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Entrevista no Formspring do Instituto Claro

10/01/2011

JANEIRO 2011

Respostas para as perguntas formuladas no Formspring do Instituto Claro, feitas em dezembro de 2010 e respondidads em janeiro de 2011.

O Instituto Claro tem como causa Empreender para Educar e Educar para Empreender. Confira as respostas de Carlos Seabra sobre o uso das tecnologias na educação.

Carlos Seabra tira dúvidas dos leitores sobre como as tecnologias potencializam a aprendizagem

Olá. O Instituto Claro agradece a todos os internautas que mandaram suas dúvidas sobre como a tecnologia potencializa a educação. Carlos Seabra responde logo abaixo. Confira!

Por gentileza, como potencializar o ensino através da tecnologia, para o público mais carente? Obrigada, Silvia Moura

A cada dia, mais pessoas das classes mais carentes têm acesso às novas tecnologias, incluindo internet e celulares. Mesmo a imensa parcela da população que ainda não tem acesso será incluída, com o barateamento do custo dos equipamentos e políticas de universalização. O grande desafio é desenvolver estratégias pedagógicas, atividades motivadoras e projetos que levem à construção do conhecimento, pensando-se em promover uma “inclusão cognitiva” para além da chamada inclusão digital.

Olá, Carlos. Você incluiria o blog como uma tecnologia educacional que pode potencializar o currículo?

Sem dúvida, os blogs são uma interessantíssima ferramenta que, se usada no contexto educacional, pode ser uma grande aliada dos profissionais de educação. Informações apresentadas explorando diversos assuntos, seja no formato de diários, contos, notícias, poesias, artigos etc., podem despertar uma nova onda de produção escrita em muitos jovens. Os blogs são uma excelente forma de comunicação, permitindo que seus autores se expressem de acordo com suas convicções e visões de mundo e que outras pessoas possam ler e registrar comentários sobre a produção textual do blog. Isso vale tanto para professores terem seus blogs individuais, compartilhando pensamentos e informações com seus pares ou com pais e alunos, quanto para uma classe ter um blog coletivo, ou os alunos fazerem blogs em grupos ou individualmente.

Bom dia Carlos. Trabalho com crianças de escolas públicas com problemas de aquisição da leitura e escrita na imago.org.br. Como as novas tecnologias potencializam a aprendizagem?

As tecnologias potencializarem a aprendizagem é um fato se houver o engajamento dos professores e dos alunos em projetos específicos, pois não é algo que ocorra espontaneamente, a não ser em casos esporádicos. Engajar os alunos em atividades que levem à leitura e escrita, seja em processos de comunicação escrita com alunos de outras cidades, produção de pequenos contos ou poesias, ou minirreportagens e publicação em blogs, são alguns exemplos de possibilidades que permitem que esse potencial redunde em estímulo e facilitação da aprendizagem.

Eu tenho alguns Projetos de Inclusão Digital, Gostaria de Saber qual a melhor forma de poder divulgar apresentar estes projetos com uso das tecnologias que potencializam a aprendizagem ? email: fernandoinstrutor.tecnologia@hotmail.com

Se a intenção é apenas a divulgação, a melhor forma é a criação de um website, ou mesmo um blog, além de usar as redes sociais para sua divulgação, tais como Twitter, Facebook, Orkut etc. Mas, se a intenção é conseguir apoios viabilizadores, você deve procurar, através de um release bem resumido, contactar empresas, jornalistas, educadores e ficar atento a editais na área. Lembre-se: nem sempre a melhor das intenções viabiliza projetos, é importante dar-lhes um formato claro, que mostre seu diferencial e possua estrutura objetiva, com metas a alcançar e custos bem definidos.

Sonhei e Realizei, formei 3 turmas em gestão de pequenas empresas, com a tecnologia do telecurso TEC, o curso parou não sei se continua no ano que vem, aprendi com a praxis. Voce acha que o aprender ensinar vai se fazer naturalmente com a tecnologia?

