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Um universo pedagógico a explorar através das novas tecnologias

01/02/2011

FEVEREIRO 2011

Entrevista  para a publicação Educação em Revista, do Sindicato do Ensino Privado (SINEPE/RS), edição 84, de fevereiro/março de 2011.

Pergunte a um jovem o que ele gosta de fazer nas horas vagas. Entre as preferências de 99,9% dos entrevistados está a internet. Hoje, é inquestionável a presença da web na vida dos estudantes, e a pergunta que fica para muitos educadores é como transformar os recursos da web em ferramenta pedagógica eficaz para a aprendizagem. Na opinião do consultor e coordenador de projetos de tecnologia educacional e redes sociais, Carlos Seabra, o primeiro passo é o professor se apropriar das tecnologias, para ent”ao pensar como fazer uso delas em sala de aula. Mas ele adianta que n”ao existe receita pronta para isto, é preciso experimentar.

Diante desta nova realidade, o especialista ressalta que o papel do professor não é mais o de ser quem domina todas as informações e as repassa aos alunos, mas sim alguém que os acompanha na pesquisa dessas informações, estimulando o pensamento crítico e autônomo dos alunos, preparando-os para aprenderem a aprender.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista realizada com o consultor em sua passagem por Porto Alegre, quando fez palestra no Fronteiras da Educação – Diálogos com Professores.

Muitos professores se veem em uma difícil tarefa na sala de aula, não conseguem falar a mesma língua de seus alunos, que já nasceram na geração digital. Qual o conselho que o senhor dá a estes professores ‘analógicos’?

Que coloquem a “mão na massa”, que experimentem, que se apropriem. Sem isso, abrir-se-á um grande fosso entre eles e seus alunos, e mais ainda, entre eles e um mundo cada vez mais digital.

É fundamental que as tecnologias, disseminadas em larga escala e que estão sendo usadas até pelas classes mais carentes, sejam pensadas também do ponto de vista dos educadores, que as usem em seu quotidiano, em sala de aula, para se atualizarem, para fazerem um uso pedagógico das mesmas.

O uso das tecnologias pode substituir a figura do professor?

Um professor que possa ser substituído por uma tecnologia, deve sê-lo! Isso só ocorrerá se ele não for um professor de verdade, pois este tem seu papel cada vez mais importante na chamada sociedade da informação e do conhecimento.

Assim como uma mãe não pode ser substituída por quaisquer tecnologias, por mais que estas a auxiliem a cuidar de seu bebê – ninguém pergunta se uma geladeira pode substituir uma mãe – também nenhum artefato tecnológico pode substituir um professor, até porque tecnologia é antes de tudo uma questão de “cabeça” e portanto isso pressupõe um professor estimulador e facilitador, que necessariamente deve se apropriar e dominar essas tecnologias.

Como fica o papel dele, tendo em vista esses novos recursos?

O papel do professor é cada vez mais o mesmo: que ele deveria ser sempre, um estimulador da aprendizagem, que saiba perceber o que se passa na cabeça de seus alunos, que identifique suas dificuldades de aprendizagem, que procure criar estratégias facilitadoras da construção do conhecimento.

O papel do professor não é mais o de ser quem domina todas as informações e as repassa aos alunos, mas sim alguém que os acompanha na pesquisa dessas informações, estimulando o pensamento crítico e autônomo dos alunos, preparando-os para aprenderem a aprender.

O senhor acha que as redes sociais podem servir como ferramenta pedagógica? De que forma?

A forma em que as redes sociais podem servir como ferramenta pedagógica, e certamente elas têm esse grande potencial, é justamente um desafio para os próprios professores procurarem essa resposta!

O contexto está dado: as redes sociais são usadas pelos alunos de forma intensiva e um professor que apenas acompanhe o que seus alunos ali escrevem, que veja os interesses, os assuntos sendo discutidos, que perceba como eles se comunicam, como articulam suas discussões, esse professor terá no mínimo um conhecimento ímpar de como seus alunos pensam e como interagem.

Como o professor pode estimular seus alunos a usar a web não apenas para copiar dados?

A web veio para matar de vez a pseudo-estratégia de pedir aos alunos para pesquisar um assunto e considerar que a mera cópia escrita à mão com caneta num papel, tirada de uma enciclopédia ou outra fonte, resolvia a tarefa. A informática, permitindo o copiar e colar com o gesto de um mouse, e o acesso à vastidão de informações disponíveis na web, colocaram em cheque essa visão.

