Um telefone na mão e uma idéia na cabeça

OUTUBRO 2006

Reportagem de João Luiz Marcondes na Revista A Rede nº 18, de setembro de 2006.

Ponto de cultura da Vila Buarque promove oficinas de filmes de bolso, com imagens capturadas por celulares ou baixadas da internet.

O Ponto de Cultura da Vila Buarque, na região central de São Paulo, criou uma oficina de filmes de bolso. De olho no interesse dos jovens por seus telefones móveis, e outras máquinas registradoras onipresentes, quer fomentar a produção de pequenos vídeos, que podem transitar por e-mails e celulares, e disseminar idéias. O curso dura cerca de quatro semanas, mas não há periodicidade certa para acontecer. O foco é o modo de capturar as imagens. Não apenas filmando, mas também utilizando aquelas que já existem. Pode-se usar, por exemplo, obras com licenças de uso mais flexíveis que o copyright, como as Creative Commons (CC). Ou seja, fazer arte a partir de arte, sampleando, como os rappers.

Os cursos da Vila Buarque utilizam programas de código aberto, como o Cinelerra (saiba mais). “Mas não somos religiosos em relação ao software livre, se a pessoa tiver em casa uma cópia de R$ 5,00 do Adobe Première, não somos contra”, diz Carlos Seabra, gestor do projeto pelo Instituto de Projetos e Pesquisas Sociais e Tecnológicas (Ipso).

Nas aulas, são cumpridas todas as etapas necessárias para o vídeo tornar-se expressão. Ou seja, além de obter imagens e editá-las, é estimulada a publicação dessas histórias. Algo como colocar no YouTube (site de vídeos gratuitos para downloads) e outros endereços na rede mundial.

O que faz a diferença ali é o ambiente de idéias a que o aluno estará exposto ao visitar o Ponto de Cultura. Periodicamente, são realizados ciclos de debates sobre temas como sexualidade, integração da América Latina e urbanização. Além disso, os estudantes são cuidadosamente escolhidos. “Buscamos multiplicadores, formadores de opinião, lideranças de ONGs, ou seja, queremos criar uma massa crítica”, comenta Carlos Seabra. Normalmente, os cursos são gratuitos, mas se alguma instituição com boas condições financeiras (um Sesc, um Itaú Cultural, por exemplo) quiser inscrever um profissional de seus quadros, poderá pagar até R$ 350,00 por um curso. “O que queremos, realmente, é incentivar um protagonismo político”, assume Seabra. Outra intenção é integrar e atrair a própria área da Vila Buarque que, segundo o pesquisador do Ipso, tem mais de 40 entidades atuantes da sociedade civil.

O curso não é rígido no que tange os conteúdos criados. Pelo contrário, quer estimular a produção vinculada às áreas de interesse dos alunos. Que tal filmar a família – e espalhar as imagens para parentes distantes? Ou gravar o que o acha de algum candidato e espalhar pela web? O importante é ter noção de que a comunicação visual, hoje em dia, não está restrita aos grandes meios – e que isso é um grande passo para o ser humano. ”É preciso que as pessoas, de preferência as politizadas, se apropriem dessas ferramentas”, defende Seabra.

Vale ressaltar que há diversos outros tipos de oficinas no Ponto da Vila Buarque. Todas com o mesmo conceito. Há, por exemplo, a de “projetos em vídeo”, que ensina sobre os vários formatos existentes de imagem, sobre digitalização de acervo e até como pedir incentivos por meio de leis. Quem preferir pode se expressar por podcasts, webradios, ou aprender a fazer metarreciclagem em outras oficinas.

http://www.pcvb.utopia.com.br
pcvb@utopia.com.br

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