Aprender a ensinar e aprender a aprender são competências básicas que não decorrem naturalmente da tecnologia em si, mas que podem e devem ser enormemente facilitadas por ela. Acreditar que a tecnologia, por si só, garanta avanços transformadores é um equívoco, propalado por vendedores de equipamentos e de softwares e por fanáticos tecnológicos. Educação a distância é um caminho muito promissor, mas que exige um investimento de desenvolvimento e uma atenção redobrados, como você deve ter vivenciado.

Como poderiamos melhorar a educação com os recursos da tecnologia, incentivando principalmente o educador a utiliza-la sem medo de perder o seu lugar no mercado de trabalho?

Um educador ter medo de perder seu lugar para recursos tecnológicos é algo tão descabido quanto uma mãe temer ser trocada por uma geladeira, que é um recurso tecnológico de apoio à alimentação de seus filhos – tanto quanto o computador é uma extensão do cérebro do professor e de seus alunos. Os professores devem ter medo é de ter medo, devem recear a falta de curiosidade, a ausência de experimentação. Estar aberto aos recursos da tecnologia é também uma forma de estabelecer novas parcerias com os alunos, engajando-os em processos de aprendizagem colaborativa.

Bem,que a tecnologias ajuda no apredesado isso nós sabemos, mais a questão é si maramos em um pais que á maioria não tem três refeiçois basicas par dia como essas pessa tec.era pontencializar ou acelera,ajudar no aprendizado do nosso povo.(alimenti

Todo esforço e atenção investidos na superação dos fossos sociais que temos em nosso país redunda em melhorias visíveis em qualidade de vida e em seus indicadores de saúde, alimentação, cultura e educação. Além das três refeições básicas a que você se refere, é fundamental uma quarta refeição diária, que é a do espírito, do intelecto. Nesse sentido, a tecnologia pode e deve ser usada como um “cavalo de Troia”, que permita ultrapassar as muralhas da clivagem social e dar novos saltos de qualidade de vida.

Como voce vê a tecnologia como uma nova ferramenta de aprendizagem? Já que na maioria das vezes acaba com vinculo social e troca de experiências.

Vínculos sociais e trocas de experiências podem ser componentes preciosos para a facilitação e o estímulo à aprendizagem, desde que inseridos em um projeto de ensino e cujos resultados sejam permanentemente acompanhados e (re)avaliados. A verdadeira ferramenta de aprendizagem são nossos cérebros (com uma pitada de ajuda dos nossos corações, olhos, boca e mãos), e devemos encarar as tecnologias como próteses extensoras de suas capacidades.

Como podemos alinhar o uso da tecnologia ao paradigma com a utilização dos recursos naturais? Não parece um contra censo

As tecnologias podem ser um poderoso aliado do uso sustentável dos recursos naturais (ao buscar uma informação na internet você não precisa se deslocar fisicamente para obter o mesmo resultado) ou comprometê-los (caso dos motores a combustão com efeitos altamente poluidores). Assim, não se trata de nenhum contrassenso, ao contrário, pois tecnologia na plena acepção do conceito pressupõe levar em conta todos os aspectos envolvidos. Mas isso não significa não nos preocuparmos permanentemente com aspectos ligados ao lixo tecnológico, à emissão de radiações e outros.

Como usar o celular para incrementar minhas aulas de ciência no 1º grau?

O celular pode ser usado em sala de aula, e também fora dela, como complemento ou centro de algum projeto pensado especificamente para seu uso. Por exemplo, usando o celular para fotografar determinados objetos solicitados pelo professor ou numa gincana de conhecimentos em que os alunos consultem fontes externas usando seus celulares. O fundamental é que seja uma estratégia pensada e elaborada pelo professor, que com os erros observados e os avanços identificados vá desenvolvendo sua metodologia.

