Software educacional e telemática: novos recursos para a escola

SETEMBRO 1994

Artigo publicado na Revista Lecionare, edição de setembro de 1994.

Com as rápidas transformações nos meios e nos modos de produção, re­sultado da revolução tecnológica e científica, estamos entrando em uma nova era da humanidade. A natureza do trabalho e a relação econômica entre as pes­soas e as nações sofrerá enormes transforma­ções, mudando a natureza do que hoje podemos entender por profis­são. Neste quadro a educação não apenas tem que se adptar às novas necessidades como, principalmente, tem que assuir um papel de ponta nesse processo.

Com o advento da micro-eletrônica e da informática, a estocagem de infor­mações (não as chamarei de conhecimento, pois este é construído no interior de cada pessoa – não se “passa” conhecimento mecânica­mente) em memórias quase infinitas, o processamento de dados em frações de minuto e a impossibili­dade, no decurso de uma vida, de acesso à cultu­ra universal são reveladores da impropriedade dos mé­todos escolares vigentes. O papel dos educadores deve ser repensado e novas estratégias na formação desses profissionais de­vem ser pre­vistas, criando na escola o ambiente para a formação de sujeitos críti­cos, dota­dos de autonomia de aprendizagem.

O computador na escola: que softwares usar?

Somando-se aos tradicionais recursos de ensino, a informática entra na escola permitindo novas concepções de ambientes de aprendizagem. Com a entrada em massa dos computa­dores nas escolas e nas casas, os programas voltados para a educação são os que mais crescem em vendas nos EUA. O chamado software educacional, no entanto, apre­senta uma variedade de tipos e de qualidade muito diversificada, indo daqueles que reproduzem maus livros didáticos até aos que criam ver­dadeiros laboratórios virtuais.

O uso da informática em educação pode ser dividido em duas aborda­gens: a informática no ensino, que visa usar os computadores para o trabalho com disciplinar como geografia, história, matemática ou por­tuguês, e o ensino da informática, que tem como objetivo capacitar as pessoas no uso de sistemas operacionais, linguagens ou no manuseio de programas específicos.

Os diversos tipos de software usados na educação podem ser classifi­cados em algumas ca­tegorias, de acordo com seus objetivos pedagógi­cos: exercitação, tutoriais, simulações, apli­cativos, jogos, linguagens e programas de autoração.

Exercitação é um tipo de programa que tem como objetivo treinar certas habilidades, como dominar o vocabulário de uma língua es­trangeira, decorar terminologia de medica­mentos, treinar a resolução de problemas matemáticos etc. Muitos desses programas aca­bam re­pro­duzindo o lado mais pobre do ensino programado, mas quando bem elaborados e usados adequadamente podem ser um excelente auxílio de treinamento.

Os programas tutoriais caracterizam-se por transmitir informações de modo pedagogica­men­te organizado, como se fossem um livro animado, um vídeo interativo ou um professor ele­trônico. É neste tipo de software que se encontram os piores programas do mercado, o que não exclui sua utilidade, quando corretamente concebidos. Bons exemplos de tutoriais são, geralmente, os que acompanham aplicati­vos comerciais, como o Excel, WinWord etc.

Chamam-se aplicativos os programas voltados para aplicações es­pecíficas, como Proces­sadores de Texto, Planilhas Eletrônicas e Gerenciadores de Bancos de Dados. Embora não tenham sido propri­amente desenvolvidos para uso educacional, permitem in­te­ressantes usos em matérias tão diferentes quanto português, geografia ou bio­logia.

Utilizadas para o desenvolvimento de programas, as linguagens de computador, como o Basic ou Pascal, também podem ser interessan­tes como estímulo à atividade de organiza­ção das idéias, possibili­tando um rico ambiente cognitivo. Com essa finalidade destaca-se, po­rém, a linguagem Logo – desenvolvida por Seymour Papert no MIT, utilizando conceitos de Piaget. O Logo tem sido muito utilizado nas escolas e surge agora com uma interface com a robótica, o Lego Logo, voltado para o comando programado de pequenos aparelhos e má­quinas construídas pelos alunos.

Extensão avançada das linguagens de programação, os softwares de autoração permitem que pessoas, professores ou alunos, criem seus próprios protótipos de programas, sem que tenham que possuir co­nhecimentos avançados de programação. A maioria destes sis­temas facilita o desenvolvimento de apresentações multimídia, envolvendo textos, gráfi­cos, sons e animações, tais como o Toolbook ou o Visual Basic (este um híbrido de lin­guagem de pro­gramação e siste­ma de autoria).