Os alunos somente copiarão os dados se a tarefa solicitada for essa. Mas se a tarefa dada pelo professor exigir construção, elaboração, será impossível limitar-se a copiar. Por exemplo, se um professor pedir aos alunos que pesquisem sobre répteis, primatas, felinos, e escrevam como se um jacaré, um macaco ou uma onça soubessem escrever e se expressar em nossa linguagem, os alunos terão que transformar as informações coletadas sobre hábitos de alimentação, tempo de vida e habitat, em algo que é impossível de copiar pois a natureza da tarefa dada impossibilita isso.

E quanto a outros aparelhos multimídia, como celulares, MP4, ipad, o senhor acha que podem ser ferramentas úteis na sala de aula? Como devem ser usados?

Esse é um grande desafio! Sem dúvida que necessitam ser usados, mas o caminho passa por inúmeras questões que não são novas mas ficam bastante agravadas com essas tecnologias. Há que se evitar, por um lado, o simples banimento da sala de aula ou da escola, e, por outro lado, evitar também que sejam distrações que prejudiquem a aprendizagem, tirando o foco do que realmente interessa – que é o processo de construção do conhecimento.

Como usar um livro ou um filme em sala de aula? Certamente boa parte dos professores terá algumas respostas para isso, embora saibamos o quão ainda são mal utilizados em sala de aula esses recursos. Assim como não basta pegar um filme e exibi-lo em sala de aula (é necessário pensar atividades antes ou durante sua exibição, além de talvez exibir apenas um trecho significativo) também não se trata de “liberar” o uso do telefone celular em sala de aula.

É necessário pensar nas ações, nas tarefas, nos processos cognitivos envolvidos, ter uma estratégia pedagógica, seja para o uso de celulares seja para tablets ou mesmo computadores. E pensar isso pensando não só na sala de aula mas também na integração com outros momentos da vida dos alunos, em suas casas, em atividades extra-escola etc.

Quais os benefícios destas novas tecnologias para o desenvolvimento cognitivo dos alunos?

As novas tecnologias de informação e comunicação são extensões do cérebro, permitem concretizar conceitos, juntar dados a informações significativas, desenvolver projetos que exijam a aplicação prática de conceitos teóricos…

Mas é necessário levar em conta que o mero uso dessas tecnologias não garante maior domínio da linguagem ou do raciocínio, não assegura a formação cultural nem o desenvolvimento de cidadãos, pois isso somente é assegurado quando há uma afetiva apropriação pelo projeto pedagógico, e esse é o desafio que torna os professores o elemento central dessa questão.

Quando estas novas tecnologias podem interferir no aprendizado, de forma negativa?

Quando são meros distratores, quando não são utilizadas de forma integrada em estratégias de ensino e aprendizagem. Assim como papel e lápis por si não resolvem nada e até podem ser usados para produzir material preconceituoso, racista ou sexista, assim como o audiovisual pode apenas tirar a atenção e o foco de uma aula, tudo o que não seja pensado e não tenha uma proposta de uso consistente pode impactar negativamente.

Não existem receitas prontas nem ditames a seguir. O grande desafio é justamente esse: os educadores devem se apropriar das tecnologias para pensar que usos podem fazer delas. E não ter receio de experimentar, de errar, nem tampouco cair na armadilha de acreditar em soluções prontas e mágicas!

Como desenvolver o senso crítico nos jovens de hoje, para o uso consciente da internet e das redes sociais?

O desenvolvimento do senso crítico é um dos esteios da educação, sem dúvida. O uso da internet e das redes sociais apenas permite maior integração e transparência das relações entre os alunos e deles com assuntos e temas de seu interesse. Cabe aos educadores aproveitarem a possibilidade aberta por essas tecnologias para acompanhar mais de perto os jovens e construir, em conjunto com eles, novos processos integradores da formação crítica de cidadãos, de artistas, cientistas, profissionais, de seres humanos na mais plena acepção!

Como explicar que, em meio a tantos recursos tecnológicos, a qualidade do ensino continua deixando a desejar, já que os resultados das avaliações continuam comprometendo a imagem do país? Neste sentido, a tecnologia poderá ajudar a superar esta situação?

