual&#8221;, diz a mãe de Fred que se vê bastante recompensada por ter suas regras cumpridas mesmo na sua ausência.</p>
<p>Entusiasta do ensino público, Seabra vê que o investimento financeiro das escolas particulares na área tecnológica, embora diretamente associados à disputa mercadológica e ao marketing, serve muitas vezes para pontuar como é grande a defasagem entre os dois sistemas. &#8220;Se bem pensada e elaborada de acordo com seus espaços e necessidades, a tecnologia pode servir muito positivamente à sociedade ou então, só veremos aumentar o estágio em que nos encontramos de apartheid tecnológico entre as classes sociais do país&#8221;.</p>
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