Informática e educação

FEVEREIRO 1988

Intervenção publicada em “Idéias” nº 4, com a temática de Informática e Educação, edição FDE – Fundação para o Desenvolvimento da Educação, Secretaria de Estado de Educação de SP, em 1988.

Seabra – Nosso trabalho, no Senac, está sendo feito em duas vertentes. Uma é o ensino de Informática propriamente dito, feito no Estado de São Paulo, em 40 escolas do Senac, chamadas de “unidades”. Mas não vou me deter neste aspecto.

0 outro aspecto é a utilização da Informática na Educação, junto a outras matérias do currículo. Resolvemos informatizar primeiramente a área de Saúde, por uma série de características: o docente tem uma formação melhor do que o docente de outras áreas; há uma boa quantidade de matérias teóricas; há, também, o despreparo dos alunos. Para alguns cursos, o pré-requisito é o primeiro grau, para outros, é o segundo. Os alunos deparam-se com uma série de conceitos que eles desconhecem, por exemplo, na disciplina Microbiologia. Eles nunca viram um micróbio na vida, e então há um choque muito maior entre o nível de conhecimento do aluno e o que vai ser exigido dele.

Resolvemos entrar com a Informática também por ser a área mais difícil. Porque não valeria muito a pena entrar com a Informática para rever o que já está resolvido.

Nossa preocupação é criar uma massa crítica dentro da instituição, porque essa massa vai fazer com que todo o processo de informatização siga um determinado rumo. Então, priorizamos o chamado peopleware, formação de recursos humanos; em segundo lugar veio o desenvolvimento de software e, em terceiro lugar, a questão do hardware. A implantação do equipamento, a informatização propriamente, viria como etapa final, para que não se inicie ao contrário, como normalmente acontece. Primeiro você compra o equipamento, depois descola um software e no fim de tudo pensa-se no que se vai fazer com as pessoas que devem mexer com aquilo.

Rapidamente: o processo que seguimos foi constituir uma equipe de 10 pessoas, fundamentalmente docentes e alguns técnicos. Na estrutura do Senac há docentes e técnicos que supervisionam a questão da Educação, não em sala de aula, mas estão trabalhando com a coisa.

Já tivemos dois treinamentos e já temos uma equipe de 20 pessoas que passaram por ele. Este ano teremos mais um. É um processo lento, mas não dá para informatizar todos ao mesmo tempo.

Esse treinamento inicial – o processo não pára aí – é constituído de um mês em tempo integral. O pessoal trabalha 8 ou 10 horas por dia, durante um mês inteiro; à noite e nos fins de semana, os laboratórios ficam à disposição. Nós sobrecarregamos as pessoas com textos para ler e analisar, e tarefas para desenvolver. O pessoal se envolve de tal modo, que acaba ficando 12 ou 15 horas por dia, na etapa final do treinamento, por conta própria.

Em geral são pessoas do Senac, mas eventualmente temos um convidado externo. Tivemos uma pessoa da Escola “Carlos de Campos”, por um convênio que mantemos com a Secretaria da Educação. Há um curso de Enfermagem lá. Outra pessoa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul vai participar também. Mas o objetivo é trabalhar dentro do Senac, apenas. Como fazemos intercâmbio, às vezes temos pessoas de fora participando.

Neste treinamento, os alunos aprendem uma linguagem de programação e discutimos o que é um computador; abrimos um computador, rasgamos um disquete ao meio etc. No entanto, metade do tempo é destinada a discussões sobre educação, planejamento de ensino etc., pois esse é nosso objetivo final. Fazemos uma comparação meio louca; comparamos a Informática à estória da sopa de pedras. O mendigo chega numa casa e pede para fazer uma sopa de pedras: “Vocês me arrumam uma agüinha quente e eu boto as pedras”. A mulher é meio sovina mas concorda, está até curiosa. Aí o mendigo diz: “Teria um pouquinho de sal? Ou quem sabe uma cenourinha?” Aí chega no final, com tantas coisas que pediu, que ele guarda a pedra no bolso e toma uma bela sopa.