Não basta colocar um monte de computadores, DVDs e outros artefatos nas escolas. É preciso focar os esforços nos processos de ensino e aprendizagem, de modo criativo e crítico, buscando aliar a inovação tecnológica, o lúdico e o motivacional, com a seriedade pedagógica que tantas vezes sucumbe ante as rotinas desmobilizadoras e desinteressantes que são os verdadeiros geradores dos resultados dessas avaliações, que colocam nosso país num patamar muitas vezes inferior a seu real potencial.

 

Confira dicas práticas sobre como usar os recursos tecnológicos para tornar a aula mais atrativa:

Incentive a produção audiovisual: A maioria dos celulares possibilita a gravação de pequenos vídeos. Máquinas fotográficas digitais também permitem filmagens. O projeto pode ser um trabalho individual ou em grupo, uma ficção desenvolvida a partir de um roteiro feito pelos alunos ou um documentário comk tema e objetivos bem definidos. O produto final pode ser postado em um site, como o You Tube, o maior acervo de vídeos na internet.

Trabalhe com o som: O som é outra interessante possibilidade de uso na escola, na forma de músicas, entrevistas em programas de rádio, trabalhos em grupo apresentados em áudio. Você pode pedir aos alunos que façam trabalhos extraclasse, como a gravação de entrevistas, a simulação de um programa de rádio com temas específicos, ou mesmo uma gravação musical. Os trabalhos podem ser publicados na internet, por meio de podcasts, blogs ou audioblogs e sites específicos de compartilhamento de arquivos sonoros.

Explore as imagens: Para trabalhar com imagens e fotografias, um exemplo seria explicar aos alunos que Cristóvão Colombo, durante suas viagens, registrava todas as suas impressões em um diário de viagem. Para ilustrar seus relatos, as páginas eram acompanhadas de várias figuras das regiões por onde ele passou. Era pela pintura e pela ilustração que se registravam os acontecimentos passados. Após essa explicação aos alunos, você pode solicitar que eles pesquisem imagens na internet para ilustrar um determinado tema, ou que registrem por meio de fotografias acontecimentos que considerem importantes ou até mesmo curiosos. O resultado final pode ser apresentado para a turma, por meio de exposição nas paredes da sala ou em algum álbum online (como o Flickr ou Picasa), blog ou fotolog.

Fonte: Cartilha “Tecnologias na escola”. Acesse o material em:  www.scribd.com/doc/41921420/Tecnologias-na-Escola

Entrevista no Formspring do Instituto Claro

10/01/2011

JANEIRO 2011

Respostas para as perguntas formuladas no Formspring do Instituto Claro, feitas em dezembro de 2010 e respondidads em janeiro de 2011.

O Instituto Claro tem como causa Empreender para Educar e Educar para Empreender. Confira as respostas de Carlos Seabra sobre o uso das tecnologias na educação.

Carlos Seabra tira dúvidas dos leitores sobre como as tecnologias potencializam a aprendizagem

Olá. O Instituto Claro agradece a todos os internautas que mandaram suas dúvidas sobre como a tecnologia potencializa a educação. Carlos Seabra responde logo abaixo. Confira!

Por gentileza, como potencializar o ensino através da tecnologia, para o público mais carente? Obrigada, Silvia Moura

A cada dia, mais pessoas das classes mais carentes têm acesso às novas tecnologias, incluindo internet e celulares. Mesmo a imensa parcela da população que ainda não tem acesso será incluída, com o barateamento do custo dos equipamentos e políticas de universalização. O grande desafio é desenvolver estratégias pedagógicas, atividades motivadoras e projetos que levem à construção do conhecimento, pensando-se em promover uma “inclusão cognitiva” para além da chamada inclusão digital.

Olá, Carlos. Você incluiria o blog como uma tecnologia educacional que pode potencializar o currículo?

Sem dúvida, os blogs são uma interessantíssima ferramenta que, se usada no contexto educacional, pode ser uma grande aliada dos profissionais de educação. Informações apresentadas explorando diversos assuntos, seja no formato de diários, contos, notícias, poesias, artigos etc., podem despertar uma nova onda de produção escrita em muitos jovens. Os blogs são uma excelente forma de comunicação, permitindo que seus autores se expressem de acordo com suas convicções e visões de mundo e que outras pessoas possam ler e registrar comentários sobre a produção textual do blog. Isso vale tanto para professores terem seus blogs individuais, compartilhando pensamentos e informações com seus pares ou com pais e alunos, quanto para uma classe ter um blog coletivo, ou os alunos fazerem blogs em grupos ou individualmente.