Olá, Prezado Senhor Carlos Seabra !!! Gostaria de saber do senhor se, nos dias de hoje, é possível aplicar Metodologias de Aprendizagem que possam se utilizar de Conceitos de Civismo aplicados em Escolas Públicas em nosso País? Muito Agradecido. Ma

O civismo consiste nas atitudes e no comportamento assumidos pelos cidadãos, fundamentais para a vida coletiva. Como cultura política a ser construída, necessita de uma metodologia de aprendizagem que seja motivadora e engajadora. O uso de tecnologias de informação e comunicação também nesta área pode ser bastante efetivo, rompendo o tratamento “careta” e conservador tantas vezes dado a esta questão.

gostaria de saber quais os caminhos mais viaveis para tirar um projeto do papel e colocalo em pratica, pois ja tentei atraves do instit.claro mas nao soub trnsmitir realment meus objetivos que tenho certeza sera de grande importanc. economc. e socal obr.

Um projeto para sair do papel e ser colocado em prática depende em grande parte de uma feliz combinação de oportunidade e de competência. Como já foi dito em resposta anterior, é importante que o projeto tenha um formato claro, mostrando seus diferenciais em relação a outros semelhantes, com uma estrutura objetiva, definindo metas a serem alcançadas e, claro, com os custos bem listados e definidos. Ao formatar o projeto, procure vê-lo não como você o imagina mas sim como a pessoa, ou instituição, a quem o vai apresentar.

Trabalho com alunos do ensino fundamental na rede pública a utilização do celular como recurso de aprendizagem. Gostaria de saber como conseguir parceria junto a operadoras de telefonia móvel para tornar meus projetos mais significativos. Grata.

O primeiro passo, com certeza, é você divulgar como tem usado o celular como recurso de aprendizagem na escola pública. Uma grande dificuldade (existem muitas outras, infelizmente, sendo das maiores os custos envolvidos, que no Brasil estão entre os maiores do mundo) é a diversidade de operadoras que os alunos usam, o que dificulta o apoio de uma operadora a ações envolvendo celulares de outras. Há usos do celular que não necessitam de ligações de voz, mensagens de texto ou tráfego de dados, mas sabemos como é empobrecedor lidar com essas limitações, pois afinal cada dia mais o celular (principalmente os smartphones) é um computador no bolso de cada um.

Sr Seabra, Como desenvolver a aprendizagem de crianças e adolescentes carentes que não tem, ou tem pouco acesso as tecnologias modernas, se elas não tem como adquiri-las?

Quando surgiu a televisão, que era um aparelho caro e para poucos, os educadores tiveram uma postura omissa, quando não reacionária. Poucos anos depois, a TV estava em todos os lares. O mesmo acontece hoje com os computadores, a internet, os celulares: a cada ano, parcelas mais e mais numerosas da população têm acesso a esses recursos. Populações que ainda não têm água e esgoto, carentes de saúde e educação, já têm acesso à tecnologia. Isso deve mudar nosso foco de preocupação.

Bom Tarde Professor O estado do Piaui 19 por cento de sua população não é alfabetizada na maioria estão na faixa étaria acima dos 40 anos, como utilizar a tecnologia educacional para reduzir estes índices? AURI DIAS – ADSBP Presidente

A alfabetização, ainda mais em adultos, não é um assunto trivial, embora deva ser uma prioridade em qualquer política pública. Essa população não alfabetizada certamente assiste à televisão e boa parte se comunica telefonicamente, certo? Um dos grandes potenciais da tecnologia é ampliar a realidade, fazer simulações, criar contextos lúdicos, e isso tudo pode e deve ser pensando em conjunto com as metodologias de alfabetização. Segundo Paulo Freire, a leitura do mundo sempre precede a leitura da palavra – nesse sentido, as novas tecnologias de informação e comunicação possuem condições ímpares para fazer a ponte entre essas duas leituras, do mundo e da palavra, cabendo aos educadores a descoberta e a elaboração dessas possibilidades.

Como as tecnologias podem ser nocivas ou beneficiam as formaçoes das redes sociais

Como podemos observar pelas redes sociais que se desenvolvem através da internet (Twitter, Orkut, Facebook e outras), as tecnologias na web, e sua interconexão com a mobilidade (celulares, smartphones e tablets), são poderosos e naturais instrumentos para que a humanidade faça o que sempre fez desde o início de nossa espécie: tecer relacionamentos, físicos ou virtuais, envolvendo finalidades profissionais, sexuais, amizades, casamentos, negócios… Como isso pode ser usado na educação é algo que necessita, principalmente, de acompanhamento e engajamento proativo dos professores, que podem através desses ambientes acompanhar, mais do que nunca, como seus alunos pensam, como se expressam, e assim desenvolver e adequar suas estratégias pedagógicas.