Então, o processo de informatização que adotamos é basicamente este. Pode-se dizer que, até o momento, os resultados alcançados já deram um grande salto, só por aquilo que os alunos foram obrigados a fazer em termos de planejamento, de reflexão etc. Um dos nossos exercícios é colocar todo o grupo para fazer o planejamento industrial de um novo tipo de helicóptero. Todos se saem muito bem; todos têm jeito para fazer planejamento industrial, mercadológico. Por que na Educação não conseguem fazer isto facilmente, embora todos sejam educadores? Porque vivemos num tipo de sociedade em que a questão industrial é muito fácil, e Educação é aquela coisa meio nebulosa etc. Partimos de uma série de exercícios de sensibilização para chegarmos à reflexão que queremos alcançar. Aí, discutimos o tipo de educação que queremos dar aos nossos alunos, porque entidades como o Senac sofrem pressão do mercado para fazer treinamento. Mandam os alunos da empresa e querem que saiam apertando o botão certo, no momento certo e não precisam saber mais nada além disso. Até porque, normalmente, se o aluno sabe algo, além disso, ele começa a reivindicar maior salário etc. Então, ficamos nessa contraposição e a filosofia que pretendemos implantar é de não entuchar o aluno de conhecimento, porque é impossível ter todo o conhecimento. Conhecimento é como uma esfera, que à medida que se amplia, aumenta o número de pontos em contato com o desconhecido. Então, quanto mais a pessoa sabe, mais ela descobre que não sabe. Procuramos inclusive reduzir a quantidade de conteúdo a ser transmitida; estamos depurando os currículos. 0 aluno deve ter uma idéia geral e aprender a buscar o conhecimento, em livros, em fontes de referência, na hora em que precisar dele. Neste ponto, o computador permite uma coisa muito rica: que o aluno, sentado à máquina, entre em contato com o seu próprio pensamento. Normalmente ele não raciocina, faz o programa mas não sabe direito por que o fez. No entanto, ele sabe. Assim como nós temos uma série de ações mecânicas, reflexos, complexos, essa coisa toda de psicologia, por exemplo. Mas quando se vai analisar, começa-se a descobrir o porquê de certas atuações, atos falhos etc. Acho que na programação é a mesma coisa. Você faz, o conhecimento está ali dentro; se você fez, é porque sabe. Só que você não sabe refletir sobre o próprio conhecimento. O computador permite isso.

Então, o tipo de software que estamos desenvolvendo no Senac é depurado de uma quantidade de informação que no início achávamos que o aluno deveria saber. Agora nos centramos em dar ao aluno a oportunidade de se exercitar, de errar. 0 erro é criativo, pois é uma hipótese formulada que não encontra comprovação na realidade. Então, no computador, o aluno está sozinho; via máquina, ele encontra seu raciocínio, ele testa muitas coisas e passa a gostar de aprender. Temos visto que o aluno depois deslancha sozinho, cria interesse e vê que aquela matéria não é chata, que aquilo não é uma coisa obrigatória. Acho que este é um aspecto importante a ser relevado.

Neste treinamento com docentes, procuramos transmitir-lhes todo o conhecimento necessário sobre Informática. O “necessário” também pode ser questionado.

Nosso principal objetivo é que o professor lide com a Informática do mesmo jeito que lida com o material didático tradicional: um livro, por exemplo. Hoje em dia, o professor não se impressiona se uma editora lança um livro com uma aparência muito sofisticada, papel especial etc. Ele vai olhar o conteúdo e não se comporta como um índio, recebendo aquelas pedrinhas coloridas, em troca das quais entrega toda a terra a Pedro Álvares Cabral. Porque isso é o que ocorre atualmente na Informática. A máquina tem sons, cores etc. Então, nós procuramos desenvolver essa consciência crítica do professor, porque ele vai ter duas atuações no nosso projeto: uma, a avaliação de software já existente, para ver se ele se adapta às suas necessidades ou não. A segunda é a orientação e o desenvolvimento de software próprio. Eles entram em contato com dezenas de software, dos melhores aos piores; discutem inclusive o aspecto estético dos programas. A estética normalmente não é relevada em Educação, mas é uma forma de linguagem importantíssima.