Bom dia Carlos. Trabalho com crianças de escolas públicas com problemas de aquisição da leitura e escrita na imago.org.br. Como as novas tecnologias potencializam a aprendizagem?

As tecnologias potencializarem a aprendizagem é um fato se houver o engajamento dos professores e dos alunos em projetos específicos, pois não é algo que ocorra espontaneamente, a não ser em casos esporádicos. Engajar os alunos em atividades que levem à leitura e escrita, seja em processos de comunicação escrita com alunos de outras cidades, produção de pequenos contos ou poesias, ou minirreportagens e publicação em blogs, são alguns exemplos de possibilidades que permitem que esse potencial redunde em estímulo e facilitação da aprendizagem.

Eu tenho alguns Projetos de Inclusão Digital, Gostaria de Saber qual a melhor forma de poder divulgar apresentar estes projetos com uso das tecnologias que potencializam a aprendizagem ? email: fernandoinstrutor.tecnologia@hotmail.com

Se a intenção é apenas a divulgação, a melhor forma é a criação de um website, ou mesmo um blog, além de usar as redes sociais para sua divulgação, tais como Twitter, Facebook, Orkut etc. Mas, se a intenção é conseguir apoios viabilizadores, você deve procurar, através de um release bem resumido, contactar empresas, jornalistas, educadores e ficar atento a editais na área. Lembre-se: nem sempre a melhor das intenções viabiliza projetos, é importante dar-lhes um formato claro, que mostre seu diferencial e possua estrutura objetiva, com metas a alcançar e custos bem definidos.

Sonhei e Realizei, formei 3 turmas em gestão de pequenas empresas, com a tecnologia do telecurso TEC, o curso parou não sei se continua no ano que vem, aprendi com a praxis. Voce acha que o aprender ensinar vai se fazer naturalmente com a tecnologia?

Aprender a ensinar e aprender a aprender são competências básicas que não decorrem naturalmente da tecnologia em si, mas que podem e devem ser enormemente facilitadas por ela. Acreditar que a tecnologia, por si só, garanta avanços transformadores é um equívoco, propalado por vendedores de equipamentos e de softwares e por fanáticos tecnológicos. Educação a distância é um caminho muito promissor, mas que exige um investimento de desenvolvimento e uma atenção redobrados, como você deve ter vivenciado.

Como poderiamos melhorar a educação com os recursos da tecnologia, incentivando principalmente o educador a utiliza-la sem medo de perder o seu lugar no mercado de trabalho?

Um educador ter medo de perder seu lugar para recursos tecnológicos é algo tão descabido quanto uma mãe temer ser trocada por uma geladeira, que é um recurso tecnológico de apoio à alimentação de seus filhos – tanto quanto o computador é uma extensão do cérebro do professor e de seus alunos. Os professores devem ter medo é de ter medo, devem recear a falta de curiosidade, a ausência de experimentação. Estar aberto aos recursos da tecnologia é também uma forma de estabelecer novas parcerias com os alunos, engajando-os em processos de aprendizagem colaborativa.

Bem,que a tecnologias ajuda no apredesado isso nós sabemos, mais a questão é si maramos em um pais que á maioria não tem três refeiçois basicas par dia como essas pessa tec.era pontencializar ou acelera,ajudar no aprendizado do nosso povo.(alimenti

Todo esforço e atenção investidos na superação dos fossos sociais que temos em nosso país redunda em melhorias visíveis em qualidade de vida e em seus indicadores de saúde, alimentação, cultura e educação. Além das três refeições básicas a que você se refere, é fundamental uma quarta refeição diária, que é a do espírito, do intelecto. Nesse sentido, a tecnologia pode e deve ser usada como um “cavalo de Troia”, que permita ultrapassar as muralhas da clivagem social e dar novos saltos de qualidade de vida.

Como voce vê a tecnologia como uma nova ferramenta de aprendizagem? Já que na maioria das vezes acaba com vinculo social e troca de experiências.

Vínculos sociais e trocas de experiências podem ser componentes preciosos para a facilitação e o estímulo à aprendizagem, desde que inseridos em um projeto de ensino e cujos resultados sejam permanentemente acompanhados e (re)avaliados. A verdadeira ferramenta de aprendizagem são nossos cérebros (com uma pitada de ajuda dos nossos corações, olhos, boca e mãos), e devemos encarar as tecnologias como próteses extensoras de suas capacidades.