Como usar, e/ou onde encontro exemplos, da utilização do celular na educação? É um aparelho presente na vida de praticamente todo estudante, mas que se tornou mais um objeto de conflito em sala de aula do que de oportunidade.

Essa é uma interessantíssima possibilidade ainda pouco estudada e aplicada, que como você destaca é mais um motivo de conflitos e proibições do que uma real oportunidade de ferramenta de ensino e aprendizagem. Esse conceito é conhecido também como “m-learning” (mobile learning, ou aprendizagem por celular), procure referências a respeito na web. A grande preocupação e receio dos educadores é com o potencial desvio de atenção que os alunos podem ter: imaginemos durante uma aula eles ficarem a conversar com namorados, familiares ou amigos! Mas o mesmo potencial distraidor podem ter as canetas e folhas de papel, pois um aluno pode não prestar atenção à aula e fazer outras coisas com esses recursos. Claro que o exemplo é fraco, pois o potencial de distração do celular é muito maior, canetas e papéis não tocam e não fazem outras tantas coisas… O principal, a meu ver, é uma experimentação e uma pactuação do professor com os alunos: experimente discutir com eles os limites e as possibilidades, como uma abordagem inicial.

Tenho trabalhado com produção de vídeo-aula em matemática, e gostaria de tornar minhas aulas mais interativas e eficiente, entretanto, não encontro nenhum material, textos, com o tema “como as tecnologias potencializam a aprendizagem”. Qual sua

O uso de audiovisual em aulas é pleno de potencial e abordarei aqui apenas dois aspectos. Um é usar filmes em sala de aula: é necessário selecionar trechos, pois vídeos muito longos só levam à perda de atenção (o ideal é algo em torno de oito minutos de duração), e fazer uso das pausas e mesclar a exibição com o debate, a verbalização, e juntar isso a outras atividades (redação, desenho, trabalho em grupos). Outro é a produção de minivídeos: usando celulares, câmeras fotográficas ou mesmo filmadoras (cada dia os primeiros com mais qualidade, os segundos mais baratos), em trabalhos feitos individualmente ou em grupo. Interessantes possibilidades nesse sentido podem ser vistas no Claro Curtas (www.clarocurtas.com.br) ou no Festival do Minuto (www.festivaldominuto.com.br).

Olá, gostaria de sua opinião sobre o uso de softwares específicos para auxílio ao processo de ensino-aprendizagem de portadores de deficiência visual.

Se o computador, o celular e a internet são formidáveis extensões de nossas capacidades para as pessoas sem necessidades especiais, para quem possui qualquer tipo de deficiência, visual, auditiva, de locomoção ou outras, a diferença é altamente impactante para um salto na qualidade de vida! No caso específico de pessoas cegas ou com visão subnormal, os softwares que permitem leitura automática, com voz sintética, possibilitam inúmeras aplicações no ensino e na aprendizagem.

Especialista ensina professores a usar a tecnologia como aliada na sala de aula

10/12/2010

DEZEMBRO 2010

Reportagem especial do jornal Zero Hora, feita por Juliana Bublitz, em 10 de dezembro de 2010, por ocasião da palestra de lançamento da publicação Tecnologias na Escola.

Para prender a atenção da gurizada

Para ajudar os professores a transformar as tecnologias da informação em ferramentas no processo de aprendizagem, o editor Carlos Seabra, palestrante do Fronteiras Educação – Diálogo com Professores, dá dicas práticas que podemser usadas na sala de aula. Entre elas, a “webgincana”. Confira.