Bom, como se encontra atualmente nosso processo de informatização? Como disse, escolhemos a área da Saúde como prioridade. Dentro de Saúde, o curso de técnico e Auxiliar de Enfermagem. Ainda no segundo semestre deste ano vamos entrar em Optometria. São cursos com 900 ou 1.500 horas de duração e que contam com várias disciplinas. Em Enfermagem, resolvemos informatizar uma disciplina por inteiro, a Microbiologia, onde os alunos encontravam maior dificuldade. A Microbiologia era ensinada como uma caricatura do ensino de Biologia que temos na Universidade. Mas, não se pretende formar biólogos e a enfermeira não vai precisar deste conhecimento no hospital. Então estamos redirecionando a própria abordagem, em relação ao fim que temos em vista.
A expectativa inicial da diretoria do Senac, que aprovou entusiasticamente o nosso projeto, talvez tenha sido a seguinte: a carga horária do curso de Microbiologia vai diminuir de 30 para 20 horas. Esse negócio de computador abrevia tudo, não é? Mas não, depois de analisar a disciplina, ela passou a ter 50 horas. Não em função da informática, mas com a Informática, o grupo de estudo (uma equipe multidisciplinar, com três enfermeiras que são docentes, técnicos em Informática, psicólogas e especialistas em Comunicação) chegou à conclusão de que o ensino que tínhamos era totalmente errôneo. Então, cada disciplina que vai ser informatizada passa por esse processo. Entendo aqui Informática como ciência da informação no seu sentido mais amplo, onde o computador, a computação, é o cavalo de Tróia que leva no seu bojo essa semente revolucionária que muda tudo, e que faz com que o gerente da unidade, os administradores etc., arranquem os cabelos, porque nós realmente complicamos a vida toda. Então, estamos reformulando todas as apostilas; todo o material de Microbiologia foi para o lixo, porque ele era o lixo que foi se acumulando ao longo dos anos. E nosso trabalho é integrado, pois não queremos informatizar apenas parcelas do conteúdo da disciplina.
Tudo isto leva ao encarecimento da disciplina, para o desespero da parte administrativa. Mas então, o professor não foi substituído pelo computador? Não, um professor a mais teve de entrar na jogada. Porque fomos obrigados, para melhor atender os alunos, a dividir a turma em duas.

O resultado compensa. Mas existe a idéia enganosa que se procura vender, de que o computador vem facilitar tudo. Ele não vem trazer soluções fáceis, vem revelar todos os problemas, que ficam evidenciados. Essa é a experiência mais rica. Os resultados estão sendo ótimos, em termos de qualidade de ensino. Muitas vezes, na Educação, há um acomodamento; entra-se em sala de aula, transmite-se o conteúdo e vai-se embora. Nós estarmos sendo obrigados a mudar tudo isto.

Como disse, estamos informatizando essa disciplina, a Microbiologia. Já planejamos, vimos qual o software a ser desenvolvido, que apostilas vão ser feitas etc. Vamos fazer um vídeo, em desenho animado. Nesse semestre temos um grupo estudando Anatomia e Fisiologia, uma disciplina atualmente com 60 horas. Outro grupo está estudando doenças transmissíveis. No segundo semestre vamos partir para a Optometria e outra área, ainda não determinada, e que está em processo de discussão.

Os professores que já sabem planejar o desenvolvimento do software participam desse processo. Já temos alguns programas desenvolvidos, de pré-microbiologia: um na área de cálculo de dosagem de insulina; outro na área de instrumentação cirúrgica; e outro em terminologia médico-cirúrgica. Os alunos não entendem os termos novos, não conhecem os radicais latinos ou gregos; só sabem ir ao dicionário e às vezes nem os encontram. Estamos desenvolvendo um software para que eles aprendam a decompor a palavra; não queremos ensinar todas as palavras que existem, mas o próprio aluno precisa entender como elas se formam.

Fazer um software educativo é um processo demorado e caro. Mas os resultados estão aparecendo, a organização tem dado todo apoio, inclusive aumentando as verbas para o seu desenvolvimento. Preferíamos comprar software pronto, mas não encontramos nada de bom, ou nada que se adapte ao que queremos ensinar. Estamos obrigados a desenvolver software, não por opção mas porque eles não existem.

Com relação a testes com alunos, utilizamos uma turma-piloto, sem muita metodologia. Ainda não temos um grupo de controle porque nem sabemos que variáveis controlar. Na hora em que colocamos o aluno em contato com o computador, já estamos dando uma motivação a mais; como será que isto interfere ou não? Ainda não determinamos que tipo de controle de variáveis existem, para fazermos testes, digamos, científicos. Então, aplicamos os testes e analisamos no olhômetro ou batendo um papo com os alunos. Isto vai-nos permitir fazer depois uma experiência para avaliar melhor os resultados. Por enquanto, observamos a olho nu, o que não deixa de ser também uma forma de aferição válida.

É isto. Tenho um resumo do programa, com seus objetivos. Isto pode ser xerocado e distribuído.

Intervenção – Caso houvesse software disponível, você compraria ou acha que é mais importante que o professor participe da produção do software, para poder rever todo o seu planejamento curricular? Seria uma forma de desafio, inclusive para mudar a estruturada escola, remexer como vocês fizeram na escola.