Os jogos, geralmente desenvolvidos com a única finalidade de lazer, podem permitir inte­res­san­tes usos educacionais, principalmente se integrados a outras atividades. Dois exemplos de jogos que permitem a criação de interessantes contextos de aprendizagem são a série Where is Carmen Sandiego (para geografia e história) e SimCity (urbanismo e meio-ambiente). Ambos pos­suem capacidade de utiliza­ção ao longo de várias aulas, rico material de apoio, possibilidade de integração com outras mídias (vídeos, desenhos, reda­ções) e permitem ativi­dades multidisciplina­res envolvendo professores de di­versas áreas.

Finalmente, as simulações são o ponto forte do uso de computador na escola, pois pos­sibili­tam a vivência de situações difíceis ou até perigosas de serem reproduzidas em aula – per­mitindo desde a rea­lização de experiências químicas ou de balística, dissecação de cadá­ve­res, até a criação de plane­tas e viagens na história.

Num mundo onde a informação e o conhecimento são, cada vez mais, a principal fonte de trans­formações da sociedade, torna-se obrigatório usar as novas tecnologias também na educação. Não basta, como no modelo vigente até hoje na educação, que os alunos sim­plesmente se lem­brem das informações: eles precisam ter a habilidade e o desejo de utilizá-las, precisam saber relacioná-las, sintetizá-las, analisá-las e avaliá-las. Juntos, estes ele­mentos constituem o que se pode chamar de pensamento crítico. Este aparece em cada sala de aula quando os alunos se esforçam para ir além de respostas simples, quando desafi­am idéias e conclusões, quando procu­ram unir eventos não relaciona­dos dentro de um entendi­mento coerente do mundo. Mas sua apli­cação mais importante está fora da sala de aula — e é para lá que a escola deve voltar seu esfor­ço. A habilidade de pensar criticamente pouco valor tem se não for exercitada no dia-a-dia das si­tuações da vida real. É aí que as simula­ções, feitas em computador ou não, têm seu papel, forne­cendo o cenário para interessantes aventuras do intelecto.

O uso dos computadores na escola tem sido feito geralmente através de laboratórios com di­ver­sas máquinas, mas torna-se cada dia maior a tendência de entrar com o micro na sala de aula – projetando-se sua imagem numa grande tela, com o auxílio de um projetor de cristal lí­quido que reproduz o monitor do micro.

Este modelo não é novo nem desconhecido. Tom Snyder é um profes­sor americano que se espe­cializou em desenvolver ambientes interati­vos com o uso de softwares de simulação vol­ta­dos para o uso de um único computador por classe, sempre procurando trabalhar com o des­envolvimento do pensamento crítico na sala de aula. Hoje a Tom Snyder Productions possui dezenas se “groupwares” em seu catálogo – quase todos para as áreas de estudos sociais – agrupados nas séri­es Decisons Decisions, Smart Choices e outras.

Telemática: superando os muros da sala de aula

Outro aspecto do uso da informática na educação é a chamada telemá­tica – neologismo re­sultante do cruza­mento da informática com as tele­comunicações. Hoje qualquer ponto do planeta está literal­mente ligado à rede mundial de informações, através da Internet, numa operação que não requer prática, em poucos segundos e com baixíssimo custo.

Uma das siglas mais utilizadas no novo jargão é BBS – do inglês Bulletin Board System – e que poderíamos traduzir como “Sistema de Quadro de Mensagens”. Ou seja, um sistema para troca de mensagens entre indivíduos, grupos e de acesso a publicações eletrônicas e ba­ses de dados remotas.

Para acessar uma BBS não são necessários computadores de última ge­ração, qualquer mi­cro pode ser conectado. Basta dispor de:

• Um computador, que pode ser inclusive um velho XT monocromático;
• Uma linha telefônica (não precisa ser dedicada, pode até ser um ra­mal);
• Um modem – aparelho que converte os sinais do micro para a linha telefônica e, na outra pon­ta, volta a reinterpretá-los (o nome vem de “modulador-demodulador”).
• Um software específico (existem vários no mercado, alguns inclusive de livre distribuição) para gerenciar a comunicação.

O próprio micro, através do modem, faz a li­gação através de discagem na linha telefônica e emite um sinal quando a ligação é completada, para alertar o usuário. Calcula-se que nos EUA existam mais de 40 mil BBS de todos os tipos, mas são apenas al­gumas centenas as que possuem cariz mais profissional. No Brasil já existem cerca de 200 BBS, quase todas amadorísticas e com uma única linha telefônica – o que impede o acesso simultâneo de mais do que um usuário de cada vez, limitando muito seu uso e fazendo com que muitos desistam de novos acessos ao encontrar a linha sempre ocupada.

Em São Paulo, diversas empresas optaram por montar BBS inteira­mente própria, como é o caso de O Estado de São Paulo e da Livraria Cultura. Qualquer pessoa pode se conectar a essas BBS gratuita­mente. O telefone da BBS Estadão é 266-4144 e da BBS Cultura é 285-6272 – mas esses telefones somente permitem conexão através de modem, não se deve li­gar para eles para tentar falar “via voz”.

Algumas BBS de interesse geral – que funcionam como um clube onde se reúnem amigos, neste caso à distância, para conversar e trocar programas – começam a surgir de forma pro­fissional, contando com diversas linhas telefônicas e milhares de usuários. Em São Paulo, o Canal Vip, a maior e mais antiga BBS em funcionamento no Brasil, montou um sistema múl­tiplo, que engloba outras BBS específicas de empresas e instituições (como a Fiesp, o Senac, o Unibanco ou a PUC). O Canal Vip possui diversos setores de acesso público dividi­dos por área de interesse, chamados de “conferências”. Abrangendo diversos temas, elas permitem que os usuários deixem mensagens públicas, para leitura e debate dos demais, e incluem diversas áreas, como Educação, Windows, Medicina, Direito, Internet, Música e mui­tas outras.

A telemática traz um inovador potencial para os educadores. Afinal, a principal tecnologia educa­cional de qualquer sistema educacional reside na formação de seus professores. A troca de idéi­as com outros educa­dores, a nível nacional e internacional, a pesquisa em ban­cos de da­dos, a assinatura de revistas eletrônicas e o compartilhamento de ex­periências em comum dão um novo significado à atividade docente. Existem diversos grupos de interesse que discutem a educação e pro­jetos concretos e que reúnem, através de todo o planeta, educadores de diversas áreas e paí­ses.

Um dos usos mais ricos e inovadores da informática na educação é sua utilização como ins­tru­mento de comunicação, colocando em contacto alunos e professores de diferentes cida­des e paí­ses, de diferentes culturas e línguas, trocando mensagens, desenvolvendo projetos co­muns ou acessando bancos de dados.

As possibilidades de utilização da telemática na educação são inúmeras e permitem projetos em todas as disciplinas do currículo, ou, mais ainda, envolvendo conteúdos interdisciplina­res. Para ilustrar isso, vejamos alguns exemplos de possíveis utilizações:

• Diversos projetos podem ser feitos na área de geografia, baseados na troca de mensa­gens com diversos países. Os alunos passam a ter uma motivação bastante real em co­nhecer onde se situa o pais de seu interlocutor, quais suas características, e a pesquisa de mais in­forma­ções pode se dar através da troca de mensagens – com os alunos pergun­tando a seus interlo­cutores acerca de seu pais e in­formando-os acerca do Brasil (com isso terão necessi­dade de pes­quisar e sistematizar seus conhecimentos sobre seu pró­prio pais: a melhor forma de apren­der é ter que ensinar).

• O ensino de línguas estrangeiras tem, no que poderia ser um obs­táculo à comunicação, um excelente background para promover a aprendizagem. Comunicar-se em outra língua leva ao seu aprendiza­do de modo natural, sem as dificuldades que geralmente se obser­vam no seu ensino. Os erros e mal-entendidos das mensagens serão comentados pelos próprios missis­si­vistas, ca­bendo ao professor o papel de facilitador desse processo.
• Na própria língua portuguesa se observam notáveis avanços com o uso deste recurso, pois a atividade de escrever adquire um novo significado para as crianças (e mesmo adul­tos). No seu dia-a-dia os alunos não precisam da escrita para se comunicar com ninguém, basta-lhes usar o verbo e a gestuália. Na troca de mensagens com parceiros “invisíveis” o único instru­mento é a escrita. Você “vê” seu interlocutor pelo que ele escreve; você sabe que como es­crever é como ele também o verá. Isso leva a uma associação muito produ­tiva e estimulante entre a auto-esti­ma e a procura do bem-escre­ver. Obriga a uma siste­matização dos pensa­mentos e argumentos que tem reflexos muito mais profundos na for­mação do que a mera tro­ca de men­sagens pode­ria supor.

• Experiências cientificas desenvolvidas em conjunto, através da troca de informações e dados de pesquisa, tem revelado um potencial cognitivo e motivador muito promissor. A observação e reflexão de fenômenos científicos adquire um novo significado quando tais coi­sas devem ser transmitidas e e cruzadas com parceiros remotos. O que poderiam ser exigências “chatas” do professor, passam a ser elementos fundamentais da comunicação, vitais para a ação conjunta no projeto. Projetos que mesclam esta atividade com pesquisa em campo (poluição de rios, por exemplo) tem se revelado muito pro­missores.