Como podemos alinhar o uso da tecnologia ao paradigma com a utilização dos recursos naturais? Não parece um contra censo

As tecnologias podem ser um poderoso aliado do uso sustentável dos recursos naturais (ao buscar uma informação na internet você não precisa se deslocar fisicamente para obter o mesmo resultado) ou comprometê-los (caso dos motores a combustão com efeitos altamente poluidores). Assim, não se trata de nenhum contrassenso, ao contrário, pois tecnologia na plena acepção do conceito pressupõe levar em conta todos os aspectos envolvidos. Mas isso não significa não nos preocuparmos permanentemente com aspectos ligados ao lixo tecnológico, à emissão de radiações e outros.

Como usar o celular para incrementar minhas aulas de ciência no 1º grau?

O celular pode ser usado em sala de aula, e também fora dela, como complemento ou centro de algum projeto pensado especificamente para seu uso. Por exemplo, usando o celular para fotografar determinados objetos solicitados pelo professor ou numa gincana de conhecimentos em que os alunos consultem fontes externas usando seus celulares. O fundamental é que seja uma estratégia pensada e elaborada pelo professor, que com os erros observados e os avanços identificados vá desenvolvendo sua metodologia.

Olá, Prezado Senhor Carlos Seabra !!! Gostaria de saber do senhor se, nos dias de hoje, é possível aplicar Metodologias de Aprendizagem que possam se utilizar de Conceitos de Civismo aplicados em Escolas Públicas em nosso País? Muito Agradecido. Ma

O civismo consiste nas atitudes e no comportamento assumidos pelos cidadãos, fundamentais para a vida coletiva. Como cultura política a ser construída, necessita de uma metodologia de aprendizagem que seja motivadora e engajadora. O uso de tecnologias de informação e comunicação também nesta área pode ser bastante efetivo, rompendo o tratamento “careta” e conservador tantas vezes dado a esta questão.

gostaria de saber quais os caminhos mais viaveis para tirar um projeto do papel e colocalo em pratica, pois ja tentei atraves do instit.claro mas nao soub trnsmitir realment meus objetivos que tenho certeza sera de grande importanc. economc. e socal obr.

Um projeto para sair do papel e ser colocado em prática depende em grande parte de uma feliz combinação de oportunidade e de competência. Como já foi dito em resposta anterior, é importante que o projeto tenha um formato claro, mostrando seus diferenciais em relação a outros semelhantes, com uma estrutura objetiva, definindo metas a serem alcançadas e, claro, com os custos bem listados e definidos. Ao formatar o projeto, procure vê-lo não como você o imagina mas sim como a pessoa, ou instituição, a quem o vai apresentar.

Trabalho com alunos do ensino fundamental na rede pública a utilização do celular como recurso de aprendizagem. Gostaria de saber como conseguir parceria junto a operadoras de telefonia móvel para tornar meus projetos mais significativos. Grata.

O primeiro passo, com certeza, é você divulgar como tem usado o celular como recurso de aprendizagem na escola pública. Uma grande dificuldade (existem muitas outras, infelizmente, sendo das maiores os custos envolvidos, que no Brasil estão entre os maiores do mundo) é a diversidade de operadoras que os alunos usam, o que dificulta o apoio de uma operadora a ações envolvendo celulares de outras. Há usos do celular que não necessitam de ligações de voz, mensagens de texto ou tráfego de dados, mas sabemos como é empobrecedor lidar com essas limitações, pois afinal cada dia mais o celular (principalmente os smartphones) é um computador no bolso de cada um.

Sr Seabra, Como desenvolver a aprendizagem de crianças e adolescentes carentes que não tem, ou tem pouco acesso as tecnologias modernas, se elas não tem como adquiri-las?

Quando surgiu a televisão, que era um aparelho caro e para poucos, os educadores tiveram uma postura omissa, quando não reacionária. Poucos anos depois, a TV estava em todos os lares. O mesmo acontece hoje com os computadores, a internet, os celulares: a cada ano, parcelas mais e mais numerosas da população têm acesso a esses recursos. Populações que ainda não têm água e esgoto, carentes de saúde e educação, já têm acesso à tecnologia. Isso deve mudar nosso foco de preocupação.

Bom Tarde Professor O estado do Piaui 19 por cento de sua população não é alfabetizada na maioria estão na faixa étaria acima dos 40 anos, como utilizar a tecnologia educacional para reduzir estes índices? AURI DIAS – ADSBP Presidente

A alfabetização, ainda mais em adultos, não é um assunto trivial, embora deva ser uma prioridade em qualquer política pública. Essa população não alfabetizada certamente assiste à televisão e boa parte se comunica telefonicamente, certo? Um dos grandes potenciais da tecnologia é ampliar a realidade, fazer simulações, criar contextos lúdicos, e isso tudo pode e deve ser pensando em conjunto com as metodologias de alfabetização. Segundo Paulo Freire, a leitura do mundo sempre precede a leitura da palavra – nesse sentido, as novas tecnologias de informação e comunicação possuem condições ímpares para fazer a ponte entre essas duas leituras, do mundo e da palavra, cabendo aos educadores a descoberta e a elaboração dessas possibilidades.

Como as tecnologias podem ser nocivas ou beneficiam as formaçoes das redes sociais

Como podemos observar pelas redes sociais que se desenvolvem através da internet (Twitter, Orkut, Facebook e outras), as tecnologias na web, e sua interconexão com a mobilidade (celulares, smartphones e tablets), são poderosos e naturais instrumentos para que a humanidade faça o que sempre fez desde o início de nossa espécie: tecer relacionamentos, físicos ou virtuais, envolvendo finalidades profissionais, sexuais, amizades, casamentos, negócios… Como isso pode ser usado na educação é algo que necessita, principalmente, de acompanhamento e engajamento proativo dos professores, que podem através desses ambientes acompanhar, mais do que nunca, como seus alunos pensam, como se expressam, e assim desenvolver e adequar suas estratégias pedagógicas.

Como usar, e/ou onde encontro exemplos, da utilização do celular na educação? É um aparelho presente na vida de praticamente todo estudante, mas que se tornou mais um objeto de conflito em sala de aula do que de oportunidade.

Essa é uma interessantíssima possibilidade ainda pouco estudada e aplicada, que como você destaca é mais um motivo de conflitos e proibições do que uma real oportunidade de ferramenta de ensino e aprendizagem. Esse conceito é conhecido também como “m-learning” (mobile learning, ou aprendizagem por celular), procure referências a respeito na web. A grande preocupação e receio dos educadores é com o potencial desvio de atenção que os alunos podem ter: imaginemos durante uma aula eles ficarem a conversar com namorados, familiares ou amigos! Mas o mesmo potencial distraidor podem ter as canetas e folhas de papel, pois um aluno pode não prestar atenção à aula e fazer outras coisas com esses recursos. Claro que o exemplo é fraco, pois o potencial de distração do celular é muito maior, canetas e papéis não tocam e não fazem outras tantas coisas… O principal, a meu ver, é uma experimentação e uma pactuação do professor com os alunos: experimente discutir com eles os limites e as possibilidades, como uma abordagem inicial.

Tenho trabalhado com produção de vídeo-aula em matemática, e gostaria de tornar minhas aulas mais interativas e eficiente, entretanto, não encontro nenhum material, textos, com o tema “como as tecnologias potencializam a aprendizagem”. Qual sua

O uso de audiovisual em aulas é pleno de potencial e abordarei aqui apenas dois aspectos. Um é usar filmes em sala de aula: é necessário selecionar trechos, pois vídeos muito longos só levam à perda de atenção (o ideal é algo em torno de oito minutos de duração), e fazer uso das pausas e mesclar a exibição com o debate, a verbalização, e juntar isso a outras atividades (redação, desenho, trabalho em grupos). Outro é a produção de minivídeos: usando celulares, câmeras fotográficas ou mesmo filmadoras (cada dia os primeiros com mais qualidade, os segundos mais baratos), em trabalhos feitos individualmente ou em grupo. Interessantes possibilidades nesse sentido podem ser vistas no Claro Curtas (www.clarocurtas.com.br) ou no Festival do Minuto (www.festivaldominuto.com.br).

Olá, gostaria de sua opinião sobre o uso de softwares específicos para auxílio ao processo de ensino-aprendizagem de portadores de deficiência visual.

Se o computador, o celular e a internet são formidáveis extensões de nossas capacidades para as pessoas sem necessidades especiais, para quem possui qualquer tipo de deficiência, visual, auditiva, de locomoção ou outras, a diferença é altamente impactante para um salto na qualidade de vida! No caso específico de pessoas cegas ou com visão subnormal, os softwares que permitem leitura automática, com voz sintética, possibilitam inúmeras aplicações no ensino e na aprendizagem.