Seabra – Acho que este processo existe de qualquer jeito, mesmo que pegássemos um software já existente. Vamos analisar a disciplina, ver seus objetivos, classificá-los. Se existisse um software que se adaptasse às nossas necessidades, nós o compraríamos. É mais fácil, e poderíamos dedicar o tempo que empregaríamos em fazê-lo, realizando outras atividades. Temos um problema de recursos humanos. Estamos tentando conseguir colaboradores para desenvolver software, mas é muito difícil porque a qualidade em geral, no mercado de trabalho, é muito ruim.

Intervenção – Se existisse, no mercado, software capaz de suprir todas as necessidades do currículo, vocês teriam ganho tempo. Mas você acha que a experiência seria tão rica quanto se fosse necessário construir um programa, mexer no currículo, mudar a postura do professor, atender à cobrança da administração? O que você consideraria mais importante?

O resultado compensa. Mas existe a idéia enganosa que se procura vender, de que o computador vem facilitar tudo. Ele não vem trazer soluções fáceis, vem revelar todos os problemas, que ficam evidenciados. Essa é a experiência mais rica. Os resultados estão sendo ótimos, em termos de qualidade de ensino. Muitas vezes, na Educação, há um acomodamento; entra-se em sala de aula, transmite-se o conteúdo e vai-se embora. Nós estarmos sendo obrigados a mudar tudo isto.

Como disse, estamos informatizando essa disciplina, a Microbiologia. Já planejamos, vimos qual o software a ser desenvolvido, que apostilas vão ser feitas etc. Vamos fazer um vídeo, em desenho animado. Nesse semestre temos um grupo estudando Anatomia e Fisiologia, uma disciplina atualmente com 60 horas. Outro grupo está estudando doenças transmissíveis. No segundo semestre vamos partir para a Optometria e outra área, ainda não determinada, e que está em processo de discussão.

Os professores que já sabem planejar o desenvolvimento do software participam desse processo. Já temos alguns programas desenvolvidos, de pré-microbiologia: um na área de cálculo de dosagem de insulina; outro na área de instrumentação cirúrgica; e outro em terminologia médico-cirúrgica. Os alunos não entendem os termos novos, não conhecem os radicais latinos ou gregos; só sabem ir ao dicionário e às vezes nem os encontram. Estamos desenvolvendo um software para que eles aprendam a decompor a palavra; não queremos ensinar todas as palavras que existem, mas o próprio aluno precisa entender como elas se formam.
Fazer um software educativo é um processo demorado e caro. Mas os resultados estão aparecendo, a organização tem dado todo apoio, inclusive aumentando as verbas para o seu desenvolvimento. Preferíamos comprar software pronto, mas não encontramos nada de bom, ou nada que se adapte ao que queremos ensinar. Estamos obrigados a desenvolver software, não por opção mas porque eles não existem. .
Com relação a testes com alunos, utilizamos uma turma-piloto, sem muita metodologia. Ainda não temos um grupo de controle porque nem sabemos que variáveis controlar. Na hora em que colocamos o aluno em contato com o computador, já estamos dando uma motivação a mais; como será que isto interfere ou não? Ainda não determinamos que tipo de controle de variáveis existem, para fazermos testes, digamos, científicos. Então, aplicamos os testes e analisamos no olhômetro ou batendo um papo com os alunos. Isto vai-nos permitir fazer depois uma experiência para avaliar melhor os resultados. Por enquanto, observamos a olho nu, o que não deixa de ser também uma forma de aferição válida.
É isto. Tenho um resumo do programa, com seus objetivos. Isto pode ser xerocado e distribuído.
Intervenção – Caso houvesse software disponível, você compraria ou acha que é mais importante que o professor participe da produção do software, para poder rever todo o seu planejamento curricular? Seria uma forma de desafio, inclusive para mudar a estruturada escola, remexer como vocês fizeram na escola.
Seabra – Acho que este processo existe de qualquer jeito, mesmo que pegássemos um software já existente. Vamos analisar a disciplina, ver seus objetivos, classificá-los. Se existisse um software que se adaptasse às nossas necessidades, nós o compraríamos. É mais fácil, e poderíamos dedicar o tempo que empregaríamos em fazê-lo, realizando outras atividades. Temos um problema de recursos humanos. Estamos tentando conseguir colaboradores para desenvolver software, mas é muito difícil porque a qualidade em geral, no mercado de trabalho, é muito ruim.