Além do uso com e pelos alunos, a telemática também traz um inovador potencial para os educa­dores. Afinal, a principal tecnologia educacio­nal de qualquer sistema educacional resi­de na for­mação de seus pro­fessores. A troca de idéias com outros educadores, a nível naci­onal e interna­cional, a pesquisa em bancos de dados, a assinatura de revis­tas eletrônicas e o compartilhamen­to de experiências em comum dão um novo significado à atividade docente.

Existem diversos grupos de interesse que discutem a educação e pro­jetos concretos e que reú­nem, através de todo o planeta, educadores de diversas áreas e países. Um dos projetos mais in­teressantes nessa área foi criado por Odd de Presno em 1991, o KIDLINK, que con­siste em promover a troca de mensagens e o diálogo en­tre jovens de 10 a 15 anos de todo o planeta. Até agora o projeto já contou com a parti­cipação de cerca de 10.000 jovens de 50 países, em todos os continen­tes.

A entrada do jovem no projeto se dá através de mensagem em respos­ta a quatro perguntas bási­cas: 1) Quem sou eu? 2) O que eu quero ser quando crescer? 3) Como eu quero que o mundo seja melhor quando eu crescer? 4) O que eu posso fazer agora para que isso aconte­ça? Desde o final de 1993, entrou em funcionamento um “ponto de encontro” de jovens de língua portuguesa – o que veio facilitar a participação de estudantes do Brasil, Portugal e dos países africanos de expressão portuguesa.

Essa experiência expandiu-se e hoje existem várias ramificações es­pecíficas e subprojetos, alguns reunindo professores em torno da dis­cussão de novas metodologias, outros promo­vendo a troca de arquivos binários entre crianças, com desenhos ou sons produzidos por elas, através do Internet.

Como instrumento de comunicação, seja para difusão de comunicados de cunho administra­tivo, avisos de realização de eventos, cursos e outras programações, a BBS também permite a edição do que hoje se está chamando de jornalismo digital. Boletins, jornais e revistas ele­trônicos possu­em uma série de características que, embora sem jamais esgotar com as mí­dias tradicionais, tor­nam obrigatório seu uso nos di­as de hoje. O potencial para gerar ativida­des interdisciplinares base­adas na produção de materiais editoriais vem, finalmente, viabili­zar a produção de jornais e boletins na escola.

Como introduzir as novas tecnologias na escola, particularmente no ensino público, onde tantas outras prioridades se colocam? A nosso ver, todas as questões devem ser resolvidas integralmente (qualidade total na escola também!), não devendo os baixos salários, as janelas quebradas ou a falta de merenda justificar o atraso tecnológico. Do contrário, com a entrada em larga escala do computador e das teleco­municações na escola particular, estaremos aprofundando cada vez mais a clivagem social entre os alunos daquela e os da escola pública se não houver uma efetiva política que garanta o pleno acesso de to­dos às novas tecnologias.

Num mundo em transformação, onde cada vez mais o computador é o veículo de transporte da mente e um instrumento essencial de traba­lho, não podemos prepa­rar as novas gerações para um mundo de su­balternidade, tanto do ponto de vista individual quanto na perspecti­va da nação. Ademais, não poderá ser este instrumento de comunica­ção, sem limites de fronteira, uma efetiva ferramenta na mão do pro­fessor para a promoção de ambientes interativos de aprendizagem, formação de mentes pesquisadoras, indagadoras, críticas e criativas?

5 Respostas to “Software educacional e telemática: novos recursos para a escola”

  1. Rosiney Rocha Says:

    Sr. Carlos,
    gostaria de obter maiores informações sobre seu artigo Software educacional e telemática: novos recursos para a escola, para utilizar como referência em minha dissertação. Caso possa enviar-me a versão correta, ficarei grata. ]

    Att.
    Rosiney Rocha Almeida

  2. Rosiney Rocha Almeida Says:

    Gostaria de obter informações como o volume e o número da revista em que foi publicado este artigo.
    Obrigada!

    • Carlos Seabra Says:

      Rosiney,

      Este artigo foi publicado na Revista Lecionare, na edição de setembro de 1994.

      A “Lecionare – Guia do Educador” era uma revista anual, editada pela Forma Editora Ltda., desde 1993, reunindo as principais novidades em software educativos, livros didáticos e literatura. Não sei se continua sendo editada.

      [s]
      Carlos

  3. Pabla Paes Says:

    Senhor Carlos,
    Parabéns por seus trabalhos, são excelentes, li alguns e me interessei bastante, gosto dessa área de tecnologias aplicada à educação, recentemente fiz um artigo institulado de “Uma proposta de software educacional para tender as crianças do primeiro ano do ensino fundamental”.
    Gostaria de ver seus softwares, concerteza devem ser tão bons quanto seus trabalhos,
    abraços,
    Pabla Paes

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