Para ajudar os professores a transformar as tecnologias da informação em ferramentas no processo de aprendizagem, o editor Carlos Seabra, palestrante do Fronteiras Educação — Diálogo com Professores, dá dicas práticas que podem ser usadas na sala de aula. Entre elas, a “webgincana”. Confira.

Imagine a cena: irritada com alunos que não param de teclar ao celular, a educadora respira fundo, larga o giz, leva as mãos à cintura e ordena que os adolescentes desliguem os aparelhos. Do fundo da sala, em meio ao burburinho, ouve um protesto.

— Por que a gente não pode tuitar na aula? — questiona o guri de boné e roupas largas, cheio de razão.

Para o editor Carlos Seabra, palestrante do Fronteiras Educação — Diálogos com Professores, os estudantes não só podem, como devem. Coordenador editorial do Núcleo de Educação da TV Cultura, Seabra esteve ontem em Porto Alegre, no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Para ele, não há saída: se quiserem falar a língua da gurizada, os professores precisam explorar o potencial das novas tecnologias:

— Caso não façam isso, correm o risco de ficar parados no tempo.

Português de nascença, o editor de 55 anos convidou o público formado basicamente por professores para acompanhá-lo em um passeio pelo que chamou de “jardim zoológico da tecnologia”. Para quem nunca (ou pouco) havia ouvido falar de Wikipédia e Facebook, ele fez as apresentações. E mais: deu dicas de como usar as ferramentas em aula.

Navegação

Como fazer os estudantes usarem a web sem apenas copiar dados? A dica é propor pesquisas e atividades nas quais os sites de busca não sejam o fim, mas o começo do trabalho.

Exemplo: Crie uma “webgincana”, pedindo que os alunos separem-se em grupos e pesquisem sobre um tema, com prazo determinado. A pesquisa poderá envolver textos, fotos, áudios e vídeos, que serão apresentados e debatidos com a turma. Como em uma gincana, as etapas do projeto terão pontuação para animar a garotada.

Principais sites de pesquisa:

Google (www.google.com.br): por meio dele, é possível buscar informações de quase todos os tipos e de várias épocas. Wikipédia (www.pt.wikipedia.org): é uma enciclopédia livre, feita com contribuições de internautas.

Celular

Embora algumas escolas proíbam o uso do celular, ele pode ser uma ferramenta muito útil na sala de aula. Mas como fazer os alunos usarem o equipamento de forma instrutiva?

Exemplo: Convide os estudantes a gravarem entrevistas em vídeo ou até um documentário com um telefone. O vídeo poderá ser sobre a escola ou sobre o bairro. Depois de pronto, poderá ser disponibilizado no YouTube (www.youtube.com), o maior acervo de vídeos da internet, e ser inserido em blogs e sites.

Os trabalhos podem ser individuais ou em grupo e variar de ficções a documentários.

Conversas na web

A comunicação via e-mail já está consagrada em muitas escolas, mas as conversas por mensagens instantâneas ou por chat ainda não são exploradas como poderiam.

O desafio do professor é trazer para o ambiente escolar essas novas ferramentas para que o aluno entenda a importância de escrever ao se comunicar com o mundo, mas como?

Exemplo: Peça aos alunos que, por meio de um desses programas, chat ou e-mail, conversem com estudantes de outras partes do Brasil. Que colham informações sobre a maneira como vivem e elaborem um trabalho individual ou coletivo sobre o assunto.

Ferramentas de comunicação:

MSN (www.windowslive.com.br) e Skype (www.skype.com). Os programas podem ser facilmente baixados na internet. Com eles, é possível conversar com uma ou mais pessoas ao mesmo tempo, fazer videoconferências e, em alguns casos, enviar arquivos, gravar vídeos e conversas.

Gmail (www.gmail.com), Hotmail (www.hotmail.com) e Yahoo! Mail (www.yahoo.com.br). Para criar uma conta em qualquer um deles, basta acessar as páginas e preencher os cadastros. Os e-mails são gratuitos.

Mapas digitais

Por que se restringir ao velho mapa pendurado na parede se hoje é possível usar programas como o Google Earth e mostrar regiões, países e cidades em detalhes?

Exemplo: Faça com que os alunos pesquisem sobre a vida do arquiteto Oscar Niemeyer nos sites de busca. Em seguida, peça que descubram e assinalem no mapa virtual onde estão suas obras no mundo. Ou, durante as aulas de história, mostre os contornos atuais do Império Romano.

Programas de mapas na internet:

Google Maps (http://maps.google.com) e Google Earth (www.google.com/earth), ambos com acesso gratuito.

Redes sociais

Pesquisas recentes revelam que as redes sociais vêm sendo mais usadas para comunicação entre jovens do que os e-mails.

A cada dia surgem novas opções, e o professor pode tirar proveito disso.

Exemplo: Peça para seus alunos entrarem no Twitter (www.twitter.com). Como o formato de postagem de mensagens não permite mais do que 140 caracteres, desafie a gurizada a demonstrar uma ideia, resumir uma informação, transmitir um conceito, escrever microcontos, de acordo com o objetivo da aula.

Fonte: Tecnologias na Escola, de Carlos Seabra – Fronteiras do Pensamento.

Perguntas para o especialista
A pedido de Zero Hora, cinco professores da Capital elaboraram perguntas para o palestrante Carlos Seabra. Confira as dúvidas apresentadas e as respostas do especialista:
De que forma usar as redes sociais como ferramenta para o ensino de língua inglesa?
“As redes sociais facilitam muito o ensino de qualquer idioma. São uma ferramenta fantástica, porque a pior coisa é você aprender uma língua só na base da gramática. Os professores podem usá-las estimulando os alunos a falarem com jovens de outros países a partir de tarefas específicas. Mas isso deve ser feito com um fio condutor. Os estudantes precisam ser orientados quanto ao assunto tratado.”
CALHANDRA PINTER, Inglês
Como eu poderia usar as redes sociais nas aulas de geografia?
“Você pode mesclar o uso das redes sociais com um software de mapas, como o Google Maps, e inventar uma viagem, criando um roteiro e assinalando os locais na tela. Uma ideia é refazer, por exemplo, os caminhos da Coluna Prestes ou passar pelos lugares onde grandes navegadores estiveram. Você vai conhecendo o mundo, até porque nos mapas virtuais há fotos. Você pode pedir que os alunos procurem músicas e comidas típicas dos locais visitados. O principal é soltar a imaginação.”
KENNY BASTOS, Geografia
O telefone celular poderia ser incorporado à sala de aula como mais uma ferramenta para a construção de conhecimento?
“Tem de ser. O celular é um pequeno computador, manda mensagem, é máquina fotográfica, gravador e agenda. É inconcebível que a escola não use o celular na educação, e que ele seja proibido. Por que não permitir, em uma prova, que os alunos usem o celular como quiserem, mas exigindo que respondam de modo criativo? O celular pode virar uma ferramenta interativa de pesquisa com recursos que estão fora da sala de aula.”
TANIA IWASZKO MARQUES, Psicologia
Se a maior parte das escolas não tem aparato tecnológico suficiente, quais são as alternativas para o professor?
“Os impedimentos secundários. Vamos lembrar de quando surgiu a TV. Só da classe média alta para cima havia acesso. Os educadores tiveram uma posição omissa, dizendo que poucas pessoas tinham os aparelhos. Ficaram para trás. Com os computadores, é a mesma coisa. Hoje, é difícil encontrar alguém que não tenha acesso a e-mail. É importante que se preparem para usar o computador, mesmo que não o tenham.”
WAGNER CÉSAR BERNARDES, Matemática
De que forma o uso das tecnologias pode substituir a figura do professor? Como fica o papel dele, tendo em vista esses novos recursos?
“Eu diria que o professor que pode ser substituído por um software ou por uma máquina deve ser substituído. O computador deve ser encarado como uma ferramenta. Quanto mais o educador entender o que se passa no cérebro de seus alunos e usar o computador como uma ferramenta, mais ele será insubstituível. O computador sem o professor não é nada.”
BRUNO ORTIZ, História

Abaixo, original da reportagem, em formato PDF:

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