Intervenção – Se existisse, no mercado, software capaz de suprir todas as necessidades do currículo, vocês teriam ganho tempo. Mas você acha que a experiência seria tão rica quanto se fosse necessário construir um programa, mexer no currículo, mudar a postura do professor, atender à cobrança da administração? O que você consideraria mais importante?

Seabra – Bom, isto é uma hipótese: se existisse no mercado. De qualquer jeito, teríamos passado pelo mesmo processo; só que no fim, depois de tudo planejado, iríamos ver se existe algo apropriado no mercado. Mas teríamos seguido o mesmo processo. Se encontrássemos algo adequável, compraríamos, sem sombra de dúvida. Temos de informatizar centenas de cursos. O Senac tem dezenas de áreas, centenas de cursos diferentes. É um processo muito lento; talvez no ano 2000 estejamos informatizando a terceira área, pelo modo lento que está se processando. Tudo o que existe no mercado entraria em consideração, sem prejuízo do processo que você mencionou, que é o mais importante, que é o que há de revolucionário em tudo isto; é todo o mundo discutir, fazer uma análise crítica da coisa.

Intervenção – Seria mais uma tecnologia imposta, uma tecnologia onde o professor seria meramente um usuário, como ocorreu com o vídeo, por exemplo. Não se entenderia o porquê, como se programa, qual a importância disso. Pergunto: é importante o professor saber programar, ter o domínio dessa máquina, ou é importante ele ser meramente um usuário?

Seabra – É claro que é importante saber programar, só que, se compramos alguma coisa já pronta, isto só vai acrescentar, não vai suprimir nada. Continua havendo todo o resto.

Intervenção – É sobre a avaliação. Você disse que os quatro softwares serviriam para desenvolvimento daquilo que está sendo exposto. Então, fizeram testes; e qual foi o retorno disso?

Seabra – Por parte do aluno? Olha, a principal coisa para o aluno foi ter um feedback imediato. Experimentamos um programa de avaliação, onde se supõe que o aluno vai ser médico em algum lugar. Ele é confrontado com uma série de situações; vai respondendo e tem o retorno imediato. Assim, se aplicar a vacina Sabin numa criança com hipertermia, a resposta vem logo – a febre dessa criança vai subir. Não é preciso esperar pela correção da prova, que só vem uma semana depois. Isso é um tipo de software de exercício e prática. Um aluno adorou outro tipo de software, mais perto da simulação, porque viu concretizada as coisas que ele pensava; normalmente não se verbaliza todo o pensamento, essa mistura de imagens e sons, aquela coisa toda que é o pensamento. Ele podia ver aquilo, podia chamar o colega para olhar. Houve uma interação entre todos, e eles também gostaram da postura do professor, do tratamento individualizado, de fazer comentários etc. Isto foi o principal.

·


Trabalho resultante das intervenções dos participantes do workshop “Didática da Informática”, realizado de 21 a 27 de fevereiro de 1988 com Jean-Louis Léonhardt (IPEACS-CNRS, França), Antonio Picarelli (MEC/SEINF), Bernardete Gatti (Fundação Carlos Chagas), Carlos Seabra (Senac/SP), David Carraher (Universidade Federal de Pernambuco), Dimitri Domatewicz (CIED/FDE), Elian De castro Machado (Universdidade Federal do Ceará), Fernando José de Almeida (PUC-SP), Frederico Galenbeck (São Paulo Computer Institute), Helena Sloczinski (Universidade de Passo Fundo), Heloísa Vieira da Rocha Silva (Educom-Unicamp), João Fernando Marar (Universidade de Bauru), Jorge Fróes (Universidade Federal Fluminense), José Armando Valente (Educom-Unicamp), Léa da Cruz Fagundes (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Maria Christina de Almeida (CIED/FDE), Maria Hercília Rolim (CIED-FDE), Maria Isabel de Mattos (CIED-FDE), Osvaldo Sangiorgi (ECA-USP), Paulo Gileno Cysneiros (Universidade Federal de Pernambuco), Ricardo Leite de Albuquerque (CIED-MS), Sulamita Ponzo de Menezes (CIED-FDE), Taunay Magalhães Daniel (Multimeios FDE), Zoé Guimarães da Costa (Telesp).

·

Uma resposta to “Informática e educação”

  1. edineliaFerreira da Silva Says:

    Oi, sou enfermeira e tenho experiência em centro cirurgico, como gosto muito da area de educação, gostria de implantar o curso de instrumentção cirurgico na minha cidade.O que preciso para está realização.

    Grata

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: