Uma cidade feita de impulsos eletrônicos

SETEMBRO 1994

Artigo escrito para a revista “Superinteressante” nº 84, edição de setembro de 1994.

Um software transforma você em planejador, construtor e prefeito. Prepare-se para enfrentar as críticas da oposição.

É só apertar uma tecla e o micro recria tudo o que existe numa metrópole de verdade. E ela ganha movimento, cresce, foge ao controle do jogador. No SimCity 2000 – a nova versão de um jogo consagrado, o SimCity – é assim. Mas é muito mais divertido e mais realista, com desenhos em três dimensões, em lugar do desenho plano de seu antecessor.

O jogador tem de se esforçar para promover o crescimento econômico sem prejudicar a qualidade de vida. Realizar obras dentro do orçamento. Combater a especulação imobiliária e recolher impostos com justiça. Para quem acha pouco, existe um cardápio completo de desafios extras: incêndios, terremotos e furacões infernizam a vida do prefeito. Até invasões de extraterrestres o programa prevê para que, em nenhuma hipótese, o jogador se sinta entediado. Mas nem era preciso. Muito rapidamente fica claro que, mesmo sem as complicações adicionais, não há nada de aborrecido em administrar SimCity 2000. Confira nos quadros desta página e das seguintes. Eles dão uma idéia de como é difícil resolver os problemas que todo cidadão de carne e osso enxerga em suas cidades. Mas nunca teve de enfrentar.

Essa é uma oportunidade imperdível.

1 – Construção
O jogo começa com o terreno virgem, que é preciso limpar e terraplanar antes de começar as obras: hospitais, escolas, metrô e assim por diante. Só as residências, mais tarde, vão ser construídas pelos sims, os habitantes. O resto é responsabilidade do prefeito, de acordo com um plano previamente elaborado. Até uma estátua de si mesmo ele pode mandar erguer.

2 – Opinião pública
Más-notícias: o jornal da oposição carrega nas críticas. Fique atento para as pesquisas de opinião: se a sua popularidade cair, ataque os problemas de frente. No final, se a cidade for um lugar agradável de morar, a população e os negócios vão crescer.

3 – Subsolo
A cidade desaparece e na tela surge uma visão perfeita do sistema de água e esgoto, ou do metrô. Podem-se achar danos nos encanamentos e planejar novas obras. Sempre que for necessário, usa-se um efeito de zoom para ver detalhes ou, ao contrário, obter um panorama mais amplo do sistema todo.

4 – Números
Não perca de vista as estatísticas que aparecem em tabelas sobre a imagem da tela (ao lado, o número total de bibliotecas e de livros da cidade). Há informações de todo tipo, como índices de criminalidade e de poluição em cada bairro. O andamento do jogo depende disso: se a poluição é alta, o valor dos imóveis cai, a renda do município diminui. O prefeito fica sem verba para tocar obras ou para o serviço público.

5 – Finanças
Empresa que não paga impostos em dia, fica sem incentivos da prefeitura: com pulso firme, o prefeito pode controlar empresa por empresa por meio de tabelas detalhadas (na tela, o orçamento, com a receita de impostos). As tabelas incluem o comércio com outras cidades – indicadas num mapa à parte, com o tamanho de cada uma. A complicação aumenta com o desenvolvimento: os setores de serviço, por exemplo, logo se tornam mais importantes que os industriais e as fábricas tendem a ficar mais limpas e lucrativas.

Onde comprar

SimCity 2000 é um software da Maxis, distribuído no Brasil pela Brasoft, telefone (011) 725-3711. Custa R$ 56,00 e é compatível com micros 386 e superiores, com monitor VGA. Há também uma versão em CD-ROM com músicas e efeitos sonoros. As manchetes dos jornais, por exemplo, são lidas por atores. Nas lojas especializadas, custa entre R$ 60,00 e R$ 100,00.

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